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    'Sou contra cotas porque sou professor do ensino básico', diz representante de Renan na Educação

    "Sou contra cotas porque sou professor da educação básica", afirma Paulo Cruz, representante da candidatura de Renan Santos (Missão), sobre o sistema de cotas sociais e raciais em vigência desde a lei federal de 2012. Leia mais (09/22/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    23 de setembro de 2026 às 02:00
    'Sou contra cotas porque sou professor do ensino básico', diz representante de Renan na Educação
    Homem negro de camisa branca listrada sentado à mesa vermelha em estúdio com fundo de madeira e iluminação vermelha. Duas garrafas de água e um copo estão sobre a mesa. — Foto: Folha de S.Paulo

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    "Sou contra cotas porque sou professor da educação básica", afirma Paulo Cruz, representante da candidatura de Renan Santos (Missão), sobre o sistema de cotas sociais e raciais em vigência desde a lei federal de 2012.

    Paulo Cruz, representante do candidato Renan Santos (Missão), no programa Educação em Debate, da TV Folha - Reprodução TV Folha · Reprodução TV Folha
    Paulo Cruz, representante do candidato Renan Santos (Missão), no programa Educação em Debate, da TV Folha - Reprodução TV Folha · Reprodução TV Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Tecnólogo em processamento de dados, filósofo e mestre em ciências da religião, Cruz foi anunciado por Renan como futuro ministro da Educação de eventual mandato e representou o candidato em entrevista ao programa Educação em Debate , uma iniciativa da Folha em parceria com a Fundação Lemann, o Instituto Natura, a Nova Foundation e a Associação Bem Comum.

    O programa de entrevistas na TV Folha explora as propostas para a educação dos principais candidatos à Presidência no pleito deste ano.

    O candidato do Missão defende a abolição das cotas e diz que o debate sobre acesso à universidade precisa ser deslocado para se concentrar na educação básica. Para ele, estudantes negros são especialmente prejudicados pelo sistema educacional antes de chegar à universidade, e "eles estão desassistidos".

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A série de entrevistas sobre educação é uma iniciativa da Folha com apoio de Fundação Lemann, Instituto Natura, Nova Foundation e Associação Bem Comum. Foram convidados representantes dos seis candidatos à Presidência mais bem colocados nas pesquisas do Datafolha: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Flávio e Cury, porém, não enviaram porta-vozes.

    Professor da rede pública por dez anos, Cruz afirma que as cotas beneficiam "uma espécie de elite da educação pública" e que a meta seria fazer com que o estudante chegasse ao fim da educação básica "em condições de competir em igualdade com aquele aluno que sai de uma escola particular".

    Questionado sobre o que fazer com o jovem que já se formou na educação básica como está hoje, Cruz disse que "abolir" as cotas, como afirma o programa do Missão, poderia ser um "processo gradual".

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    logo do produto folha de redação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Entre as propostas de Renan estão o ranqueamento das escolas mais violentas do país e a destinação de mais recursos da União para aquelas consideradas as mais ordeiras.

    Cruz afirma que o sistema vive uma crise que tem como um dos principais motores o problema da perda da ordem e da indisciplina. E defende propostas que preveem mudanças no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) para, segundo ele, favorecer a aplicação de sanções a alunos, como suspensões.

    "Educação é atenção", diz Cruz. Para ele, a falta de ordem impede o aluno de aprender. "A escola não pode mais ser um ambiente em que o aluno não distingue mais a rua e a escola."

    Para ele, a lógica precisa mudar também no Pé-de-Meia , programa federal que paga bolsas a estudantes pobres do ensino médio. "O aluno só precisa estar na escola. Ele pode estar na escola botando a escola abaixo e tudo bem, se ele tiver frequência", afirmou. Sua proposta é que o benefício considere desempenho além da presença.

    Cruz diz reconhecer que nem todo episódio de violência na escola vira um registro policial e que, por isso, o índice de escolas violentas poderia se basear em suspensões e advertências. Admite ainda que muitas escolas poderiam deixar de registrar esses eventos para não serem prejudicadas.

    "Você não pode não estabelecer uma regra porque escolas vão burlar essa regra. A regra precisa existir e você precisa fazer com que ela seja cumprida nas escolas."

    O programa de Renan também propõe implementar o modelo de escolas cívico-militares nas unidades consideradas mais violentas, tomando El Salvador como referência disciplinar. Cruz, porém, diz que essa não seria necessariamente sua escolha. "Para estabelecer a ordem ou restabelecer a ordem na escola não é necessário que você militarize a escola."

    Na pedagogia, a referência defendida é o Ceará. Cruz cita o método fônico de alfabetização e a colaboração entre o estado e seus municípios como práticas a serem replicadas nacionalmente. A ideia é combinar "o modelo pedagógico do Ceará" com "o modelo disciplinar de El Salvador".

    Sobre o ensino integral, Cruz rejeita a ideia de que manter o aluno mais tempo na escola seja, por si só, uma política educacional. "Isso não tem a ver com educação, tem a ver com controle", afirmou, referindo-se a argumentos como afastar o estudante da rua e permitir que os pais trabalhem. Para ele, o contraturno precisa oferecer esporte, formação técnica e outras atividades. "Ele tem que sair dali um ser humano melhor."

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/09/sou-contra-cotas-porque-sou-professor-do-ensino-basico-diz-representante-de-renan-na-educacao.shtml.

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    Paulo Cruz, representante do candidato Renan Santos (Missão), no programa Educação em Debate, da TV Folha - Reprodução TV Folha · Reprodução TV Folha — Foto: Folha de S.Paulo

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