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    'Só por uma Noite' fala com bom humor sobre amor e repressão sexual

    Injustamente consideradas um gênero menor, as comédias românticas por vezes rendem mais do que boas risadas e alguns suspiros. Além do entretenimento de vida curta, podem trazer, por exemplo, visões sagazes do amor de seu tempo . Leia mais (08/19/2026 - 13h00)

    Folha de S.Paulo
    19 de agosto de 2026 às 16:00
    'Só por uma Noite' fala com bom humor sobre amor e repressão sexual
    Mulher e homem se inclinam para fora das janelas de dois carros pretos estacionados lado a lado à noite. Ao fundo, prédios altos iluminados com luzes coloridas destacam-se contra o céu escuro. — Foto: Folha de S.Paulo

    Expressa juízo de valor sobre a obra cultural comentada e destaca seus elementos positivos e negativos

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    Monica Barbarao e Callum Turner em cena de 'Só por uma Noite' - Universal Pictures/Divulgação · Universal Pictures/Divulgação
    Monica Barbarao e Callum Turner em cena de 'Só por uma Noite' - Universal Pictures/Divulgação · Universal Pictures/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Injustamente consideradas um gênero menor, as comédias românticas por vezes rendem mais do que boas risadas e alguns suspiros. Além do entretenimento de vida curta, podem trazer, por exemplo, visões sagazes do amor de seu tempo .

    "Só por uma Noite", de Will Gluck, não tem vocação para se tornar um clássico da categoria. Ainda assim, vale o ingresso, a começar por sua premissa. Num futuro nem tão distante, o sexo antes do casamento foi banido dos Estados Unidos por obra de um governo fascista. Biossensores fazem o controle, impossível de ser burlado, sob pena de prisão. A proibição, porém, é suspensa temporariamente uma noite por ano, no verão. Ocasião perfeita para roupas curtíssimas e decotadas, paqueras ostensivas, quebra no estoque de camisinhas, amassos prolongados nas ruas, no metrô, nos bares, em casa.

    Numa Nova York ensolarada, acompanhamos Allie, papel de Monica Barbaro, e Owen, vivido por Callum Turner, por pouco mais de 12 horas. Cantora de jingles promocionais, ela está solteira e quer encontrar um parceiro para transar, mas não só. Dono de pizzaria, ele se prepara para pedir a namorada, encarnada por Maya Hawke, de "Stranger Things" , em casamento num restaurante japonês da moda, mas recebe a notícia de que a agora ex-noiva prefere transar com o vizinho gato.

    Veja cenas de 'Só por uma Noite'
    Veja cenas de 'Só por uma Noite' — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Allie e Owen não se conhecem, mas, como costuma acontecer nos longas do gênero, passam a noite se esbarrando nas mais esdrúxulas circunstâncias. Não é preciso ser especialista para adivinhar, já nos primeiros minutos, que ficarão juntos. De fato, não é o suspense nem a surpresa que fazem o charme do filme.

    O roteiro, irregular, tem lances hilários e comoventes, mas algumas fraquezas. A masturbação também é proibida? Por que o amor hétero é tão preponderante? Há ainda alguns deslizes de continuidade e incongruências.

    Mais interessante, no fim das contas, é o comentário que a história traz sobre o lugar do sexo e do romance no mundo em que vivemos, marcado por conservadorismo, excesso de telas, solidão, ghosting. É difícil ver o filme sem lembrar das estatísticas que indicam que os jovens de hoje transam com menor frequência do que no passado.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em "Imaginação da Catástrofe", célebre ensaio publicado nos anos 1960, Susan Sontag explica que filmes ambientados no futuro costumam expressar medos e desejos reais do presente.

    Nessa perspectiva, "Só por uma Noite" parece tentar reencantar o sexo, a paquera e o desejo. O roteiro produz esse efeito, embora sob uma mensagem de fundo conservador, como é típico do gênero: o final das comédias românticas costuma conduzir a um restabelecimento da ordem, com cada um encontrando seu cada qual, num apogeu que não raro leva ao casamento.

    Ainda que os políticos sejam criticados pela lei tão radical e sem sentido, não há sinais de uma revolta e, nesse mundo distópico, o casamento é, curiosamente, o melhor horizonte de sexo livre.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Trata-se de uma comédia romântica simpática, nem tão engraçada ou tão romântica quanto os memoráveis roteiros de Nora Ephron, como " Harry e Sally ", de 1989.

    Os atores são bons –Barbaro está cotada para o Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu papel no filme biográfico sobre Bob Dylan –, mas sem o brilho de estrelas do gênero, como Julia Roberts ou Meg Ryan.

    Ainda assim, é garantia de diversão, algum romantismo e talvez a alegria de viver em um mundo em que não é crime transar de vez em quando.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/so-por-uma-noite-fala-com-bom-humor-sobre-amor-e-repressao-sexual.shtml.

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    Monica Barbarao e Callum Turner em cena de 'Só por uma Noite' - Universal Pictures/Divulgação · Universal Pictures/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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