Economia

    Sentimento de empresários e investidores cai para patamar de pessimismo extremo

    Comércio varejista (Foto: Charles de Moura/PMSJC) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2020/12/PMC_HOME_Charles-de-Moura-PMSJC.jpg?fit=875%2C485&quality=70&strip=all" />Conferência da XP no Rio reuniu 106 empresas e cerca de 500 investidores, e expôs preocupação generalizada com desaceleração da atividade, endividamento e avanço da inadimplência The post Sentimento de empresários e investidores cai para patamar de pessimismo extremo appeared first on InfoMoney .

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    22 de agosto de 2026 às 08:00
    Sentimento de empresários e investidores cai para patamar de pessimismo extremo
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    Comércio varejista (Foto: Charles de Moura/PMSJC)

    O empresariado brasileiro está em clima de pessimismo acentuado. Essa é a avaliação da XP após reunir 106 empresas e cerca de 500 investidores em mais de 700 reuniões na terceira edição da Brazil CEO Conference, realizada nesta semana no Rio de Janeiro. Segundo a casa, o encontro revelou um sentimento deprimido não apenas entre gestores, mas também entre os próprios executivos. Resultado: o indicador proprietário de sentimento da XP voltou a níveis de pessimismo extremo, patamar que historicamente funcionou como forte indicador contrário.

    Três preocupações concentraram as conversas. A primeira é o estado da economia brasileira, que aparenta desacelerar em ritmo mais rápido do que o esperado. A segunda são os riscos do mercado de crédito diante da alta da inadimplência, com empresas e famílias em situação financeira apertada enquanto os juros seguem elevados. A terceira envolve as eleições e a política fiscal à frente.

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    No varejo, a leitura foi de desaceleração generalizada do consumo, atribuída pelas companhias ao fluxo mais fraco de lojas durante a Copa do Mundo, às condições financeiras apertadas diante do alto endividamento, à concorrência das apostas online pelo orçamento das famílias e aos sinais de economia em arrefecimento. Os analistas Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer descreveram o clima como modo de alerta de recessão, com a preocupação sobre um eventual recuo da atividade em 2027 dominando as reuniões. A defensividade de cada modelo de negócio passou a ocupar o centro das apresentações.

    Mas nem todos os segmentos sofrem na mesma intensidade. Farmácias, plataformas online e shoppings reportaram números sólidos, enquanto vestuário e itens discricionários aparecem em situação bem mais desafiadora.

    A Lojas Renner ( LREN3 ) atribuiu à Copa o principal peso no recente corte de guidance, já que o desempenho seguiu dentro do orçamento até o começo de junho antes de o fim do mês e julho virarem entrave, o que levou a companhia a adotar perspectiva mais conservadora. Na C&A ( CEAB3 ), o tráfego ficou pressionado durante todo o período do torneio, e não apenas nos dias de jogos, com consumidores mais sensíveis a preço do que em maio e ambiente promocional mais pesado sobre os estoques de inverno. A varejista reduziu o capex para cerca de 7% das vendas, ante 8,5%.

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    Na contramão, o Magazine Luiza ( MGLU3 ) destacou ganhos de participação de mercado, com alta de 10% nas vendas de lojas físicas no segundo trimestre e tendências positivas em julho e agosto, além da oportunidade de capturar volume das 298 lojas fechadas pela Casas Bahia ( BHIA3 ). Mesmo no cenário restritivo, sua carteira de crédito passou de R$ 1,5 bilhão para R$ 2 bilhões em doze meses, com queda na inadimplência. Já a Smart Fit ( SMFT3 ) reforçou a disciplina na alocação de capital, com maior seletividade em projetos no topo da faixa de retorno de 35% a 40% sobre o caixa investido, em razão do cenário mais incerto.

    O segundo grande tema foi a piora do crédito. O Itaú ( ITUB4 ) reconheceu evidências crescentes de que a manutenção prolongada de juros altos começa a pressionar tomadores em todos os segmentos, mas ainda enxerga o quadro como compatível com um pouso suave, e não com deterioração acentuada da qualidade dos ativos. A concessão no varejo passou a exigir esforço substancialmente maior de cobrança e monitoramento para sustentar desempenho comparável.

    No Banco do Brasil ( BBAS3 ), a XP avalia que a qualidade dos ativos deve seguir como tema dominante até o fim de 2026, após a deterioração na carteira de pessoa física. Parcela relevante do aumento da inadimplência tem origem em produtores rurais, que parecem adiar pagamentos na expectativa de sucessivos pacotes de socorro. O Bradesco ( BBDC4 ), por sua vez, afirmou que os indicadores seguem sob controle, embora parte da pressão no segundo trimestre tenha vindo da carteira de capital de giro para pequenas e médias empresas, com o fim dos períodos de carência.

    A visão mais dura veio do BR Partners ( BRBI11 ), que argumentou que o período estendido de juros elevados deteriorou de forma significativa os fundamentos corporativos e do consumidor, com expectativa de aumento das situações de estresse financeiro nos próximos 12 a 18 meses. A inadimplência também apareceu como ponto de atenção nas distribuidoras de energia.

    Entre os pontos positivos, a XP destacou petróleo e gás e distribuição de combustíveis. Diante do sentimento e dos preços deprimidos, a corretora avalia que a assimetria parece inclinada para o lado positivo, ainda que reconheça os riscos de revisões de lucros para baixo e de volatilidade eleitoral à frente.

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    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/mercados/sentimento-de-empresarios-e-investidores-vai-ao-fundo-do-poco-aponta-xp/.

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