Sem citar EUA, Lula critica “protecionismo disfarçado de causa ambiental”
Na abertura da Assembleia Geral da ONU, presidente afirma que Brasil tem “autoridade moral” para rejeitar tais medidas

Na abertura da Assembleia Geral da ONU, presidente afirma que Brasil tem “autoridade moral” para rejeitar tais medidas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta 3ª feira (22.set.2026), durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas que o Brasil tem “autoridade moral para rejeitar medidas protecionistas disfarçadas de apego à causa ambiental” . A declaração é uma indireta ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano).
O presidente se referiu à taxação de 25% imposta pelo governo norte-americano aos produtos brasileiros. Uma das justificativas apresentadas para o novo tarifaço é que o Brasil comete práticas ambientais ilegais usadas como vantagem competitiva pelos produtores brasileiros.

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Lula disse que o Brasil vem demonstrando ser possível combinar crescimento econômico com redução de emissões. Afirmou que o país não renunciará à agenda ambiental e seguirá com o plano de descarbonização da economia.
O presidente também destacou a redução do desmatamento na Amazônia e afirmou que o Brasil é uma “referência mundial em energia verde” . Segundo Lula, o país tem minerais críticos e terras-raras necessários para a transição energética.

Para o presidente, a exploração desses recursos deve beneficiar o Brasil. Disse que o acesso aos minerais terá como contrapartidas a geração de valor em território nacional, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos.
Lula afirmou ainda que é hora de “retomar a ofensiva e impor uma derrota ao negacionismo” . Citou o derretimento das geleiras do Himalaia e os possíveis efeitos de um “super El Niño” para defender ações de combate às mudanças climáticas.
Assista à íntegra do discurso de Lula (21min49s):

Leia os principais assuntos abordados por Lula em seu discurso:
Esta foi a 10ª participação de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU como presidente da República. Ele discursou pela primeira vez em 2003 e voltou à tribuna em 2004, 2006, 2007, 2008, 2009, 2023, 2024 e 2025. Em 2005, participou da reunião de alto nível da ONU, mas não abriu o debate geral. Em 2010, não viajou a Nova York, e o então chanceler Celso Amorim discursou em seu lugar.
A viagem deste ano será curta. Lula chegou a Nova York no domingo (20.set) e tem retorno previsto para esta 3ª feira (22.set), depois do discurso. Antes da Assembleia, cumpriu reuniões bilaterais, entre elas com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Também tem encontro previsto com o secretário-geral da ONU, António Guterres.
A agenda brasileira na ONU inclui ainda reuniões sobre a situação da Palestina e a solução de 2 Estados, desigualdade, consolidação da paz e direito internacional humanitário. O ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) presidirá a reunião da Zopacas, enquanto Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social) participará de atividades da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-governo/sem-citar-eua-lula-critica-protecionismo-disfarcado-de-causa-ambiental/.

O presidente se referiu à taxação de 25% imposta pelo governo norte-americano aos produtos brasileiros — Foto: Poder360
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