Setor de serviços do Brasil fica estável em julho e frustra expectativas
O volume de serviços no Brasil ficou estável em julho na comparação com junho e iniciou o terceiro trimestre com um desempenho abaixo do esperado, em mais um sinal de desaceleração da atividade econômica. Leia mais (09/10/2026 - 11h18)

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O volume de serviços no Brasil ficou estável em julho na comparação com junho e iniciou o terceiro trimestre com um desempenho abaixo do esperado, em mais um sinal de desaceleração da atividade econômica.

Em julho, o volume de serviços teve avanço de 0,9% em relação ao mesmo mês de 2025, de acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (10).
Os resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters de altas de 0,2% na comparação mensal e de avanço de 1,1% na base anual.
Com isso, o setor de serviços está 0,2% abaixo do topo da série histórica, alcançado em outubro de 2025.

Os dados do IBGE mostram que, no mês de julho, a atividade de informação e comunicação foi a única a registrar recuo sobre o mês anterior, de 2,5%, devolvendo parte do crescimento acumulado entre abril e junho (3,3%).
Luiz Carlos Almeida, analista da pesquisa no IBGE, disse que a queda desse segmento, que ganhou peso na economia desde a pandemia, foi determinante para a estabilidade de serviços no mês. O setor representa quase um quarto da pesquisa mensal de serviços, segundo o IBGE.
"Essa queda não parece ser uma tendência, parece mais uma acomodação do setor de comunicação e informação", afirmou Almeida.

Por outro lado, apresentaram avanços as atividades de transportes (0,4%), profissionais, administrativos e complementares (0,6%), outros serviços (0,7%) e serviços prestados às famílias (0,5%).
O índice de atividades turísticas, por sua vez, apresentou expansão de 2,7% em julho frente ao mês anterior, recuperando parte da perda de 4% observada entre maio e junho. O índice está 3,8% abaixo do ápice da sua série histórica, alcançado em dezembro de 2024.
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"O que dá para dizer é que há uma lateralidade do setor de serviços, ele vai andando de lado desde o começo do ano. Isso está claro, mas não tem tendência de alta e baixa", analisou Almeida.
Dados do PIB divulgados no início do mês mostraram que o setor de serviços —que responde por cerca de 70% da economia do país— teve avanço de apenas 0,2% no segundo trimestre, após alta de 0,4% no primeiro, enquanto o consumo das famílias registrou a primeira retração em três trimestres, de 0,4%.
O mercado de trabalho aquecido e medidas do governo estimulam o consumo, mas a política monetária ainda restritiva vem pesando sobre a atividade. A taxa básica de juros Selic está atualmente em 14%.
"Os dados recentes de atividade são unânimes em indicar uma moderação do ritmo de crescimento da economia. Na nossa visão, esse movimento deve persistir pelos próximos meses, entrando em 2027, o que permitirá ao Copom seguir com os ajustes na Selic", avaliou André Valério, economista sênior do Inter.
O segundo semestre ainda deverá ser marcado pelas incertezas em relação às eleições presidenciais, em outubro.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/setor-de-servicos-do-brasil-fica-estavel-em-julho-e-frustra-expectativas.shtml.

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