Seul acusa Ucrânia de violar acordo de sigilo sobre soldados da Coreia do Norte
Uma crise diplomática extraordinária eclodiu entre a Coreia do Sul e a Ucrânia depois que Seul acusou Kiev de violar um acordo de sigilo sobre o destino de soldados norte-coreanos capturados. Leia mais (09/28/2026 - 10h57)

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Uma crise diplomática extraordinária eclodiu entre a Coreia do Sul e a Ucrânia depois que Seul acusou Kiev de violar um acordo de sigilo sobre o destino de soldados norte-coreanos capturados.

A disputa foi desencadeada pelo discurso do presidente da Ucrânia , Volodimir Zelenski , na Assembleia Geral da ONU , em Nova York, na semana passada, quando ele revelou que dois soldados da Coreia do Norte capturados na Rússia haviam sido enviados à Coreia do Sul .
Na noite deste domingo (27), Sung Ki-hong, secretário presidencial sênior da Coreia do Sul, manifestou "profundo pesar" pela decisão da Ucrânia de tornar pública a transferência de forma "unilateral e repentina".
Ele afirmou que a Ucrânia havia solicitado que a transferência fosse mantida em sigilo, o que Seul aceitou devido à sensibilidade do assunto. " Exigimos uma explicação oficial e um pedido de desculpas", acrescentou.

Nesta segunda-feira (28), a Coreia do Sul convocou o representante da Ucrânia em Seul para expressar "sérias preocupações" com a revelação.
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"O primeiro vice-ministro das Relações Exteriores, Park Yoon-joo, convocou Andrii Vieshkin, encarregado de negócios da Embaixada da Ucrânia na Coreia do Sul [...] e transmitiu as sérias preocupações do governo em relação à transferência dos prisioneiros de guerra norte-coreanos", informou o Ministério das Relações Exteriores em comunicado.

Dmytro Lytvyn, assessor de comunicação de Zelenski, negou as acusações da Coreia do Sul, escrevendo no Facebook que "não houve tal acordo".
O episódio criou uma cisão entre a Coreia do Sul e a Ucrânia, apesar do interesse comum de ambos os países em conter a parceria militar da Coreia do Norte com a Rússia.
Kiev tentou obter armas da Coreia do Sul —um dos maiores fabricantes de armamentos do mundo—, além dos tão necessários mísseis interceptadores Patriot, de fabricação americana, mas Seul se recusou, citando sua política de fornecer apenas ajuda humanitária a zonas de guerra ativas.

No mês passado, a Coreia do Sul também realizou uma viagem de teste pela Rota Marítima do Norte, no Ártico, que exige a cooperação de Moscou.
Os dois soldados norte-coreanos ficaram feridos e foram capturados na região russa de Kursk em janeiro de 2025.
Os serviços de inteligência ucranianos estimam que cerca de 50 mil militares norte-coreanos tenham sido enviados para lutar por Moscou, juntamente com mísseis balísticos e sistemas de artilharia pesada.

A dupla é formada pelos únicos soldados norte-coreanos que, até onde se sabe, sobreviveram à captura, e ambos manifestaram o desejo de ir para a Coreia do Sul quando foram entrevistados pela imprensa sul-coreana.
Em julho, Coreia do Sul e Ucrânia concordaram em tratar os prisioneiros "de maneira compatível com o direito internacional e os princípios humanitários, respeitando ao mesmo tempo a livre vontade dos indivíduos envolvidos", segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores sul-coreano.
Uma autoridade ucraniana de alto escalão a par do assunto afirmou que a transferência foi discutida longamente durante uma reunião de ministros das Relações Exteriores em junho, mas que "não houve acordo" em nível presidencial para não divulgar a transferência dos prisioneiros.

A autoridade ucraniana disse ser " estranho esperar que pudéssemos esconder a história depois de eles terem falado sobre isso durante todo o verão".
A embaixada da Ucrânia em Seul não respondeu a um pedido de comentário.
Na Coreia do Norte, as famílias de desertores ou de pessoas consideradas traidoras pelo regime podem sofrer punições coletivas, como confinamento ou trabalho forçado.

"Do ponto de vista dos direitos humanos, a Ucrânia causou muitos danos ao bem-estar desses soldados e de suas famílias", afirmou Peter Ward, pesquisador do Instituto Sejong.
"A imprensa sul-coreana provavelmente jamais deveria ter tido acesso a eles. O ideal seria que a captura tivesse sido mantida em segredo para sempre."
A crise também criou um problema político interno para o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, que tem buscado adotar um tom mais conciliador com Pyongyang e vem sendo acusado de apaziguar o regime.

Jeong Jeom-sig, líder da bancada do oposicionista Partido do Poder Popular, acusou Lee, na semana passada, de ter medo de desagradar o líder norte-coreano Kim Jong Un e de "implorar [a Pyongyang] por uma paz de fachada".
Este texto foi publicado originalmente, em inglês, no site do Financial Times.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/seul-acusa-ucrania-de-violar-acordo-de-sigilo-sobre-soldados-da-coreia-do-norte.shtml.

O parlamentar Yu Yong-weon, do partido opositor PPP, mostra fotografias de prisioneiros norte-coreanos transferidos da Ucrânia para a Coreia do Sul - Kim Hong-Ji/REUTERS · Kim Hong-Ji/REUTERS — Foto: Folha de S.Paulo
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