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    Sob pressão, pastor presbiteriano deixa cargo após acusação de assédio

    OUTRO LADO: Igreja Presbiteriana de Pinheiros diz que reverendo Arival Dias Casimiro pediu licença

    UOL
    14 de setembro de 2026 às 01:00
    Sob pressão, pastor presbiteriano deixa cargo após acusação de assédio
    Homem de meia-idade com cabelo curto e óculos redondos sorri para a câmera. Ele veste camisa social branca e está diante de fundo azul liso. — Foto: UOL

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    O reverendo Arival Dias Casimiro deixou o cargo de pastor titular da IPP (Igreja Presbiteriana de Pinheiros) depois de fechar um acordo na Justiça trabalhista com uma ex-funcionária que o acusou de assédio e abuso espiritual.

    O reverendo Arival Dias Casimiro, ex-pastor titular da Igreja Presbiteriana de Pinheiros - Arival Dias Casimiro/Facebook · Arival Dias Casimiro/Facebook
    O reverendo Arival Dias Casimiro, ex-pastor titular da Igreja Presbiteriana de Pinheiros - Arival Dias Casimiro/Facebook · Arival Dias Casimiro/Facebook — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A decisão ocorre após questionamentos na comunidade presbiteriana sobre sua permanência à frente de uma das igrejas mais influentes da IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil), onde o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça também é pastor.

    "Ciente dos fatos, o reverendo Arival, em respeito à família e à IPP, resolveu pedir licença em comum acordo com o conselho", diz a assessoria de imprensa contratada pela IPP.

    Casimiro foi procurado por telefonema e mensagens no início da tarde deste domingo (13), mas não respondeu até a publicação deste texto.

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    A mulher que o denunciou trabalhava na Junta Missionária de Pinheiros, braço da denominação. Ela abriu um processo em maio de 2025 e topou encerrá-lo por meio de um acordo entre as partes. A IPP, em nota divulgada aos seus membros, reconheceu que o pastor enviou mensagens "inoportunas, inadequadas e infelizes" a ela.

    Disse ainda que o caso foi "apurado no ambiente eclesiástico" e que o pastor, depois de admitir "a inconveniência das mensagens" e pedir perdão, foi alvo de "medida disciplinar", sem especificar qual. Afirmou também que houve "acordo homologado pela Justiça do Trabalho, sem sentença de mérito e sem reconhecimento de prática de assédio" —essa frase em particular incomodou membros da igreja, que viram aí uma postura leniente com Casimiro.

    Até a publicação deste texto, não havia sido informado o período do afastamento, nem se a decisão é temporária ou definitiva. Também não estava esclarecido se o pastor continuará exercendo alguma função na igreja enquanto isso.

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    Segundo o relato apresentado pela ex-funcionária à Justiça do Trabalho, Casimiro ia diariamente até sua mesa de trabalho para abraçá-la, acompanhando gestos de elogio e piadas que ela considerava excessivos. Ele também teria feito comentários sobre sua aparência, sugerindo repetidamente que usasse maquiagem e roupas mais curtas para chamar mais atenção.

    Em uma ocasião, conforme depoimento da ex-funcionária reproduzido na ação, o pastor teria dito, diante de colegas de trabalho dela, que ainda se casaria com ela.

    As abordagens não se restringiriam ao ambiente de trabalho. Entre 2022 e 2024, Casimiro teria enviado mensagens pelo WhatsApp que começaram com pendências profissionais, mas evoluíam para perguntas pessoais que a deixavam desconfortável, especialmente em razão da posição hierárquica e religiosa que ele ocupava.

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    Em uma das conversas anexadas ao processo, a funcionária comunica ao pastor lançamentos financeiros previstos. Ele muda de assunto e diz que existem coisas que não consegue falar por mensagem, apenas pessoalmente e em particular.

    A mulher pergunta do que se trata. Casimiro responde: "O que sinto por você", e logo em seguida recua: "Esquece".

    Ela pergunta se ele gostaria de conversar por ligação e afirma não compreender o motivo da abordagem. O pastor sugere novamente uma conversa presencial.

    A ex-funcionária disse em depoimento que, em 15 de agosto de 2024, participou de uma reunião no gabinete pastoral para tratar do comportamento de Casimiro. Estavam presentes, além dos dois, a superiora imediata dela e um presbítero.

    Segundo o relato, o reverendo pediu desculpas e afirmou ter "caído num laço do inimigo". Disse que havia "invertido os papéis", pois enxergava a funcionária como uma filha, e afirmou que desejava ajudá-la financeiramente na compra de um apartamento.

    Ainda de acordo com o depoimento, Casimiro a abraçou e manifestou o desejo de que ela permanecesse trabalhando na Junta Missionária.

    A mulher, porém, pediu para ser demitida sem justa causa, de modo a receber a multa rescisória e os direitos trabalhistas correspondentes. O pedido foi atendido.

    Na ação, ela afirmou ter compreendido que as mensagens e o comportamento presencial do pastor não constituíam apenas assédio, mas também "abuso espiritual".

    A permanência do pastor no cargo passou a ser questionada no meio presbiteriano.

    A controvérsia se deu enquanto a própria IPB vinha discutindo mecanismos de controle sobre a exposição pública de conflitos internos. Em agosto, a cúpula presbiteriana havia aprovado uma resolução contra a chamada " maledicência digital ".

    O texto prevê sanções para quem levar supostos erros de lideranças ao "tribunal da internet". A resolução também faz referência à circulação de fofocas e "denúncias vazias" capazes de colocar a igreja em evidência.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/sob-pressao-pastor-presbiteriano-deixa-cargo-apos-acusacao-de-assedio.shtml.

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