Política

    Senado pede entendimento de Lula com EUA antes de escalada comercial

    Comissão de Relações Exteriores quer que o governo avalie instrumentos para atingir "solução negociada" contra tarifas

    Poder360
    14 de agosto de 2026 às 16:50
    Senado pede entendimento de Lula com EUA antes de escalada comercial
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    Comissão de Relações Exteriores quer que o governo avalie instrumentos para atingir “solução negociada” contra tarifas

    O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, pediu nesta 6ª feira (14.ago.2026) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tente chegar a um “entendimento” com representantes norte-americanos antes de uma possível escalada comercial. O Brasil abriu, na 5ª feira (13.ago), o processo de reciprocidade contra as tarifas de 25% e 12,5% aplicadas pelos Estados Unidos.

    Trad disse apoiar a decisão do governo de acionar o processo da Lei da Reciprocidade Econômica, mas pediu que haja “diálogo até o limite e responsabilidade nas decisões” antes da adoção de contramedidas. Defendeu que o espaço aberto pelo processo seja utilizado para buscar uma solução negociada entre os 2 países.

    Nelsinho Trad apoia medida contra tarifas norte-americanas, mas defende tentativa de solução negociada
    Nelsinho Trad apoia medida contra tarifas norte-americanas, mas defende tentativa de solução negociada — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

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    “Sempre defendi que o primeiro caminho deve ser o diálogo. Ao mesmo tempo, não podemos abrir mão dos instrumentos legítimos que o próprio Congresso Nacional criou para proteger os interesses do Brasil quando necessário” , afirmou em nota.

    Trad confirmou que, em julho, encaminhou ao Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) um pedido de informações sobre a operacionalização da Lei da Reciprocidade.

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    Em nota, o Planalto afirmou que o Brasil atuou “consistentemente junto ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301” . Eis a íntegra (PDF – 150 kB).

    O Ministério das Relações Exteriores notificará o governo norte-americano sobre o início do processo e solicitará a realização de consultas diplomáticas. Segundo a nota, essas consultas visam a “mitigar ou anular os efeitos das medidas e das contramedidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, reforçam a disposição do governo brasileiro de privilegiar o diálogo e a negociação em suas relações internacionais”.

    Em 15 de julho, o USTR anunciou um tarifaço de 25% contra o Brasil , que passou a valer em 22 de jul). Depois, anunciou tarifas adicionais de 12,5% . Com isso, os produtos nacionais podem ser taxados em até 37,5%.

    A taxação de 25% foi proposta em 1º de junho de 2026, depois de o USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) concluir a investigação da Seção 301 contra o Brasil. O governo norte-americano apresentou a medida como resposta ao que classifica como práticas comerciais injustas.

    Já a taxação adicional foi anunciada no dia seguinte, em 2 de junho. O governo norte-americano afirma que os países investigados não teriam adotado medidas suficientes para impedir a circulação de produtos ligados ao trabalho forçado ou para reforçar mecanismos de fiscalização.

    Por causa das tarifas, o governo Lula apresentou, em 27 de julho, um pedido de consultas contra os Estados Unidos na OMC (Organização Mundial do Comércio). O Planalto considera as tarifas “injustificadas e incompatíveis” com as obrigações dos EUA no Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 e com o Entendimento sobre Solução de Controvérsias da OMC.

    A reclamação foi recebida pela organização em 30 de julho.

    O Brasil afirma haver 3 problemas nas tarifas dos EUA:

    Depois, em 10 de agosto, os Estados Unidos aceitaram o pedido de consulta do Brasil. A medida simboliza uma disposição de Trump para tratar do tema na OMC.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-congresso/senado-pede-entendimento-de-lula-com-eua-antes-de-escalada-comercial/.

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