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    Sessão da 6x1 tem choro de senadores, lembrança de pai morto e bate-boca

    A sessão de análise da PEC (proposta de emenda à Constituição) pelo fim da escala 6x1 na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado Federal na manhã desta quarta-feira (2) teve choro, lembrança pai morto e bate-boca entre senadores. Leia mais (09/02/2026 - 14h43)

    Folha de S.Paulo
    2 de setembro de 2026 às 17:43
    Sessão da 6x1 tem choro de senadores, lembrança de pai morto e bate-boca
    Quatro homens sentados lado a lado em mesa de reunião. O homem mais próximo fala ao microfone com gesto de mão aberta, os outros observam atentamente. Todos vestem ternos e gravatas, ambiente interno com cortinas ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A sessão de análise da PEC (proposta de emenda à Constituição) pelo fim da escala 6x1 na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado Federal na manhã desta quarta-feira (2) teve choro, lembrança pai morto e bate-boca entre senadores.

    Os senadores Omar Aziz (PSD-AM), em destaque, relator da PEC que prevê o fim da escala 6x1, e Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ, durante debate na comissão nesta quarta (2) - Mateus Bonomi/Folhapress · Mateus Bonomi/Folhapress
    Os senadores Omar Aziz (PSD-AM), em destaque, relator da PEC que prevê o fim da escala 6x1, e Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ, durante debate na comissão nesta quarta (2) - Mateus Bonomi/Folhapress · Mateus Bonomi/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os senadores Paulo Paim (PT-RS) e Cleitinho (Republicanos-MG) —candidato ao governo de Minas— choraram. O primeiro ao lembrar que está encerrando sua carreira parlamentar e que iniciou a vida pública com a pauta da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais , e o segundo dizendo que o pai trabalhou na escala 6x1 a vida inteira.

    Houve ainda bate-boca entre os senadores e Otto Alencar ( PSD -BA), presidente da CCJ, Omar Aziz (PSD-AM), relator da PEC, e Rogério Marinho (PL-RN), que é contra a medida e tentou inviabilizar os debates.

    "Quem nunca trabalhou na 6x1 não pode falar nela. Vamos inverter? Colocar para trabalhar aqui no Senado, viver da escala 6x1, viver com R$ 1.600 por mês, pegar ônibus lotado... Quero aqui finalizar dizendo que vou votar 'sim' e dizendo que a espero que a gente coloque em plenário. Para ferrar com povo é 24 horas", disse

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    Atos do 1º de maio reúnem políticos governistas, pedidos de fim da 6x1 e críticas a Bolsonaro e Congresso — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Paim se emocionou ao lembrar que defende a redução da jornada há décadas. Disse ter sido retirado do colégio durante a Ditadura por defender pautas trabalhistas e, depois, trabalhado em fábricas, conheceu a reivindicação pela redução das horas de trabalho.

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    O senador lembrou a Constituinte de 1988, quando a jornada semanal caiu de 48 para 44 horas, e afirmou que a proposta atual representa a continuidade dessa história. "Meu último momento aqui, estou indo para casa", disse, em tom emocionado. Ele afirmou que gostaria de levar consigo a aprovação da jornada de 40 horas, apelando para senadores do centrão votarem a favor.

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    Para o senador, argumentos de que a redução provocará inflação e desemprego já foram usados no passado e não se confirmaram. "Nós estamos, nesse momento, escrevendo história", afirmou.

    Cleitinho também recorreu a uma lembrança pessoal para defender a PEC. Disse que trabalhou durante toda a vida na escala 6x1, assim como seu pai, e criticou a distância entre a realidade dos trabalhadores e a rotina do Congresso. Ao anunciar que votaria a favor da proposta, afirmou que sua posição não tem relação com esquerda ou direita, já que faz parte da oposição.

    O senador contou que seu pai "nunca teve uma folga na vida" e disse esperar poder lhe dar, simbolicamente, descanso e dignidade. "Pai, vou conseguir te dar descanso e dignidade", afirmou, em lágrimas.

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    Otto Alencar abriu a sessão da CCJ às 9h elogiando Paim. Disse que o senador gaúcho representa uma tradição trabalhista desde as eras de Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola. Durante a sessão, defendeu que o Senado avance na discussão, dizendo que a Casa já aprovou pautas em 12 horas quando houve vontade política.

    O relator da PEC, Omar Aziz, disse a redução de 44 para 40 horas não rompe com a Constituição, mas atualiza uma demanda que não muda há 38 anos. Para ele, a mudança também envolve saúde mental. "Essa PEC é mais do que se tratar de jornada de trabalho, é uma PEC da empatia." vo

    Após falar sobre empatia durante a leitura de seu relatório, disse que estava rejeitando todas as emendas. E avisou o senador Rogério Marinho, que havia apresentando a última pela manhã, durante a sessão. "Ao menos estou sendo sincero com vossa excelência", disse a Aziz a Marinho.

    O senador do PL acusou então o Senado de cercear o debate e afirmou que a proposta pode provocar inflação, desemprego e aumento da informalidade. Segundo ele, a realidade do mercado de trabalho não pode ser alterada apenas "pela caneta". Também criticou o governo Lula e disse que a PEC teria impacto sobre custos de produtos e serviços.

    Aziz rebateu Marinho e defendeu a negociação coletiva, dizendo que negociação individual era "assédio ao trabalhador", e Otto interferiu, afirmando a Marinho que a acusação de cerceamento não se sustentava porque o senador não o havia procurado para oferecer antes outra PEC que deveria ser juntada à já existente.

    Em outro momento, Marinho acusou o relator de dizer que trabalhadores que recebem por hora seriam tratados como escravos. Aziz respondeu que, nos Estados Unidos, imigrantes latinos realizam muitos trabalhos braçais. O bate-boca prosseguiu, com Marinho. "Estude mais, que errou", disse ele.

    Após quatro horas e meia de discursos, os senadores fizeram uma pausa. A PEC pelo fim da escala 6x1 reduz a jornada de trabalho de 44 horas semanais para 42 horas em 60 dias após sua aprovação, e para 40 horas, 12 meses depois, em 2027.

    Além disso, cria a escala 5x2 para todos os trabalhadores, sem redução de salário. Para passar a valer, precisa ainda ser aprovada na CCJ do Senado e no plenário, em duas sessões, com 49 votos dos 81 senadores.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/sessao-da-6x1-tem-choro-de-senadores-lembranca-de-pai-morto-e-bate-boca.shtml.

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    Os senadores Omar Aziz (PSD-AM), em destaque, relator da PEC que prevê o fim da escala 6x1, e Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ, durante debate na comissão nesta quarta (2) - Mateus Bonomi/Folhapress · Mateus Bonomi/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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