Servidores que ajudaram Vorcaro assinam pareceres do BC enviados ao MP
Em julho de 2025, Banco Central comunicou ao Ministério Público Federal ter identificado indícios de crime de gestão fraudulenta pelo Master e BRB

O BC (Banco Central) comunicou ao Ministério Público Federal em julho de 2025 ter identificado indícios de crime de gestão fraudulenta em operações financeiras realizadas entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília). Na petição, a Procuradoria-Geral da autoridade monetária inclui uma série de processos assinados por Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza.
Os dois servidores do Banco Central atuavam no Departamento de Supervisão Bancária. Como funcionários da autoridade monetária, eles analisaram processos e despachos envolvendo a venda de carteiras de crédito fraudulentas do Master ao banco regional.
O Banco Central identificou que o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Banco Master após a compra de créditos, que seriam fraudulentos, de uma empresa chamada Tirreno. Para a autoridade monetária, as irregularidades contábeis foram executadas de forma consciente pelos envolvidos.

“Não se trata de condutas negligentes dos administradores da instituição financeira, mas, sim, de atos conscientemente realizados com o desprezo às regras norteadoras da gestão de qualquer instituição financeira que objetivam a preservação dos seus interesses, dos seus acionistas e de seus investidores”, disse a Procuradoria-Geral ao Ministério Público.
A investigação da Polícia Federal mostra que Paulo Sérgio e Belline Santana prestavam uma espécie de consultoria informal a Daniel Vorcaro em troca de vantagens indevidas.
Os ex-servidores só foram afastados da autarquia no fim de 2025, depois que uma auditoria interna do Banco Central identificou as irregularidades. Em nota, a autarquia supervisora informou que identificou indícios de percepção de vantagens indevidas.

Segundo a Polícia Federal, Paulo Sérgio Neves de Souza manipulava documentos oficiais para beneficiar o Banco Master. Ele revisava as minutas que eram encaminhadas pela instituição financeira ao Banco Central, sugerindo alterações no documentos antes de serem protocolados em seu próprio departamento.
Em 2025, segundo a investigação, Paulo Sérgio analisou um documento intitulado “Ofício Banco Master ao FGC”, enviado por Vorcaro, e sugeriu a alteração de um dos parágrafos.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que Belline opinou em como Vorcaro poderia melhorar a minuta que apresentou ao BC no caso das negociações entre o BRB.

Em troca dos serviços paralelos, Daniel Vorcaro pagava até R$ 760 mil por mês a Belline Santana . O ex-chefe de supervisão do Banco Central também recebeu R$ 3,8 milhões do banqueiro entre outubro de 2023 e dezembro de 2025, por sua participação em um projeto de capacitação de jovens periféricos chamado “Jovens Potentes”.
A Polícia Federal constatou que o ex-banqueiro também viabilizou uma viagem à Disney para Paulo Sérgio Neves de Souza. A partir da análise do conteúdo extraído do celular de Vorcaro, a PF apurou que o então servidor enviou seu roteiro de viagem ao dono do Banco Master.
A CNN entrou em contato com as defesas de Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, mas não obteve retorno.

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Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/servidores-que-ajudaram-vorcaro-assinam-pareceres-do-bc-enviados-ao-mp/.

O logotipo do Banco Central do Brasil é visto em sua sede, em Brasília • , Brasil, em 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Adriano Machado · • , Brasil, em 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Adriano Machado — Foto: CNN Brasil
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