Sem petróleo, Cuba recorre a energia solar com apoio da China
País tem investido na construção de parques solares para produção de energia elétrica; China tem sido principal apoio de Cuba no processo

Depois que o governo Donald Trump ordenou que a Venezuela cortasse o envio de petróleo para Cuba , os cerca de 10 milhões de pessoas que moram na ilha caribenha enfrentam problemas diários de abastecimento energético.
A pressão forçou autoridades cubanas a buscarem alternativas para manter os serviços básicos no país, que tem contado com o apoio da China para reduzir a dependência do combustível fóssil e impulsionar o sistema de energia solar local.
O colapso em Cuba já soma mais de seis décadas, com o país no alvo de uma série de embargos econômicos propostos pelos EUA que sufocaram a economia e impedem seu avanço diante o cenário internacional. A situação, contudo, se agravou desde o início do ano, após mudanças na América Latina.

Sem capacidade de produzir todo o petróleo de que necessita, e com dificuldades para acessar o mercado externo de commodities, Cuba dependia, em grande medida, do petróleo da Venezuela para abastecer sua matriz energética – movida, principalmente, por usinas termelétricas, que dependem do combustível.
Mas, após a queda de Nicolás Maduro e o alinhamento do novo governo com os interesses EUA, Donald Trump ordenou que a Venezuela interrompesse o fluxo de petróleo que abastecia a ilha.
Ao Metrópoles , fontes ligadas à diplomacia de Cuba afirmam que o país não recebe petróleo há cerca de seis meses — com uma rara exceção de um petroleiro russo que chegou até a ilha em março deste ano. Diante do cenário, o governo castrista tem buscado a ajuda da China, que enviou recentemente placas solares ao país.

Em novembro de 2025, 5 mil sistemas fotovoltaicos foram doados pelo governo chinês após o furacão Melissa .
As placas, segundo a União Nacional de Eletricidade (UNE), foram destinadas a centros vitais em todos os 169 municípios cubanos. A energia gerada pelas mesmas, informaram autoridades, devem atender maternidades, agências bancárias, lares para idosos e unidades hospitalares.
Converter a luz do sol em eletricidade, contudo, não visa alcançar a autossuficiência total em tais centros. O objetivo principal é a sobrevivência energética em momentos críticos, como nos apagões contínuos que atingem o país.

Um novo carregamento com 5 mil painéis solares chineses chegou ao país em 7 de agosto, entregue pela Embaixada da China em Havana. Segundo o Ministério do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro de Cuba, desta vez as placas serão distribuídas em áreas rurais espalhadas pelos 169 municípios da ilha.
Evento aconteceu na Embaixada da China em Cuba
Apesar da solução, estimativas apontam que fontes renováveis de energia, como a solar, representam apenas 10% da matriz energética cubana. Isso, no entanto, não tem impedido que o governo de Cuba busque outra inovação para contornar outro problema no país: a paralisação da frota de veículos, causada pela falta de combustível.

Para isso, a China também tem auxiliado a ilha não só com a exportação de veículos elétricos, mas também com a transferência de tecnologias chinesas para Cuba.
Hoy visité proyecto del ensamblaje y soldadura de camiones dedicados a la higienización urbana, así como la primera estación de carga privada para VE en construcción. Los productos chinos están contribuyendo a los servicios públicos y la transición energética de Cuba. pic.twitter.com/vVcxFFZofr
— Hua Xin 华昕 (@EmbHuaXin) August 18, 2026

Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/mundo/sem-petroleo-cuba-recorre-a-energia-solar-com-apoio-da-china.

Angelo Mastrascusa/Anadolu via Getty Images — Foto: Metrópoles
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