Somos irmãos, mas diferentes: o que a genética diz sobre ancestralidade
No Dia do Irmão, comemorado neste sábado (5), entenda como "embaralhamento" do DNA faz com que filhos dos mesmos pais herdem características e riscos de saúde diferentes

Alguma vez você já deve ter olhado para seu irmão e pensado: "Como ele pode ser tão diferente de mim?" Em celebração ao Dia do Irmão , comemorado neste sábado (5), a pergunta se torna ainda mais interessante.
A explicação para as diferenças vai além da convivência diária. Na verdade, uma parte essencial da trajetória histórica de uma família está gravada de forma invisível no DNA.
A revelação da escrita genética frequentemente traz surpesas , especialmente quando irmãos biológicos realizam testes de ancestralidade e se deparam com resultados consideravelmente distintos.

Mesmo compartilhando os pais, um irmão pode apresentar uma proporção maior de determinada ancestralidade do que o outro. Em um país marcadado pela miscigenação como o Brasil, a diversidade biológica ganha contornos ainda mais complexos.
A explicação para a diferença entre os irmãos está diretamente no mecanismo de transmissão do material genético . Cada indivíduo herda cerca de 50% do DNA da mãe e os outros 50% do pai, mas os fragmentos transmitidos não são os mesmos para todos os filhos.
Durante a formação dos óvulos e espermatozoides, ocorre um processo de reorganização no qual segmentos dos cromossomos são rearranjados . O embaralhamento faz com que cada gestação resulte em uma composição genômica inteiramente nova.

"Quando falamos que dois irmãos recebem metade do DNA da mãe e metade do pai, é fácil imaginar que essa divisão seja igual para todos os filhos, mas não é assim que acontece. Cada um recebe uma combinação própria e, por isso, um irmão pode carregar mais segmentos associados a determinada ancestralidade do que o outro", explica Ricardo Di Lazzaro, médico, doutor em genética e fundador da Genera, marca da Dasa.
A herança genética também vai muito além das caracterísitcas visíveis. "A aparência não revela todas as nossas origens. Cor da pele, textura do cabelo, formato dos olhos e outras características correspondem a uma parcela das informações presentes no genoma", pondera Di Lazzaro.
O mesmo rearranjo que dita as diferenças físicas e de ancestralidade também justifica por que irmãos podem apresentar riscos diferentes para determinadas condições de saúde.

Em doenças comuns e multifatoriais, como hipertensão e diabetes tipo 2, o DNA apresenta apenas uma fração do risco total, que também é modulado por hábitos e fatores ambientais.
Além disso, a ancestralidade pode indicar predisposições específicas , uma vez que certas variantes de risco são estatisticamente mais frequentes em populações específicas.
É o caso da fibrose cística , mais incidente em populações de ancestralidade europeia, e da anemia falciforme , com maior frequência naquelas de ancestralidade africana.

Os especialistas ressaltam, contudo, que as condições não são exclusivas de determinados grupos e que a genética não atua de forma isolada para determinar o surgimento de uma doença.



Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/saude/somos-irmaos-mas-diferentes-o-que-a-genetica-diz-sobre-ancestralidade/.

Parte essencial da trajetória histórica de uma família está gravada de forma invisível no DNA • Pch.Vector/Magnific · • Pch.Vector/Magnific — Foto: CNN Brasil
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