“Sintonia da Baixada”: entenda como funciona o núcleo do PCC no litoral
Estrutura é uma das nove principais “Sintonias” que compõem a organização criminosa, responsável por coordenar o tráfico de drogas na região

Considerada um dos principais braços financeiros do PCC (Primeiro Comando da Capital) no país, a chamada “Sintonia da Baixada” é responsável por coordenar os interesses da facção no litoral paulista , atuando diretamente com o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro da região.
A estrutura é uma das nove principais “Sintonias” que compõem a organização criminosa que, hoje, reúne mais de 40 mil integrantes espalhados pelo Brasil .
I nvestigações conduzidas pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) apontam que a arrecadação do grupo decorrente do tráfico de drogas na Baixada Santista movimentava, semanalmente, valores superiores a R$ 2 milhões entre 2018 e 2019.

Wagner Rodrigo dos Santos, vulgo “Wa” ou “Branquinho”, é apontado como o líder da Sintonia da Baixada e pertencente à cúpula do PCC. De acordo com a investigação, a qual a CNN Brasil obteve acesso, Branquinho atua na comercialização de drogas e remessa de valores para o setor financeiro da facção, o chamado “Setor do Arame”.
Entenda: “Braço” financeiro do PCC teria movimentado US$ 13 milhões no litoral de SP
Segundo os autos, ele teria transferido, no período entre 2018 e 2019, remessas de US$ 13 milhões para os cofres da facção , provenientes do comércio ilícito de entorpecentes.

O comando atual na região , conforme a investigação, envolve ainda uma articulação entre membros da cúpula como Wagner e Gilvan Barbosa, o “Geléia”, além das funções de apoio que contam com nomes como William Nascimento Boaventura, vulgo “Bel” ou “Bolacha”, para suprir a ausência de líderes transferidos.
O narcotráfico ligado ao Primeiro Comando da Capital em São Paulo envolve esquemas complexos de distribuição de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro, com forte atuação dentro e fora do sistema prisional e ramificações internacionais .
Segundo o estudo “PCC, sistema prisional e gestão do novo mundo do crime no Brasil’ , publicado na Revista Brasileira de Segurança Pública , a presença internacional da facção se dá, sobretudo, no Paraguai e na Bolívia.

Países como o Peru e Argentina também passaram a ser pontos de exportação, distribuição e produção das drogas, mantendo uma relação crescente com a organização criminosa. Nos últimos anos, a expansão internacional da facção ganhou ainda mais força, com registros de transações em países da Europa.
Os autores da obra, os pesquisadores Bruno Paes Manso e Camila Nunes Dias, apontam que o PCC utiliza os portos de Santos, no litoral de São Paulo, e de Fortaleza, no Ceará, para vender para o exterior.
As sintonias são células dentro da engrenagem da organização, responsáveis por diferentes setores e funções. Com a expansão da facção, ao menos nove diferentes sintonias atuam em nome do PCC.

A expansão internacional , a infiltração no poder público e a sofisticação das táticas financeiras são as maiores preocupações das autoridades para frear o crescimento da facção.
Investigações já revelaram nos últimos anos a utilização do setor de combustíveis para a lavagem de dinheiro , o elo de integrantes do PCC com agentes das polícias Civil e Militar paulistas e a relação com grandes grupos criminosos do exterior.
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Além da influência na Europa, principalmente na Itália e em Portugal, já existem informações de movimentação financeira da facção nos Estados Unidos, também importando fuzis do país por meio do Paraguai — conhecida porta de entrada no Brasil do tráfico de armas e drogas da facção por ser uma região de Tríplice Fronteira.
Entenda : Como funciona a expansão internacional do PCC
O Ministério Público de São Paulo elaborou por anos um novo organograma do PCC , que revelou a estrutura geral da facção , mostrando suas “sintonias” e a dimensão da organização criminosa que está espelhada em 28 países.

Investigadores afirmam que o PCC passou por uma “mutação” ao longo dos anos, saindo do sistema prisional e se organizando como uma verdadeira empresa, com movimentações no mercado formal, participação de advogados e infiltração no poder público .
De acordo com o organograma, a facção está dividida em nove principais células que possuem diversos subgrupos, evidenciando a influência em todo o território paulista, com destaque para a capital e a Baixada Santista , assim como em todo o país e no exterior.
Fundada em agosto de 1993, a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) surgiu sob a premissa de “Paz, Justiça, Liberdade, Igualdade e União” na Casa de Custódia de Taubaté, em São Paulo.

À época, o grupo se rebelou após o massacre de 111 detentos no ano anterior, episódio que ficou conhecido como o Massacre do Carandiru. A ação ocorreu durante uma ação da Polícia Militar no complexo prisional da região e motivou a revolta dos detentos naquele ano.
Com o passar do tempo, a facção entrou em uma crescente e se expandeu para além do sistema carcerário. Hoje, o PCC é apontado pelas autoridades como a maior organização criminosa do Brasil , com atuação em diversos estados e ligação com rotas internacionais de tráfico de drogas.
Nos primeiros anos, o PCC atuava principalmente dentro dos presídios paulistas, organizando rebeliões, impondo regras internas e ampliando influência entre detentos. No entanto, ao longo dos anos, a organização passou a expandir suas atividades para fora das cadeias , entrando em crimes como tráfico de drogas, roubos, lavagem de dinheiro e fraudes.

A facção ganhou notoriedade nacional em 2001, após coordenar uma série de rebeliões simultâneas em presídios de São Paulo . Em 2006, voltou ao centro das atenções ao promover ataques contra policiais, ônibus, delegacias e prédios públicos no estado, em uma das maiores crises de segurança pública da história paulista .
Os chamados Crimes de Maio completaram 20 anos com um “saldo” de 564 mortos, 110 feridos e nenhuma solução.
Novo organograma do PCC mostra “sintonias” e dimensão da facção; veja



Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/sintonia-da-baixada-entenda-como-funciona-o-nucleo-do-pcc-no-litoral/.

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