Brasil

    Sonhos que viram pesadelo

    Os marqueteiros de Lula e Flávio Bolsonaro estão comendo mosca. Se lessem mais jornais estrangeiros, teriam descoberto que atrair data centers para o país, como prometem as duas campanhas , é uma daquelas ideias que acabam se voltando contra seus proponentes. Nos EUA, data centers se tornaram um enorme ônus eleitoral . Leia mais (09/07/2026 - 12h30)

    Folha de S.Paulo
    7 de setembro de 2026 às 15:30
    Sonhos que viram pesadelo
    Prédio industrial grande com telhado preto ocupa o centro da imagem, cercado por casas residenciais de dois andares e árvores. À direita, área de construção com máquinas e terra exposta. Ruas e carros visíveis na parte inferior da imagem. — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"

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    Imagem feita por drone de data center da empresa The Markley Group, em área residencial de Lowell, Massachusetts (EUA) - Brian Snyder - 28.jul.26/Reuters · Brian Snyder - 28.jul.26/Reuters
    Imagem feita por drone de data center da empresa The Markley Group, em área residencial de Lowell, Massachusetts (EUA) - Brian Snyder - 28.jul.26/Reuters · Brian Snyder - 28.jul.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os marqueteiros de Lula e Flávio Bolsonaro estão comendo mosca. Se lessem mais jornais estrangeiros, teriam descoberto que atrair data centers para o país, como prometem as duas campanhas , é uma daquelas ideias que acabam se voltando contra seus proponentes. Nos EUA, data centers se tornaram um enorme ônus eleitoral .

    Políticos que apoiaram e facilitaram a instalação desses complexos têm sido castigados nas urnas em pleitos locais. Governadores de ambos os partidos que inicialmente se esforçaram para trazer data centers para seus estados agora decretam moratórias e endurecem as regras de licenciamento.

    À primeira vista, data centers pareciam uma proposta irrecusável. Eram promessa de mais empregos, maior arrecadação e desenvolvimento tecnológico. Só que eles geram pouquíssimos empregos locais e não asseguram desenvolvimento tecnológico. A arrecadação de fato pode aumentar, mas, para atraí-los, várias autoridades ofereceram incentivos fiscais, isto é, abriram mão da arrecadação.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O que ninguém disse aos eleitores é que os data centers criam um inferno para os vizinhos imediatos e um purgatório para todos. As instalações, em geral horrendas, produzem um zumbido constante muito prejudicial ao sono. Também criam poluição luminosa e alteram o microclima das áreas mais próximas. De forma mais generalizada e, portanto, muito mais impactante, elas resultaram em aumentos significativos na conta de luz (os custos da melhoria da infraestrutura foram repartidos em vez de cobrados das big techs). Algo parecido aconteceu com a água, que, além de ficar mais cara, perdeu qualidade. O risco de apagões e desabastecimento hídrico aumentou.

    Os programas de Lula e Flávio Bolsonaro, bem como as propostas legislativas do governo para a área , se concentram nas ilusões dos data centers e deixam de fora a regulação ambiental que poderia pelo menos reduzir os inconvenientes.

    Será merecido quando o eleitor brasileiro, a exemplo de seu congênere americano, se revoltar contra quem teve essa ideia de jerico.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/09/sonhos-que-viram-pesadelo.shtml.

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    Imagem feita por drone de data center da empresa The Markley Group, em área residencial de Lowell, Massachusetts (EUA) - Brian Snyder - 28.jul.26/Reuters · Brian Snyder - 28.jul.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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