SP mira 1 milhão de m³/dia de capacidade instalada de biometano até 2027
Estado já conta com nove plantas de biometano e espera a autorização de novas unidades em um futuro próximo

O governo de São Paulo espera dar um salto de quase 50% na capacidade instalada de biometano no Estado, afirma a secretária da Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo), Natália Resende .
O biometano, ou gás natural renovável , é obtido a partir da purificação do biogás, uma mistura de gases que têm como origem o processo natural de decomposição de resíduos orgânicos em ambientes onde não há troca de ar – a digestão anaeróbica.
Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), atualmente, o estado conta com capacidade autorizada de produção próxima de 676 mil metros cúbicos de biometano por dia. Em entrevista à CNN Infra , a chefe da pasta arredondou o patamar atual para cerca de 700 mil metros cúbicos por dia de capacidade instalada e afirmou que espera um avanço para um milhão de metros cúbicos por dia até 2027.

“A gente espera já chegar em 2026, 2027 a 1 milhão de metros cúbicos por dia de capacidade instalada”, afirmou a secretária em entrevista.
São Paulo conta com quase metade das instalações de biometano do país. Das 21 plantas em território nacional , nove ficam no estado e, das 48 que aguardam autorização, um quarto também fica localizado em território paulista.
Dessas 12 unidades, 10 instalações têm previsão de concluir o processo de autorização até o fim de 2027 e contam com o potencial de adicionar cerca de 482.315 metros cúbicos por dia à capacidade instalada do estado. Caso entrem em operação com a capacidade projetada, São Paulo poderá chegar ao patamar de cerca de 1,15 milhão de m³/dia.

A secretária atribui o avanço do biocombustível aos planos estaduais de energia, à maior previsibilidade regulatória e à possibilidade de integração do biometano à rede estadual de gás.
“A gente tem já o Plano Estadual de Energia , indo até 2050, que nos dá o norte, as diretrizes estratégicas […] e isso nos ajudou muito a ter todos esses avanços”, destaca, referindo-se ao documento elaborado em parceria com a Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), que define a trajetória da unidade federativa para uma matriz energética mais sustentável.
A postura estadual sobre o licenciamento ambiental também foi citada por Natália, que relacionou a estabilidade e a previsibilidade das normas a fatores que incentivaram a produção de biometano na região.
“Isso é muito importante para atrair investimento de qualidade […] você precisa ter uma perspectiva de longo prazo para você atrair bons players para esse tipo de investimento”, completa.
A unidade federativa também se destaca no cenário nacional pela capacidade de integração do biocombustível à infraestrutura estadual, promovendo a competitividade do biometano.
“A gente consegue misturar 100% do biometano na rede de gás. Então, a gente aproveita a nossa infraestrutura e essa é uma prioridade para a gente conseguir também ter escala”, aponta Natália.
A integração do biometano à rede de gás é apoiada pela política estadual de conexão das plantas produtoras à infraestrutura de distribuição de gás canalizado, com a aplicação da Tusd Verde (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição Verde), segmento tarifário voltado aos fornecedores de biometano conectados ao sistema.
Ela também cita medidas relacionadas à tributação no estado como fator de incentivo: “a partir do momento que a gente faz uma política fiscal de isenção de IPVA para esse tipo de veículo, que foi o que a gente fez aqui no Estado de São Paulo, para os híbridos, para biometano, para hidrogênio também, isso ajuda muito para trazer essa competitividade.”
No caso do biometano, a isenção de IPVA contempla ônibus e caminhões movidos exclusivamente a gás natural, incluindo o combustível renovável.
Durante a entrevista, outro ponto destacado pela secretária foi o potencial do estado para usar o biometano como peça-chave em uma economia circular e menos poluente.
Natália Resende destaca que São Paulo tem potencial para produzir cerca de 6,4 milhões de metros cúbicos de biometano por dia. Esse valor equivale a cerca de 40% do consumo total de gás natural da unidade federativa.
“84% desse potencial pelos estudos que a gente fez viriam do setor sucroenergético, do bagaço, da cana, da vinhaça. Os outros 16% do setor de resíduos sólidos, que é também um exemplo de economia circular muito grande”, explica.
Como exemplo, a chefe da Semil lembra de um projeto da Sabesp em Franca.
“A gente abastece 40 veículos da empresa por meio do biometano que é gerado em decorrência do tratamento de esgoto.”
Ela ainda cita o programa “Integra Resíduos” , que procura ajudar os municípios na administração e destinação sustentável de resíduos sólidos urbanos, afirmando que o programa também reúne medidas que buscam dar escala e tornar a produção de biometano mais economicamente viável.
Sobre esses mecanismos subnacionais, que buscam integrar diferentes segmentos da infraestrutura estadual para incentivar a produção do biocombustível, Natália Resende conclui: “Para mim, é a melhor forma de você olhar a energia limpa, renovável e a economia circular também no setor de resíduos. Então, a ideia é a gente avançar cada vez mais, entendendo dos gargalos que a gente já mapeou”.
Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/infra/sp-mira-1-milhao-de-m%c2%b3-dia-de-capacidade-instalada-de-biometano-ate-2027/.

Saneamento articula resposta para lidar com impacto de reforma tributária — Foto: CNN Brasil
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