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    Seminário em BH apresenta mapa de saberes ancestrais de mulheres negras

    Evento em BH reúne experiências sobre memória, cultura e transmissão de conhecimentos entre gerações

    Metrópoles
    28 de agosto de 2026 às 18:31
    Seminário em BH apresenta mapa de saberes ancestrais de mulheres negras
    Foto: Metrópoles

    Belo Horizonte – A preservação da memória cultural passa também pelo reconhecimento dos saberes transmitidos ao longo das gerações. É com esse propósito que a AIC – Agência de Iniciativas Cidadãs apresenta, durante um seminário, o mapeamento de saberes e práticas ancestrais de mulheres negras .

    O encontro será realizado neste sábado (29/8), às 9h30, no Conservatório UFMG, localizado na rua Guajajaras, 100, no Centro de Belo Horizonte . A atividade marca uma das etapas de encerramento do projeto “Mulheres Negras, Cultura Ancestral: Núcleo de Formação e Memória em Belo Horizonte” .

    “Fizeram parte das etapas do projeto, a pesquisa e mapeamento, cinco encontros de formação, e como contrapartida aulas virtuais sobre escrita de projetos e formalização para grupos de mulheres negras”, enumera Cláudia Magno, coordenadora de projetos da AIC. Entre os conhecimentos identificados pela pesquisa está a atuação das mulheres congadeiras na preservação do Congado em Belo Horizonte. Mesmo em períodos em que as guardas permitiam apenas a participação masculina, mulheres pretas tiveram papel essencial para a continuidade, a organização e a renovação da tradição .

    Duda Moreira / Divulgação
    Duda Moreira / Divulgação — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Elas estiveram à frente de tarefas fundamentais para a realização das festas, como o preparo da alimentação coletiva, a confecção de roupas e uniformes, a limpeza dos espaços e a organização dos rituais. Também foram responsáveis por ensinar às novas gerações os cantos, as orações, as novenas e a devoção a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia .

    Outro conhecimento registrado pelo mapeamento está relacionado ao Kilombo Manzo Ngunzo Kaiango, na região de Santa Efigênia, na região Leste de Belo Horizonte. Liderado por mulheres negras, o local desenvolve ações permanentes destinadas à infância e à juventude.

    Nesse trabalho, as mulheres atuam na preservação da identidade negra, no enfrentamento ao racismo estrutural e no fortalecimento dos vínculos comunitários.

    Mapeamento de saberes e práticas ancestrais
    Mapeamento de saberes e práticas ancestrais — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Foi lindo coordenar a construção do Núcleo de Formação e Memória e do Mapa de saberes ancestrais. Nós, mulheres negras, fomos protagonistas na construção deste projeto. A trajetória destas mulheres foi regada a empoderamento, reconhecimento, fortalecimento. Agora vamos dar visibilidade ao conhecimento e as práticas ancestrais que foram mapeadas através do seminário e da atividade com as crianças”, explica Cláudia Magno, coordenadora do projeto “Mulheres Negras, Cultura Ancestral: Núcleo de Formação e Memória em Belo Horizonte.

    O mapeamento foi desenvolvido dentro do projeto “Mulheres Negras, Cultura Ancestral: Núcleo de Formação Memória em Belo Horizonte”, realizado em parceria com a Fundação Banco do Brasil por meio do edital “Empoderamento Socioeconômico das Mulheres Negras”.

    Mapeamento de saberes e práticas ancestrais

    Seminário em BH apresenta mapa de saberes ancestrais de mulheres negras - destaque galeria
    Seminário em BH apresenta mapa de saberes ancestrais de mulheres negras - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A mulher negra sempre cuidou da primeira infância

    Ao longo dos seis meses de execução, além do seminário e da ação voltada às crianças, o projeto promoveu diferentes atividades destinadas à valorização da presença das mulheres negras no mundo a partir de suas memórias ancestrais e de suas heranças culturais afro-brasileiras.

    “Fizeram parte das etapas do projeto, a pesquisa e mapeamento, cinco encontros de formação, e como contrapartida aulas virtuais sobre escrita de projetos e formalização para grupos de mulheres negras”, enumera Cláudia Magno, coordenadora de projetos da AIC. Para desenvolver a pesquisa e o mapeamento, foi criado o Núcleo de Formação e Memória de BH. A estrutura reuniu mulheres representantes de 10 grupos e comunidades tradicionais de Belo Horizonte, situados em territórios de periferia e/ou regiões de elevada vulnerabilidade social.

    A mulher negra sempre cuidou da primeira infância
    A mulher negra sempre cuidou da primeira infância — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Cada representante indicou outras duas mulheres para integrar o Núcleo. Ao lado das lideranças ativas dos grupos de referência, as 30 participantes e a equipe da AIC construíram um programa de formação sobre práticas e tradições ancestrais que fazem parte das atividades culturais, sociais e econômicas dessas comunidades .

    O projeto, a partir das atividades realizadas, reforçou as ações de construção histórica e resistência cultural relacionadas às mulheres negras. A proposta também foi celebrar a herança ancestral dessas mulheres como lideranças e referências culturais de suas comunidades e, ao mesmo tempo, ampliar sua voz, presença e influência nos espaços que ocupam.

    Na avaliação de Cláudia Magno, as formações criaram um ambiente seguro e inclusivo para a troca de conhecimentos e contribuíram para fortalecer a identidade cultural e o empoderamento pessoal e coletivo das participantes.

    “Tais atividades, cabe frisar, valorizaram a existência das mulheres negras no mundo, a partir de suas memórias ancestrais e de suas heranças culturais afro-brasileiras”, finaliza.

    O mapeamento também aborda o papel das mulheres negras no cuidado com a primeira infância. O chamado “maternar” é apresentado como uma prática que ultrapassa as tarefas cotidianas relacionadas às crianças.

    Por meio desse cuidado, costumes ancestrais foram transmitidos a crianças negras e brancas . A vivência e a transmissão de conhecimentos tradicionais, espirituais e culturais transformaram essas mulheres em guardiãs de saberes fundamentais para a identidade e a resistência diaspórica, por meio da qual conhecimentos ancestrais foram preservados e passaram de uma geração para outra.

    A programação do seminário terá ainda uma palestra da professora Rosália Diogo , com o tema “Mulheres negras cultura ancestral e Empoderamento”.

    Rosália Diogo é curadora de Artes e do Instituto Cultural Casarão das Artes Negras, diretora de redação da Revista Canjerê, jornalista e ativista cultural. É mestra em Psicologia Social pela Universidade Federal de Minas Gerais, doutora em Letras/Literatura pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC) e pós-doutora em Antropologia pela Universidade de Barcelona. Entre 2024 e 2025, também foi professora visitante da Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique.

    Durante o encontro, as participantes poderão compartilhar aprendizados e experiências e receberão certificados de participação.

    Para participar, é necessário fazer inscrição previamente pelo formulário disponibilizado pela organização .

    Outra atividade prevista para a conclusão do mapeamento será realizada com crianças no dia 2 de setembro . A proposta é que elas também construam seus próprios mapas territoriais.

    A iniciativa pretende contribuir para a continuidade das tradições, o fortalecimento da identidade e a transmissão de conhecimentos entre diferentes gerações. Tanto o seminário quanto as atividades realizadas com as crianças terão registro audiovisual.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/minas-gerais/seminario-em-bh-apresenta-mapa-de-saberes-ancestrais-de-mulheres-negras.

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