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    Sobe o custo do socorro ao agro

    O governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) aceitou ampliar seu programa de renegociação da dívida agropecuária, mesmo com potencial prejuízo às contas públicas. Leia mais (10/05/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    6 de outubro de 2026 às 01:00
    Sobe o custo do socorro ao agro
    Colheitadeira amarela avança em campo de soja madura, cortando fileiras da planta seca sob céu azul com poucas nuvens. Área rural extensa com vegetação ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Colheita de soja em Lagoa dos Três Cantos (RS) - Diego Vara - 1.abr.25/Reuters · Diego Vara - 1.abr.25/Reuters
    Colheita de soja em Lagoa dos Três Cantos (RS) - Diego Vara - 1.abr.25/Reuters · Diego Vara - 1.abr.25/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) aceitou ampliar seu programa de renegociação da dívida agropecuária, mesmo com potencial prejuízo às contas públicas.

    A medida provisória publicada em julho previa limites mais sensatos. Agora, o Executivo recua diante da ameaça de aprovação de um projeto de lei de alcance muito maior pelo Congresso Nacional .

    A bancada ruralista faz pressão com dados ainda não consolidados sobre o baixo volume de pedidos de renegociação e de contratação de novos financiamentos desde a efetiva vigência da MP, há pouco mais de um mês.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ainda não há clareza sobre se existem, de fato, riscos à safra de 2026-27 ou se prevalece apenas mais um lobby em favor da premiação de empresas inadimplentes às expensas do erário.

    O que se tem é a insistência do setor em substituir um programa capaz de amortizar ou liquidar cerca de R$ 100 bilhões em dívidas ao custo de R$ 48,3 milhões neste ano pelo dispendioso projeto de lei 5.122/23, que tramita novamente na Câmara dos Deputados e projeta renegociação de cerca de R$ 180 bilhões ao custo estimado de R$ 140 bilhões em 13 anos.

    A MP, com prazo de aprovação pelo Congresso até 11 de novembro, somente prevalecerá se houver empenho das duas Casas legislativas —ambas suscetíveis às demandas da bancada ruralista.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não à toa, tais demandas, anteriormente rejeitadas pelo Ministério da Fazenda , foram incluídas no relatório da medida provisória, de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

    O texto amplia consideravelmente o escopo da MP, antes reservada à inadimplência com o setor financeiro, ao admitir dívidas de operações de crédito comum contratadas para cobrir o passivo acumulado até o fim de 2025 e as não bancárias. Agrega ainda as operações adimplentes de crédito para investimentos.

    O relatório, porém, manteve os critérios para a adesão ao programa e a exigência de laudo sobre a perda mínima de 30% da renda bruta em duas ou mais safras no período de 2019 a 2025 devido a eventos climáticos ou queda nos preços. Mas não indica o valor a ser coberto pelo erário.

    De todo modo, a aprovação do programa requer informações mais precisas sobre as razões do endividamento do campo e seus potenciais impactos sobre a inflação dos alimentos e as exportações agropecuárias.

    O Estado brasileiro não pode arcar desnecessariamente com riscos embutidos na atividade privada, mesmo consideradas as peculiaridades do setor agrícola, já favorecido pelo Plano Safra.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/sobe-o-custo-do-socorro-ao-agro.shtml.

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    Colheita de soja em Lagoa dos Três Cantos (RS) - Diego Vara - 1.abr.25/Reuters · Diego Vara - 1.abr.25/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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