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    Senado aprova PL que amplia poder do governo sobre minerais críticos

    Texto cria conselho com poder para barrar operações do setor e permite adoção de condicionantes sobre exportações; proposta também prevê crédito fiscal, fundo garantidor e incentivos ao processamento no Brasil

    CNN Brasil
    2 de setembro de 2026 às 21:29
    Senado aprova PL que amplia poder do governo sobre minerais críticos
    Foto: CNN Brasil

    O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (2) o projeto de lei que cria a PNMCE (Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos) e amplia os instrumentos à disposição do governo para atuar sobre operações envolvendo empresas, direitos minerários e exportações de minerais considerados críticos ou estratégicos para o país. O texto segue para sanção presidencial.

    Um dos principais pontos da proposta é a criação do CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos), vinculado à Presidência da República.

    O colegiado terá poder para homologar operações consideradas relevantes para a soberania nacional e para a supremacia do interesse público. Na prática, o mecanismo abre espaço para que o governo barre negócios que não recebam a homologação do conselho.

    Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária • Waldemir Barreto/Agência Senado · • Waldemir Barreto/Agência Senado
    Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária • Waldemir Barreto/Agência Senado · • Waldemir Barreto/Agência Senado — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Poderão passar pela análise do CIMCE operações como mudanças diretas ou indiretas de controle de empresas titulares de direitos minerários, determinados acordos que envolvam acesso a informações geológicas estratégicas ou participação estrangeira, contratos internacionais de fornecimento e alienação, cessão ou oneração de títulos minerários outorgados pela União.

    O relator da proposta no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), manteve o desenho aprovado pela Câmara dos Deputados e rejeitou emendas que buscavam substituir a homologação por um procedimento de simples registro e acompanhamento.

    Também ficaram de fora propostas que estabeleciam prazo máximo para manifestação do conselho e aprovação tácita dos negócios caso não houvesse uma decisão dentro do período determinado.

    Braga mantém poderes do conselho e regras de exportação em PL dos minerais
    Braga mantém poderes do conselho e regras de exportação em PL dos minerais — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O texto aprovado, no entanto, explicita que a atuação do CIMCE deverá preservar as competências da ANM (Agência Nacional de Mineração) e dos demais órgãos responsáveis pela regulação, fiscalização e outorga no setor mineral.

    O conselho poderá contar com até 15 representantes do Poder Executivo federal, além de integrantes indicados por estados e Distrito Federal, municípios, setor privado e academia.

    O Poder Executivo terá 90 dias para regulamentar o funcionamento do CIMCE.

    TCU adia votação sobre investimento cruzado em projetos ferroviários
    TCU adia votação sobre investimento cruzado em projetos ferroviários — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Apesar de o projeto já estabelecer as competências do CIMCE, será a regulamentação posterior do Poder Executivo que definirá, na prática, como esses poderes serão exercidos. O regulamento deverá dar contornos operacionais ao funcionamento do conselho e ao procedimento de análise e homologação das operações submetidas ao colegiado, detalhando a forma de aplicação dos instrumentos previstos na lei.

    Outro ponto central da proposta é a possibilidade de o governo estabelecer condicionantes para a exportação de minerais críticos e estratégicos.

    O artigo 8º permite que o Poder Executivo adote, por meio de regulamentação posterior, parâmetros, requisitos técnicos ou compromissos de agregação de valor vinculados à exportação de bens minerais.

    Governo marca para 11 de dezembro leilão da Rota do Pequi
    Governo marca para 11 de dezembro leilão da Rota do Pequi — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O dispositivo abre margem, por exemplo, para a definição de requisitos relacionados ao grau de processamento dos produtos e para exigências destinadas a estimular que etapas de beneficiamento, separação, refino ou transformação sejam realizadas no Brasil.

    O governo também poderá criar critérios de preferência para projetos que internalizem etapas relevantes da cadeia produtiva mineral.

    O texto não cria diretamente uma nova alíquota de Imposto de Exportação nem determina a proibição de vendas ao exterior. A proposta, porém, preserva margem para a utilização de instrumentos regulatórios e administrativos sobre as exportações e Braga rejeitou uma emenda que pretendia impedir a incidência de Imposto de Exportação sobre bens minerais.

    Braga mantém poderes do conselho e regras de exportação em PL dos minerais
    Braga mantém poderes do conselho e regras de exportação em PL dos minerais — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    As empresas também poderão ser obrigadas a fornecer informações sobre volume exportado, destino, beneficiário final, cadeia societária, grau de processamento, composição e uso econômico dos produtos.

    Braga rejeitou emendas apresentadas no Senado que buscavam retirar do texto os “compromissos de agregação de valor” e limitar a vinculação dos instrumentos previstos no artigo 8º às exportações.

    O relatório ainda acrescentou entre os parâmetros da política estratégias de redução da dependência externa e de ampliação da autonomia tecnológica nacional.

    TCU adia votação sobre investimento cruzado em projetos ferroviários
    TCU adia votação sobre investimento cruzado em projetos ferroviários — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Ao mesmo tempo em que amplia os instrumentos regulatórios do governo, o projeto cria mecanismos fiscais e financeiros para incentivar investimentos e estimular o processamento de minerais no país.

    Um dos principais é o PFMCE (Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos), que permitirá a concessão de crédito fiscal de até 20% dos dispêndios realizados com beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana no Brasil.

    O percentual do benefício poderá variar conforme o nível de agregação de valor do projeto, de forma que empreendimentos que avancem para etapas mais complexas da cadeia possam receber incentivos maiores.

    Governo marca para 11 de dezembro leilão da Rota do Pequi
    Governo marca para 11 de dezembro leilão da Rota do Pequi — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    O programa terá limite global de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034. Recursos que não forem utilizados em um determinado exercício poderão ser aproveitados nos anos seguintes, respeitado o prazo final do mecanismo.

    Poderão participar empresas constituídas sob as leis brasileiras, com sede e administração no país, desde que os projetos sejam previamente habilitados pelo CIMCE.

    O Poder Executivo poderá estabelecer critérios adicionais para concessão dos benefícios, incluindo percentual de conteúdo nacional, atendimento ao mercado interno e aquisição de bens de capital. A exigência de conteúdo nacional poderá ser dispensada quando não houver oferta interna suficiente.

    O programa busca direcionar os incentivos principalmente para atividades que aumentem o valor agregado da produção mineral brasileira, incluindo insumos avançados, materiais para baterias, fertilizantes e outros produtos considerados estratégicos.

    O projeto também autoriza a criação do FGAM (Fundo Garantidor da Atividade Mineral), que poderá receber até R$ 2 bilhões em aportes da União, além de recursos privados.

    O fundo terá natureza privada e patrimônio próprio e poderá oferecer garantias para projetos minerais, inclusive em fases consideradas de maior risco, como pesquisa mineral, implantação de minas, beneficiamento e transformação.

    Entre os instrumentos previstos estão garantias para risco de crédito, risco de preço ou liquidez e performance contratual. O FGAM também poderá participar de operações como coinvestidor ao lado de instituições financeiras.

    A intenção é reduzir o risco percebido pelo sistema financeiro e facilitar o acesso de projetos minerais a crédito e outras fontes de financiamento.

    Nos seis primeiros anos de vigência da política, empresas abrangidas pela obrigação prevista no projeto deverão destinar o equivalente a 0,5% da receita operacional bruta para pesquisa e desenvolvimento e para o FGAM.

    Nesse período, 0,3% será direcionado a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação e 0,2% ao fundo. Depois dos seis primeiros anos, os 0,5% serão integralmente destinados a P&D.

    A proposta também permite que projetos ligados a minerais críticos e estratégicos utilizem debêntures incentivadas para financiar despesas de capital.

    O mecanismo poderá ser utilizado em empreendimentos relacionados a pesquisa, desenvolvimento, lavra, beneficiamento, transformação mineral, mineração urbana e outras atividades abrangidas pela política.

    O projeto também inclui atividades de mineração de minerais críticos e estratégicos entre aquelas que poderão acessar o Reidi (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura).

    O regime permite a suspensão de PIS e Cofins em determinadas aquisições de bens e serviços destinadas à implantação de projetos, reduzindo o custo de investimento dos empreendimentos habilitados.

    O projeto também cria regras específicas para áreas voltadas à pesquisa de minerais críticos e estratégicos.

    A ANM deverá incluir em sua agenda regulatória leilões específicos de áreas que retornem à disponibilidade e estejam relacionadas aos minerais abrangidos pela política.

    Caso determinadas áreas não sejam leiloadas em até dois anos, elas poderão retornar ao regime normal de disponibilidade, permitindo novos requerimentos segundo o direito de prioridade.

    O texto também estabelece prazo máximo de dez anos para determinadas autorizações de pesquisa mineral relacionadas a minerais críticos e estratégicos.

    Emendas apresentadas no Senado para retirar ou flexibilizar esse limite não foram acolhidas pelo relator.

    A proposta cria ainda um sistema de rastreabilidade para minerais críticos e estratégicos, com o objetivo de permitir o acompanhamento da origem e da circulação dos produtos ao longo da cadeia produtiva.

    O sistema deverá reunir informações sobre regularidade socioambiental, fiscal e regulatória, além de dados técnicos relacionados aos minerais.

    O registro das transações e dos agentes envolvidos será obrigatório, e o modelo poderá prever auditorias e tecnologias destinadas a assegurar a integridade das informações.

    Braga rejeitou uma emenda que buscava restringir a rastreabilidade apenas ao primeiro elo da cadeia mineral.

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/infra/senado-aprova-pl-que-amplia-poder-do-governo-sobre-minerais-criticos/.

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