Silveira sobre Enel SP: “O que a Aneel decidir, cumpriremos”
Recurso da distribuidora contra a abertura do processo irá a pauta da agência nesta terça (11); decisão pode manter, anular ou arquivar o procedimento

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta segunda-feira (10) que o governo federal cumprirá o que for decidido pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) no processo que pode levar à caducidade do contrato de concessão da Enel SP.
Em entrevista à CNN , Silveira disse que a posição da Aneel é aguardada "com serenidade" pelo ministério e garantiu que a pasta concordará com o encaminhamento proposto pela agência.
"O que a Aneel decidir, a União, por meio do Ministério de Minas e Energia, cumprirá. Nós vamos encontrar o melhor caminho para o povo de São Paulo", afirmou o ministro.

A agência volta a discutir o caso Enel SP em reunião de sua diretoria colegiada nesta terça-feira (11). Uma eventual recomendação de caducidade do contrato não precisa ser necessariamente seguida pelo ministério.
No passado, a Aneel já recomendou o fim das concessões da distribuidora CEA (Companhia de Eletricidade do Amapá) e de linhas da transmissão da MEZ, mas o ministério "segurou" uma decisão definitiva sobre o encerramento dos contratos.
Silveira falou ainda sobre a alternativa de uma troca de controle societário da Enel SP. Diversas empresas têm se demonstrado interesse em assumir o comando da concessão, que atende quase 9 milhões de unidades consumidoras na região metropolitana de São Paulo. A CPFL já se admitiu publicamente que é candidata à compra caso o grupo italiano decida negociá-lo.

De acordo com o ministro, uma troca de controle envolve o pagamento por ativos não amortizados da ordem de R$ 11 bilhões a R$ 12 bilhões, cuja responsabilidade terá de ser assumida pelo eventual novo controlador.
“A troca de controle acontecerá sob a responsabilidade da Aneel e a supervisão do Ministério de Minas e Energia. Também deverá seguir as regras estabelecidas na possível renovação da concessão e na modernização dos contratos de distribuição”, disse.
Se isso mesmo ocorrer, a operação passará, segundo o ministro, pelo crivo da Aneel, além das análises jurídicas e da AGU (Advocacia-Geral da União).

Durante a entrevista, Silveira também relembrou a renovação de 14 distribuidoras de energia feitas pelo governo em abril .
Na ocasião, foram incluídas na renovação as seguintes distribuidoras: CPFL Piratininga, EDP São Paulo, Equatorial Maranhão, RGE Sul, Energisa Paraíba, Energisa Mato Grosso do Sul, Equatorial Pará, Light, Neoenergia Coelba, CPFL Paulista, Energisa Mato Grosso, Energisa Sergipe, Neoenergia Cosern e Neoenergia Elektro.
"O presidente Lula deixou claro que a qualidade do serviço de distribuição precisa melhorar no Brasil. Quem ler os contratos de distribuição renovados por 30 anos verá que eles foram modernizados", afirmou.

Hoje, a Enel busca manter a concessão enquanto a Aneel conclui sua análise sobre o destino da distribuidora. Ao fim do processo, a agência poderá recomendar desde a assinatura de um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) até a caducidade da concessão.
A decisão final, no entanto, caberá ao MME (Ministério de Minas e Energia), que poderá acatar ou não a recomendação da agência reguladora. Caso a Enel opte por vender o ativo antes do desfecho do processo, um eventual comprador teria de considerar, além do valor de mercado da distribuidora, a recuperação dos investimentos já realizados pela companhia.
O processo de caducidade é o mecanismo previsto nos contratos de concessão para avaliar a perda do direito de uma empresa continuar prestando um serviço público.

No caso da Enel SP, a Aneel instaurou o procedimento após identificar indícios de falhas graves e recorrentes na distribuição de energia, como interrupções prolongadas no fornecimento, demora no atendimento de ocorrências e problemas no planejamento para eventos climáticos extremos.
Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/infra/silveira-sobre-enel-sp-o-que-a-aneel-decidir-cumpriremos/.

Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, dá entrevista ao CNN Money • Reprodução/CNN · • Reprodução/CNN — Foto: CNN Brasil
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