Política

    Sinafut critica poder de fundos de investimento no futebol

    Entidade lançou vídeo-manifesto contra acordos como os da FFU; Sports Media Entertainment diz que prazo contratual sustenta investimento de longo prazo

    Poder360
    18 de agosto de 2026 às 19:34
    Sinafut critica poder de fundos de investimento no futebol
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    Entidade lançou vídeo-manifesto contra acordos como os da FFU; Sports Media Entertainment diz que prazo contratual sustenta investimento de longo prazo

    O Sinafut (Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional) e suas entidades estaduais de administração e ligas divulgaram, na 6ª feira (14.ago.2026), um vídeo-manifesto em que criticam contratos como os firmados no âmbito da FFU (Futebol Forte União), por transferirem a agentes financeiros externos o controle sobre receitas, decisões estratégicas e ativos de clubes brasileiros por prazos de até 50 anos.

    Em nota, a entidade afirmou que não é contra a entrada de capital privado no futebol, mas contra a transferência de poder de decisão para investidores externos. Em julho, o sindicato acionou o TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios) contra a Sports Media Entertainment , sócia da FFU, e a Opea Securitizadora , empresa que fez a emissão dos títulos das dívidas.

    Para o Sinafut, investidores podem oferecer recursos, crédito e soluções comerciais, desde que isso não implique a cessão de poder decisório sobre questões que pertencem às instituições esportivas
    Para o Sinafut, investidores podem oferecer recursos, crédito e soluções comerciais, desde que isso não implique a cessão de poder decisório sobre questões que pertencem às instituições esportivas — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Na ação civil pública, o Sinafut afirma que o acordo viola a Lei Geral do Esporte , que permite a negociação desses direitos só para organizações esportivas, e não para investidores fora do Sistema Nacional do Esporte.

    Para o Sinafut, investidores podem oferecer recursos, crédito e soluções comerciais, desde que isso não implique a cessão de poder decisório sobre questões que pertencem às instituições esportivas.

    O ponto central da crítica é uma cláusula contratual que exige 90% de aprovação para determinadas deliberações. Na prática, segundo o Sinafut, o mecanismo permite ao investidor, que detém só 20% dos direitos, bloquear qualquer mudança relevante no contrato, mantendo os clubes vinculados a seus termos enquanto os direitos comerciais são explorados por 5 décadas.

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    O sindicato traçou um paralelo com a polêmica proposta da Fifa para criar uma empresa que comercializaria os direitos da Copa do Mundo , com possibilidade de venda de até 20% das cotas a investidores privados.

    A iniciativa foi abandonada dias depois de causar forte reação de entidades como a Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) e a Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe), e também levou à renúncia de Carlos Cordeiro , assessor sênior e homem de confiança do presidente da Fifa, Gianni Infantino.

    Para o Sinafut, a diferença é que, ao menos naquele modelo, a Fifa manteria o controle, ao passo que os contratos criticados no Brasil fazem o inverso.

    No vídeo divulgado, a entidade recorre a uma analogia direta: “Quando você pede um empréstimo para comprar uma casa, o banco exige garantias. Os almoços de domingo não entram na negociação. As histórias da família não viram garantia. O futebol deveria ser igual, mas esses contratos estão entregando nossos clubes aos bancos por meio século”.

    O manifesto encerra com um apelo à autonomia do esporte: “O banco pode exigir garantias, mas jamais o controle. O futebol brasileiro é grande demais para ser decidido por letras miúdas.”

    Procurada pelo Poder360 , a Sports Media Entertainment afirmou que o prazo de 50 anos se refere à sociedade formada pelos clubes e pelo investidor e que a estrutura foi constituída em formato de condomínio, conforme proposta apresentada pelos próprios clubes, com assessoramento jurídico especializado.

    Segundo a empresa, o período dá sustentação a uma parceria e a um investimento de longo prazo no futebol brasileiro. A SME também disse que os direitos de transmissão são comercializados em ciclos. No atual, de 2025 a 2029, os direitos dos clubes da FFU na Série A foram negociados com Globo , Record , YouTube e Amazon .

    Leia a nota da Sports Media Entertainment na íntegra:

    “A SME (Sports Media Entertainment) esclarece 2 pontos importantes sobre o modelo construído com os clubes da FFU (Futebol Forte União):

    “A organização coletiva dos clubes permite ampliar o valor do produto futebol, atrair investimento de longo prazo e fortalecer a capacidade de negociação das equipes.

    “Os resultados já observados mostram essa evolução. De 2024 a 2025, a receita média dos clubes que integram o CFU (Condomínio Forte União) passou de R$ 95 milhões para R$ 140 milhões. A diferença entre o maior e o menor valor recebido caiu de 6,25 vezes para 1,98 vez. No mesmo período, o número de transmissões abertas e gratuitas passou de 92 para 178.

    “A Sports Media Entertainment informa que não fez empréstimo aos clubes nem recebeu garantias nas operações. O risco é todo dos investidores.

    “A SME participa da estrutura como investidora minoritária. O prazo de 50 anos oferece horizonte ao capital investido e convive com ciclos periódicos de comercialização dos direitos de transmissão e com a governança exercida pelos clubes” .

    Vídeo: Poder360 · Fonte: Poder360

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-sportsmkt/sinafut-critica-poder-de-fundos-de-investimento-no-futebol/.

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    Para o Sinafut, investidores podem oferecer recursos, crédito e soluções comerciais, desde que isso não implique a cessão de poder decisório sobre questões que pertencem às instituições esportivas — Foto: Poder360

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