Sociedade de diabetes atualiza diretrizes e inclui combate à obesidade no tratamento
Médicos devem prescrever remédios e monitorar níveis de gordura para evitar surgimento ou agravamento da doença

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A SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) atualizou nesta quarta-feira (19) as diretrizes de tratamento clínico de diabetes no Brasil. As regras servem de parâmetro para orientar médicos que tratam pacientes com a doença, aproximadamente 16 milhões de pessoas no país.

A principal mudança incide sobre o diabetes tipo 2 , o mais comum entre os diagnosticados. A partir de agora, os médicos terão de tratar a obesidade conjuntamente, para evitar o agravamento do diabetes em quem já tem a doença e impedir seu surgimento em pessoas com condições favoráveis –como os pré-diabéticos.
Até então, o manejo era opcional; ou seja, os médicos não eram obrigados a olhar para a obesidade durante um tratamento de diabetes.
Diabetes é um conjunto de alterações que levam à hiperglicemia , que é o aumento do nível de glicose (açúcar) no sangue. Isso pode ocorrer tanto por uma produção insuficiente de insulina, que é o hormônio que regula a glicose no corpo, quanto por um aumento da resistência do organismo à ação desse hormônio.

O tipo 2, que responde por cerca de 90% a 95% dos casos de diabetes, é marcado por uma resistência do organismo à ação da insulina —é como se o corpo não aproveitasse a insulina produzida. Este tipo de diabetes tem maior associação com fatores de risco, como colesterol, hipertensão, excesso de peso e sedentarismo, além de componente hereditário em alguns casos. Em geral, o diabetes tipo 2 costuma ser mais diagnosticado após os 40 anos.
Para o endocrinologista Marcello Bertoluci, coordenador das diretrizes da SBD, a mudança na diretriz tem por objetivo ampliar o olhar para o que causa o diabetes. Nesse sentido, a obesidade é uma das principais comorbidades.
"Até então, o foco do tratamento era o controle glicêmico . A gente está ampliando o conceito para o excesso de adiposidade (gordura), que começa a tornar o indivíduo disfuncional, se infiltrar nos órgãos e causar lesões, como doença cardiovascular e o próprio diabetes", explica o médico.

"Se a pessoa tem a glicose um pouquinho elevada, já se deve iniciar o monitoramento e o tratamento da obesidade, para evitar que ela se torne diabética. E isso deve ser feito não apenas com orientação, mas com um tratamento ativo, com prescrição medicamentosa se necessário", afirma Bertoluci.
A mudança ocorre em um contexto de aceleração da obesidade no país. Pesquisa Vigitel mais recente, divulgada no ano passado, mostrou que a obesidade cresceu 118% entre 2006 e 2024 nas capitais brasileiras. A obesidade é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2 à medida que favorece a resistência à insulina e aumenta a sobrecarga sobre as células do pâncreas que produzem o hormônio.
Nessa equação, a recomendação é para que os médicos utilizem canetas emagrecedoras para evitar a progressão do paciente pré-diabético para o diagnóstico. Esses remédios, segundo Bertoluci, possibilitam a remissão de uma doença iminente e contribuem para a saúde do pâncreas. O acesso, contudo, ainda é um problema, visto que o preço desses remédios ainda os torna inacessíveis para pessoas de menor renda –ainda que a entrada de genéricos deva pressionar para baixo os preços.
As canetas emagrecedoras não serão, porém, as únicas empregadas no tratamento farmacológico. Fora do SUS (Sistema Único de Saúde), podem não ser nem as principais, mas há alternativas, como a dapagliflozina.
"O que fica de destaque é que não se pode esperar o paciente engordar para tratar a obesidade. Tem que começar antes e evitar a obesidade", afirma o médico.
Outro destaque da nova diretriz é a recomendação de anticoncepcional para mulheres com a hemoglobina glicada acima de 9. Este índice está associado a até seis vezes mais risco de malformações cardíacas e de prematuridade. Nestes casos, é preferível postergar a gestação até que o nível esteja abaixo de 6.
A hemoglobina glicada é um exame de sangue que indica a média dos níveis de glicose no organismo nos últimos dois a três meses. O teste é usado para avaliar o controle do diabetes e identificar alterações persistentes na taxa de açúcar no sangue.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/08/sociedade-de-diabetes-atualiza-diretrizes-e-inclui-combate-a-obesidade-no-tratamento.shtml.

Análogos de GLP-1 são citados como aliados para combater obesidade durante o tratamento de diabetes; diretrizes foram atualizadas nesta quarta (19) - Rafaela Araújo - 19.ago.26/Folhapress · Rafaela Araújo - 19.ago.26/Folhapress — Foto: UOL
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