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    Senado banca segurança de Flávio em campanha, mas mantém gastos em sigilo

    Gastos com escoltas cresceram em 2026 e somam R$ 7,4 milhões; agentes ligam alta à campanha bolsonarista

    Metrópoles
    6 de setembro de 2026 às 17:12
    Senado banca segurança de Flávio em campanha, mas mantém gastos em sigilo
    Foto: Metrópoles

    O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro , percorre o país protegido por policiais do Senado , mas o tamanho da equipe, os destinos e, principalmente, o custo da operação são mantidos em sigilo pela Casa.

    O Metrópoles solicitou essas informações à assessoria de imprensa do Senado e também por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). A Casa se recusou a revelar os gastos relacionados ao senador. Procurada, a campanha de Flávio também não informou quanto custa a escolta nem quantos agentes atuam na proteção.

    Mesmo sem abrir a conta de Flávio Bolsonaro, os números gerais do Senado mostram um salto nas despesas com esse tipo de missão.

    Samuel Pancher / Metrópoles
    Samuel Pancher / Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Levantamento feito pela reportagem aponta que, até o fim de agosto, a Casa havia desembolsado cerca de R$ 4 milhões em diárias para trabalhos de proteção e escolta. As passagens aéreas compradas até 12 de agosto somavam outros R$ 3,3 milhões .

    Em 2022, também um ano eleitoral, o Senado gastou R$ 1,2 milhão em diárias e R$ 1,13 milhão em passagens para missões de proteção, totalizando R$ 2,33 milhões. Os gastos subiram entre 2023 e 2025, mas foi neste ano que a conta atingiu um novo patamar.

    O valor apurado em 2026, de aproximadamente R$ 7,4 milhões, já é mais de três vezes o desembolsado durante todo o ano de 2022 — e o ano ainda não terminou .

    Eleições 2026
    Eleições 2026 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Agentes da Polícia do Senado ouvidos pelo Metrópoles atribuem a maior parte desse aumento à proteção de Flávio Bolsonaro. Segundo eles, uma parcela menor está relacionada a outros senadores que disputam as eleições e também recebem escolta, como Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná.

    Os dados divulgados pela Casa, contudo, não permitem confirmar essa divisão. Os nomes das autoridades, os destinos e os detalhes das viagens foram retirados dos registros públicos sob a justificativa de preservar a segurança das operações.

    A análise das contas do Senado indica que o aumento das despesas não foi provocado pelo encarecimento das passagens. O valor médio dos bilhetes permaneceu em torno de R$ 2,2 mil. O que cresceu foi o número de pagamentos entre janeiro e agosto: de 325, em 2022, para 1.518 neste ano.

    Flávio Bolsonaro concede coletiva em São Paulo.
    Flávio Bolsonaro concede coletiva em São Paulo. — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    As diárias seguiram a mesma tendência. Até agosto, o Senado havia feito 898 pagamentos, mais que o dobro dos 420 registrados no mesmo período de 2025. O valor médio de cada lançamento permaneceu praticamente inalterado.

    Policiais ouvidos pela reportagem classificam como “peculiar” o uso da estrutura do Senado durante uma campanha presidencial.

    Na avaliação deles, acompanhar um candidato pelo país não deveria, em tese, estar entre as atividades centrais do órgão. Eles reconhecem, porém, que existem precedentes de escoltas a parlamentares fora de Brasília.

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    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Em nota, o Senado afirmou que a candidatura de Flávio Bolsonaro não altera sua condição de senador e que, por isso, ele pode continuar utilizando a escolta policial da Casa. A proteção ao filho de Jair Bolsonaro (PL) foi autorizada em 2019, após um pedido do parlamentar e uma análise de risco.

    Na resposta enviada ao Metrópoles , a Casa alegou ainda que sua polícia pode proteger senadores no Brasil e no exterior por determinação da Presidência da Casa.

    Também afirmou que a divulgação do efetivo, das avaliações de risco e dos procedimentos adotados poderia colocar em perigo os agentes e a autoridade protegida. A resposta, contudo, não esclareceu por que os valores gastos também permanecem sob sigilo.

    Senado banca segurança de Flávio em campanha, mas mantém gastos em sigilo - destaque galeria
    Senado banca segurança de Flávio em campanha, mas mantém gastos em sigilo - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O entendimento adotado pelo Senado não é seguido pela Câmara . O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), negou um pedido para que policiais legislativos acompanhassem Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio.

    A Câmara argumentou, em nota, que a candidatura constitui uma situação distinta do exercício do mandato e que, sozinha, não justificaria o uso da Polícia Legislativa. A Casa também apontou que a legislação atribui à Polícia Federal a segurança dos candidatos à Presidência.

    Parte do trabalho dos policiais é realizada nas redes sociais. Os agentes têm monitorado publicações e analisado mensagens que possam indicar riscos ao candidato.

    Flávio Bolsonaro (PL) e a esposa, Fernanda Bolsonaro, durante convenção estadual do PL no Distrito Federal
    Flávio Bolsonaro (PL) e a esposa, Fernanda Bolsonaro, durante convenção estadual do PL no Distrito Federal — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Um episódio ocorrido em Juiz de Fora, em agosto, entrou na avaliação da equipe de segurança. Um morador de Minas Gerais passou a ser investigado depois de publicar uma mensagem acompanhada de dois emojis de facas em uma postagem sobre uma visita de Flávio Bolsonaro à cidade.

    A agenda foi cancelada por causa do mau tempo. Antes disso, porém, a Justiça havia autorizado a apreensão de aparelhos eletrônicos e proibido o investigado de se aproximar a menos de 500 metros do candidato. Os advogados de Flávio lembraram que Jair Bolsonaro foi esfaqueado em Juiz de Fora durante a campanha de 2018.

    Flávio Bolsonaro (PL) e a esposa, Fernanda Bolsonaro, durante convenção estadual do PL no Distrito Federal

    Carol De Toni, Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro
    Carol De Toni, Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Carol De Toni, Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro

    Flávio Bolsonaro e Renato Araújo em Angra dos Reis (RJ)

    Apesar das ameaças apontadas pela campanha, Flávio recusou a proteção da Polícia Federal . Um decreto autoriza a PF a fazer a segurança dos candidatos à Presidência após a homologação das candidaturas nas convenções partidárias, mas a medida depende de uma solicitação da campanha .

    Flávio Bolsonaro e Renato Araújo em Angra dos Reis (RJ)
    Flávio Bolsonaro e Renato Araújo em Angra dos Reis (RJ) — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Ao abrir mão do serviço, Flávio afirmou que os agentes deveriam ser empregados em investigações e disse não confiar no comando da corporação, chefiada por Andrei Rodrigues. “Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar pessoas na minha campanha”, escreveu. A campanha do PL disse que Flávio é protegido “exclusivamente” pela Polícia do Senado. Também descreve a equipe como especializada e equipada com veículos blindados, armamento pesado e recursos de ponta, além de contar com treinamento em inteligência. Em compromissos pelo país, o filho de Bolsonaro tem usado colete à prova de balas.

    Apesar de considerarem a situação “peculiar”, alguns coordenadores da Polícia do Senado ouvidos pelo Metrópoles defendem a manutenção da proteção. Eles avaliam que o senador enfrenta uma ameaça “continuada” e que, por isso, há motivos para que ele siga com a escolta enquanto exercer o mandato.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/senado-banca-seguranca-de-flavio-em-campanha-mas-mantem-gastos-em-sigilo.

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