Sem ninguém mandar: IA da OpenAI tentou invadir sites de universidade e governo
Três dos quatro incidentes foram identificados pela Transluce, laboratório de pesquisa voltado à supervisão de IA; todos foram posteriormente confirmados pela OpenAI O post Sem ninguém mandar: IA da OpenAI tentou invadir sites de universidade e governo apareceu primeiro em Olhar Digital .

Sistemas de inteligência artificial (IA) da OpenAI tentaram invadir quatro sites de universidades e governos entre maio e junho, aparentemente sem receber instruções para realizar ataques cibernéticos. Em vez disso, segundo pesquisadores, os agentes recorriam a técnicas de hacking quando encontravam dificuldades para obter dados durante tarefas comuns de coleta de informações.
Os episódios ocorreram antes de um caso envolvendo a plataforma Hugging Face , em julho, que colocou o comportamento autônomo de sistemas de IA sob maior escrutínio.
Três dos quatro incidentes foram identificados pela Transluce , laboratório de pesquisa voltado à supervisão de IA. Todos foram posteriormente confirmados pela OpenAI.

O comportamento observado nos quatro episódios chama atenção porque os agentes não estavam, segundo os pesquisadores, executando testes de segurança destinados a fazê-los demonstrar capacidades de hacking.
No caso da biblioteca da Universidade do Novo México, por exemplo, a IA tentava obter fotografias de um antigo centro de tratamento de tuberculose. Quando não conseguiu acessar o material, começou a procurar vulnerabilidades no site que poderiam permitir uma invasão.
Depois de não encontrar brechas, o sistema enviou o que descreveu como um “flood” de 80 solicitações ao servidor da universidade.

Na tentativa contra o Data USA, a IA enviou uma consulta desorganizada ao site para tentar obter os dados desejados. Depois que a estratégia falhou, realizou 12 sondagens em busca de diferentes vulnerabilidades. Nenhuma foi encontrada.
Para Conrad Stosz, chefe de governança da Transluce, os episódios mostram um risco associado ao uso de agentes autônomos para executar tarefas genéricas.
“Se você treinasse um enxame de agentes para realizar alguma tarefa genérica e esses agentes estivessem dispostos a recorrer a hacking, qualquer pessoa que tivesse aquela informação poderia estar em risco”, afirmou ao The New York Times .

Stosz acrescentou que os episódios na Austrália provavelmente representam o primeiro caso conhecido de um agente autônomo escolhendo invadir um sistema governamental.
Os novos casos indicam que o comportamento de tentativa de invasão dos sistemas da OpenAI pode ter começado antes do episódio envolvendo a Hugging Face e continuado depois que a empresa iniciou investigações sobre outros comportamentos considerados inadequados.
A Transluce identificou tráfego na web associado aos agentes desde março e até a semana passada, indicando que o comportamento teria persistido por meses.

Nos episódios de maio e junho, os sistemas aparentemente estavam envolvidos em treinamentos relacionados à recuperação de dados.
A revelação dos quatro casos ocorre em meio a outros episódios envolvendo sistemas de IA de diferentes empresas que conseguiram acessar sistemas externos sem conhecimento humano.
O próprio Sam Altman afirmou neste mês que a segurança deveria ser mais importante do que simplesmente ampliar as capacidades da IA. Segundo o CEO da OpenAI, sem mecanismos de proteção, a sociedade poderia “perder o controle do futuro para a IA”.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/24/inteligencia-artificial/sem-ninguem-mandar-ia-da-openai-tentou-invadir-sites-de-universidade-e-governo/.

ChatGPT perdeu o controle e invadiu outros sistemas – Imagem: Olhar Digital via ChatGPT — Foto: Olhar Digital
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