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    Sessão do STF teve Cármen atônita, Mendonça em oração e gargalhadas na sala de lanches

    Gilmar manuseava um calhamaço impresso das mensagens apreendidas no celular de Daniel Vorcaro

    UOL
    16 de setembro de 2026 às 01:00
    Sessão do STF teve Cármen atônita, Mendonça em oração e gargalhadas na sala de lanches
    Três pessoas vestindo roupas formais caminham lado a lado em corredor interno do Supremo Tribunal Federal, com parede de pedra ao fundo e cadeiras à direita. — Foto: UOL

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    De um lado do plenário do STF (Supremo Tribunal Federal), a ministra Cármen Lúcia apoiava o queixo nas duas mãos, às vezes a testa, sinalizando estar estupefata com uma sessão recheada de bate-boca e acusações mútuas e que colocou a corte no centro do debate público no auge da campanha eleitoral.

    Ministra Cármen Lúcia entra no plenário do STF - Gabriela Biló/Folhapress · Gabriela Biló/Folhapress
    Ministra Cármen Lúcia entra no plenário do STF - Gabriela Biló/Folhapress · Gabriela Biló/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Na frente dela, o decano do Supremo, ministro Gilmar Mendes , manuseava um calhamaço impresso das mensagens apreendidas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro , do Banco Master e preso na Operação Compliance Zero.

    As tensões que envolveram os grupos rivais do STF ao longo das últimas semanas se evidenciaram com a presença de pelo menos oito policiais no plenário, o que é incomum. Eles transitavam pelas cadeiras olhando para lá e para cá, como "lanterninhas" de cinema em busca de movimentações atípicas da plateia.

    Em estado de alerta e imiscuídos no meio dos presentes, agentes de segurança do Supremo chegaram a chamar a atenção de uma pessoa que se utilizava de mímicas para se comunicar com outra à distância. Com a orientação era de silêncio absoluto, a plateia começou a trocar bilhetes.

    Sessão do STF analisa relação entre Moraes e Vorcaro, do Banco Master; veja fotos
    Sessão do STF analisa relação entre Moraes e Vorcaro, do Banco Master; veja fotos — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Na disposição das cadeiras do plenário, organizada por ordem de data de posse no STF, os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes , principais antagonistas da crise do Master e da atual correlação de forças da corte, sentam lado a lado.

    Enquanto o presidente da corte, Edson Fachin , lia o relatório do caso, eles não se olharam e nem tiveram qualquer tipo de interação. Depois que Fachin concluiu, a briga não tardou, com Moraes acusando Mendonça de plantar uma investigação contra ele no caso Master, e Mendonça o chamando de mentiroso.

    Enquanto não estava falando, Mendonça mantinha as mãos em forma de oração (ele é pastor evangélico na Igreja Presbiteriana do Brasil), batucava na mesa ou grifava seus documentos com uma marca-textos cor-de-rosa.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Já Moraes balançava a cadeira para a direita e para a esquerda, ora olhando para o teto, ora mexendo no celular, ora fazendo anotações nos autos físicos de que dispunha para o julgamento, com uma caneta esferográfica azul.

    A TV Justiça foi orientada a não filmar os embates diretos, mantendo a transmissão dos áudios, mas voltando seu foco a Fachin sempre que os bate-bocas se agravavam. No entanto, as pessoas presentes no plenário, cujos celulares foram lacrados, presenciaram muitos episódios de dedos em riste.

    No intervalo da sessão, por volta das 13h, Flávio Dino se aproximou de Fachin, fez um aceno de paz e disse ao presidente do STF que as duras críticas que havia feito à sua postura não eram de cunho pessoal.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Dino também conversou com Mendonça, a quem se opõe. De acordo com interlocutores de ambos, eles não entraram no mérito do que estava sendo julgado nesta terça, mas debateram os procedimentos adotados por Fachin.

    Quando a sessão voltou para o segundo round, por volta das 15h30, as críticas de Dino ao modo como o presidente do STF estava conduzindo a sessão se intensificaram, o que resultou no pedido de vista que interrompeu o julgamento .

    Logo em seguida, Dino se retirou e foi seguido por Gilmar. Ambos deram gargalhadas na sala de lanches, anexa ao plenário, depois voltaram para as suas respectivas cadeiras, onde seguiram acompanhando a sessão até o fim.

    Embora tenha reforçado a declaração de suspeição que fez em março em relação às investigações do Master, o ministro Dias Toffoli se manteve presente durante todo o julgamento, e várias vezes pressionava com os dedos a área entre as sobrancelhas. Por diversas ocasiões, cochichou com Gilmar.

    A despeito de terem enviado a Fachin um manifesto pela busca de uma solução para a crise, ex-presidentes do Supremo não compareceram à sessão, e seus lugares cativos no plenário acabaram vazios.

    Quando a sessão terminou, por volta das 18h20, Fachin —cujos ritos e procedimentos foram amplamente criticados pela ala favorável a Moraes— saiu do plenário ladeado por Cármen e por Luiz Fux, que lhe prestaram apoio. Da sala de lanches, para onde todos se dirigiram, mais gargalhadas ecoaram.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/sessao-do-stf-teve-carmen-atonita-mendonca-em-oracao-e-gargalhadas-na-sala-de-lanches.shtml.

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    Ministra Cármen Lúcia entra no plenário do STF - Gabriela Biló/Folhapress · Gabriela Biló/Folhapress — Foto: UOL

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