Brasil

    Sem conter gasto público, não haverá Desenrola que baste

    A política econômica gastadora do governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) empurra os juros para cima e, com eles, o custo do crédito. Famílias e empresas pagam mais caro para rolar as dívidas contraídas, numa espiral de taxas elevadas e inadimplência . Ante o problema criado, o governo lança um paliativo atrás do outro. Leia mais (09/29/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    30 de setembro de 2026 às 01:00
    Sem conter gasto público, não haverá Desenrola que baste
    Seis pessoas sentadas em mesa longa em palco, com uma delas em pé falando ao microfone. Ao fundo, tela grande exibe texto "Medida Provisória Brasil Sem Bets e Desenrola 3.0" com bandeira do Brasil estilizada. Plateia com várias pessoas e câ — Foto: Folha de S.Paulo

    Texto não assinado que expressa a opinião da Folha

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursa durante lançamento do Desenrola 3, em São Paulo (SP) - Bruno Santos - 25.set.26/Folhapress · Bruno Santos - 25.set.26/Folhapress
    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursa durante lançamento do Desenrola 3, em São Paulo (SP) - Bruno Santos - 25.set.26/Folhapress · Bruno Santos - 25.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A política econômica gastadora do governo Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ) empurra os juros para cima e, com eles, o custo do crédito. Famílias e empresas pagam mais caro para rolar as dívidas contraídas, numa espiral de taxas elevadas e inadimplência . Ante o problema criado, o governo lança um paliativo atrás do outro.

    O Desenrola 3, recém-instituído por medida provisória , é mais uma das iniciativas improvisadas na tentativa de agradar à população às vésperas da eleição presidencial. Novamente o Planalto lida com as consequências das próprias decisões sem mexer na causa —que é o ritmo de expansão dos gastos do Tesouro.

    Desta vez, o poder público não se limitará a intermediar acordos entre credores e devedores. A União fica autorizada a comprar, em procedimento competitivo, carteiras de dívidas bancárias e não bancárias de pessoas físicas com valor original de até R$ 10 mil em atraso de dois a quatro anos e meio.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O deságio mínimo exigido dos credores é de 90%, e o abatimento obtido deve ser repassado ao devedor, que poderá quitar o saldo ou parcelá-lo sob regras ainda a serem definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

    O governo fala em até R$ 150 bilhões em débitos elegíveis, R$ 75 bilhões efetivamente renegociados e 15 milhões de beneficiários. O teto de recursos públicos é de R$ 15 bilhões, com impacto nos Orçamentos de 2027 e 2028.

    O cronograma prevê leilões a partir de novembro. Carteiras antigas de cartão de crédito e de crédito pessoal sem garantia já circulam no mercado secundário com descontos iguais ou superiores ao piso de 90%.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A diferença é que o Tesouro usará recursos do contribuinte, ocupando o lugar de um comprador privado. Não surpreende que bancos aprovem a medida, pois poderão desovar operações com devedores inadimplentes.

    Na prática, o governo gasta duas vezes. Primeiro, ao sustentar uma trajetória de despesa que impede a queda mais rápida dos juros e encarece a rolagem da dívida pública e o crédito. Depois, ao destinar recursos escassos para aliviar quem foi asfixiado por esse mesmo encarecimento.

    O quadro, de fato, é grave. Em agosto, a inadimplência no crédito livre às pessoas físicas chegou a 8% , recorde da série do Banco Central iniciada em 2011.

    Nem por isso deixa de ser temerário o uso de dinheiro público. Há, ainda, o risco de as rodadas sucessivas incentivarem maus comportamentos. A terceira edição do Desenrola reforça a ideia de que o empréstimo de hoje poderá ser perdoado amanhã.

    Depois de tantos estímulos ao consumo e ao crédito, Lula deveria se perguntar por que permanece a asfixia financeira de famílias e empresas. A resposta está menos na insuficiência de programas sociais e mais na recusa de conter o gasto que alimenta os juros e, com eles, o endividamento que agora se pretende limpar com o cheque do contribuinte.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/sem-conter-gasto-publico-nao-havera-desenrola-que-baste.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursa durante lançamento do Desenrola 3, em São Paulo (SP) - Bruno Santos - 25.set.26/Folhapress · Bruno Santos - 25.set.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)