Shih tzu, pug e bulldogs: por que essas raças têm mais risco de dermatites
Como a pele dessas raças nasce frágil, a limpeza sem químicas fortes e a hidratação viram o principal escudo contra a dermatite

Cerca de 15% dos cães no mundo sofrem com a dermatite atópica devido a uma barreira cutânea que já nasce geneticamente mais frágil aos alérgenos, a depender da raça. A veterinária Kathia Soares explica que quando o responsável opta por um pet com histórico de sensibilidade na pele , caso de shih tzu, pug e bulldogs, o monitoramento deve ser preventivo, e não apenas nos momentos de crise.
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Feita com mais de 3 mil tutores e veterinários em 11 países, a pesquisa Perspectivas sobre Prurido Canino (MSD Saúde Animal) mostrou que a dermatite alérgica afeta a qualidade de vida de 39% dos cães e 31% das famílias. A condição já representa 27% de todas as consultas globais.

Raças populares como shih tzu, lhasa apso, golden retriever, labrador e pug lideram as estatísticas de atendimento clínico relacionados a problemas de pele. Embora cães sem raça definida (SRD) também sejam afetados pela condição crônica, essas linhagens específicas exigem atenção redobrada.
O alto índice acontece porque esses animais apresentam mutações que reduzem a produção de lipídeos e proteínas no corpo. Sem essa estrutura firme, a pele do bicho funciona como uma peneira, facilitando a perda de água e a entrada de pólen, ácaros e poeira no organismo.
No caso dos cachorros braquicefálicos, como os bulldogs franceses e os bulldogs ingleses, as dobras na pele pioram o quadro de dermatite . Elas aumentam a umidade e o calor na pele, criando o cenário ideal para inflamações e infecções causadas por fungos e bactérias.

Segundo a especialista, a herança genética dita o comportamento da pele, mas as crises severas costumam ser engatilhadas dentro de casa. “Espaços com pouca ventilação, excesso de poeira e alta umidade favorecem a proliferação de ácaros que penetram facilmente a barreira cutânea já fragilizada” , detalha Kathia.
Sabendo da deficiência natural da proteção, os cuidados exigem que o responsável avalie itens do ambiente doméstico que acumulam sujeira, como carpetes, cortinas pesadas e caminhas com enchimento difícil de higienizar.
Além de evitar a poeira, os produtos químicos usados na limpeza da casa demandam cautela diária para não irritar as patas e o focinho. Sobre o uso de produtos de limpeza , a orientação da especialista é clara: “O importante é removê-los por completo do ambiente em que o animal ficará”.

Manter a higiene em dia é indispensável, pois os cães atópicos precisam de banhos frequentes com produtos específicos para remover os alérgenos dos pelos. Essa limpeza exige hidratação veterinária profunda para tentar repor a barreira que a genética não forneceu.
A prevenção contra parasitas impede que novas alergias alimentem a dermatite. Uma única picada de pulga ou carrapato já é suficiente para desencadear um processo inflamatório generalizado em uma pele sensível.
Para finalizar, a limpeza do ambiente precisa focar na qualidade do ar e dos tecidos. O uso de aspiradores de pó com filtros eficientes e a lavagem dos cobertores do pet com sabão neutro diminuem o contato com os microrganismos gatilhos.






Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/e-o-bicho/shih-tzu-pug-e-bulldogs-por-que-essas-racas-tem-mais-risco-de-dermatites.

Magnific — Foto: Metrópoles
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