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    SP e RJ têm a pior percepção de melhoria da educação em 4 anos, segundo pesquisa

    Levantamento mostra insatisfação maior no Sudeste e apoio à valorização docente, à alfabetização e ao ensino técnico

    UOL
    3 de setembro de 2026 às 04:00
    SP e RJ têm a pior percepção de melhoria da educação em 4 anos, segundo pesquisa
    Mãos de estudantes seguram canetas e escrevem em cadernos de espiral sobre carteiras azuis em sala de aula. Alunos vestem uniformes com gola verde e estão alinhados em fileiras. — Foto: UOL

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    Rio de Janeiro e São Paulo têm a pior percepção da população em relação à melhoria das escolas públicas de seus estados ao longo dos últimos quatro anos, de acordo com a pesquisa "O que a população pensa sobre a educação 2026". Em ambos os casos, 25% dos entrevistados afirmam que a qualidade dessas instituições "piorou" ou "piorou muito" no período. Por outro lado, 38% apontam que a situação "melhorou" ou "melhorou muito" no RJ, enquanto 33% dizem o mesmo do ensino paulista —os percentuais são os mais baixos entre as unidades da federação do país.

    Estudantes em sala de aula em uma escola na área rural de Balsas, no Maranhão - Zanone Fraissat - 8.set.25/Folhapress · Zanone Fraissat - 8.set.25/Folhapress
    Estudantes em sala de aula em uma escola na área rural de Balsas, no Maranhão - Zanone Fraissat - 8.set.25/Folhapress · Zanone Fraissat - 8.set.25/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Realizada pelo Instituto Ideia a pedido da Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos Pela Educação, a pesquisa ouviu 20 mil brasileiros com 16 anos ou mais em maio e julho deste ano. A margem de erro é de 1 ponto percentual.

    No geral, 49% dos entrevistados do país avaliam que a qualidade das escolas públicas de seu estado melhorou ou melhorou muito nos últimos quatro anos, e 17% afirmam que piorou ou piorou muito.

    O Nordeste apresentou a percepção mais positiva de evolução, com 56% de "melhorou" ou "melhorou muito". Os maiores percentuais estão em Alagoas (66%), no Ceará e em Sergipe (65% cada um). Enquanto isso, o Sudeste tem o menor índice entre as regiões, de 43%.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Pedro Rodrigues, coordenador de políticas educacionais do Todos pela Educação, afirma que a população consegue identificar as diferenças na qualidade da educação pública. "São Paulo e Rio de Janeiro ajudam a ilustrar essa relação. Os dois estados não estão hoje entre os que apresentam os melhores resultados educacionais do país e também recebem avaliações mais críticas da população."

    Segundo ele, a pesquisa não permite dizer exatamente o que explica a avaliação de cada estado, mas os dados mostram uma relação importante entre desempenho educacional e percepção da população.

    Nos últimos quatro anos, o estado de São Paulo tem sido governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos). No Rio de Janeiro, na maior parte do período, o comando foi do então governador Cláudio Castro (PL), que saiu do governo em março.

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    logo do produto folha de redação — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Quando se pergunta sobre como avaliam a qualidade das escolas públicas de seus estados, sem a evolução temporal, 31% no RJ apontam ótimo ou bom, e 28% ruim ou péssimo —numericamente, são os piores índices entre todos os estados. Em SP, essas parcelas correspondem a 38% (ótimo e bom) e 26% (ruim e péssimo), também entre os percentuais menos favoráveis na comparação nacional.

    Na contramão, Santa Catarina (60% de ótimo e bom), Ceará (59%) e Paraná (57%) recebem as melhores avaliações de suas escolas públicas pela população.

    É nesse cenário de avaliação desigual e de preocupação com a aprendizagem que surgem as prioridades apontadas para os próximos anos. Melhorar os salários e as condições de trabalho dos professores é a medida mais citada, por 53% dos entrevistados.

    A ampliação dos cursos técnicos para jovens do ensino médio vem em seguida, com 48%, empatado tecnicamente com todas as crianças aprendendo a ler e escrever até os 8 anos, apontada por 47%. Melhorar a formação dos professores aparece em seguida, com 37%, enquanto ampliar vagas em creches é citado por 23%. A pesquisa permitia mais de uma resposta.

    A alfabetização também aparece entre as principais demandas para as eleições: 83% defendem que o tema seja uma prioridade dos candidatos. Ao mesmo tempo, apenas 25% indicam considerar que as crianças estão aprendendo a ler e escrever no ritmo esperado.

    A carreira docente também pesa na definição espontânea de escola de qualidade. "Ensino de qualidade" é o aspecto mais citado, com 17,8%, seguido pela presença de professores e profissionais qualificados, preparados e comprometidos, com 13,1%.

    Há, porém, diferenças regionais naquilo que vem depois da valorização dos professores. Em Sudeste, Sul e Centro-Oeste, a segunda prioridade é ampliar os cursos técnicos. No Norte e no Nordeste, a alfabetização ocupa essa posição.

    Patrícia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social/Fundação Itaú, afirma que a aprendizagem exige políticas intersetoriais e condições de trabalho, além de remuneração atrativa. "Estamos ainda distantes de garantir a dedicação integral do professor a uma única escola, mas, com a expansão da educação em tempo integral, essa precisa ser uma meta prioritária."

    Oito em cada dez entrevistados defendem a expansão do ensino técnico para gerar mais oportunidades aos jovens. Além disso, o mesmo percentual diz considerar que um curso técnico de qualidade aumenta as chances de conseguir uma vaga no mercado de trabalho .

    A percepção sobre a preparação oferecida hoje pela escola pública é bem menos favorável. Só 25% dizem que a rede prepara bem os estudantes para o mercado de trabalho, enquanto 40% afirmam discordar. Em relação ao impacto da escola pública para o ensino superior , 27% avaliam positivamente essa preparação, contra 38% que dizem discordar.

    Sobre o ensino integral, em que os alunos ficam no mínimo sete horas por dia, os números apontam que 71% dos brasileiros já ouviram falar de escolas públicas em tempo integral. Entre pais e responsáveis, o índice chega a 90%.

    Entre quem conhece o modelo, 52% afirmam que matriculariam os filhos ou já têm crianças matriculadas em escolas de tempo integral. A disposição é maior entre as classes C e D/E, com 59% e 58%, respectivamente, contra 38% nas classes A/B.

    Lia Rolnik, diretora-executiva interina do Instituto Sonho Grande, explica que o maior apoio entre as famílias das classes C e D/E pode estar relacionado ao contato com o modelo e aos benefícios práticos do ensino integral, como alimentação, segurança e mais tempo para os responsáveis trabalharem.

    "O modelo pode ser percebido não apenas como uma escolha educacional, mas como uma política de equidade, proteção e ampliação de oportunidades", afirma Rolnik.

    A pesquisa mostra ainda que a população não associa necessariamente o ensino integral apenas a mais horas de aula. Para 43%, a escola deveria usar o tempo adicional em atividades diversificadas, como projeto de vida e esportes.

    A educação também aparece como tema relevante para a disputa eleitoral. Para 83% dos entrevistados, a área deveria estar entre as três prioridades do governador nos próximos quatro anos. Para 71%, a atuação do governo na educação influencia o voto.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/09/sp-e-rj-tem-a-pior-percepcao-de-melhoria-da-educacao-em-4-anos-segundo-pesquisa.shtml.

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    Estudantes em sala de aula em uma escola na área rural de Balsas, no Maranhão - Zanone Fraissat - 8.set.25/Folhapress · Zanone Fraissat - 8.set.25/Folhapress — Foto: UOL

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