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    Seus órgãos podem ter idades diferentes da sua, aponta estudo

    Estudo analisou órgãos de 983 pessoas e mostra que partes do corpo podem apresentar idade biológica maior ou menor que a idade cronológica

    Metrópoles
    16 de agosto de 2026 às 15:12
    Seus órgãos podem ter idades diferentes da sua, aponta estudo
    Foto: Metrópoles

    A idade registrada na certidão de nascimento não conta toda a história sobre o envelhecimento do corpo. Um estudo publicado na última sexta-feira (14/8), na revista científica Nature Medicine , mostra que diferentes órgãos e tecidos de uma mesma pessoa podem envelhecer em ritmos distintos.

    Isso significa que alguém com 50 anos, por exemplo, pode apresentar tecidos com características compatíveis com uma idade biológica maior ou menor. Os pesquisadores chegaram à conclusão após desenvolverem “relógios dos tecidos” , modelos capazes de estimar a idade biológica a partir de alterações microscópicas provocadas pelo envelhecimento.

    A pesquisa avaliou 25.712 imagens histopatológicas de 40 tipos de tecidos de 983 pessoas. Com inteligência artificial, os cientistas identificaram características relacionadas à idade e compararam a estimativa obtida com a idade cronológica de cada indivíduo.

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    Magnific — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Os modelos apresentaram erro absoluto médio de 4,88 anos na estimativa da idade. A diferença entre a idade prevista pelo tecido e a idade cronológica foi chamada pelos pesquisadores de “lacuna de idade”.

    Quanto maior a lacuna positiva, mais envelhecido o tecido aparentava estar em relação à idade da pessoa. Os pesquisadores identificaram indivíduos com envelhecimento acelerado em vários tecidos e outros nos quais apenas determinados órgãos apresentavam uma idade biológica maior.

    Entre as principais alterações associadas ao envelhecimento estavam atrofia dos tecidos, fibrose, redução de pequenos vasos sanguíneos e menor proliferação de células epiteliais. Os tecidos biologicamente mais velhos também apresentaram associação com telômeros mais curtos e maior presença de alterações patológicas.

    Foto colorida de mulher segurando um boneco com forma humana que mostra todos seus órgãos internos - Matéria metrópoles.
    Foto colorida de mulher segurando um boneco com forma humana que mostra todos seus órgãos internos - Matéria metrópoles. — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O trabalho não determina uma idade padrão para cada órgão. Em vez disso, mostra quanto determinados tecidos podem estar biologicamente mais velhos ou mais jovens em relação à idade cronológica de cada pessoa.

    As associações não significam que uma doença necessariamente provoque o envelhecimento acelerado do órgão. Parte das análises envolvendo doenças, características demográficas e estilo de vida foi exploratória e não permite estabelecer relação direta de causa e efeito.

    Os cientistas também testaram uma estratégia para estimar o envelhecimento específico dos tecidos a partir de informações de expressão gênica encontradas no sangue. A proposta abre caminho para que, futuramente , métodos menos invasivos possam ajudar a acompanhar o envelhecimento de diferentes órgãos.

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    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Por enquanto, os “relógios dos tecidos” são uma ferramenta de pesquisa e não funcionam como um exame disponível para descobrir a idade de cada órgão. A análise depende de amostras de tecidos e ainda precisa ser validada em populações maiores e mais diversas.

    Os resultados reforçam, porém, que envelhecer não é um processo uniforme. Dentro de uma mesma pessoa, diferentes partes do organismo podem acumular sinais de envelhecimento em velocidades distintas, informação que pode ajudar pesquisadores a compreender melhor a relação entre idade, funcionamento dos órgãos e desenvolvimento de doenças.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/seus-orgaos-podem-ter-idades-diferentes-da-sua-aponta-estudo.

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