Brasil

    Selic em 13,75% mantém pós-fixados atrativos, mas abre espaço para prefixados e IPCA+

    A Selic caiu para 13,75% ao ano após decisão do Banco Central nesta quarta-feira (16), mas as taxas de juros continuam em um nível elevado , o que mantém a renda fixa atrativa para quem busca rentabilidade com menor risco, segundo especialistas. Leia mais (09/16/2026 - 18h32)

    Folha de S.Paulo
    16 de setembro de 2026 às 21:32
    Selic em 13,75% mantém pós-fixados atrativos, mas abre espaço para prefixados e IPCA+
    A imagem mostra duas mãos de madeira, uma segurando uma nota de 50 reais e a outra segurando uma nota de 100 reais. O fundo é rosa, criando um contraste com as notas e as mãos. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    A Selic caiu para 13,75% ao ano após decisão do Banco Central nesta quarta-feira (16), mas as taxas de juros continuam em um nível elevado , o que mantém a renda fixa atrativa para quem busca rentabilidade com menor risco, segundo especialistas.

    Cédulas de real - Gabriel Cabral - 27.fev.2019/Folhapress · Gabriel Cabral - 27.fev.2019/Folhapress
    Cédulas de real - Gabriel Cabral - 27.fev.2019/Folhapress · Gabriel Cabral - 27.fev.2019/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A redução da taxa básica, no entanto, começa a mudar a relação entre as diferentes modalidades. Enquanto os pós-fixados continuam oferecendo retornos elevados e menor volatilidade, especialistas veem espaço para prefixados e títulos atrelados à inflação. A recomendação vale principalmente para quem pode manter o dinheiro investido por mais tempo.

    Para José Tolipan, sócio e gerente de portfólio do BTG Pactual, o corte desta quarta não muda muito o cenário para os pós-fixados. Embora a rentabilidade diminua, a taxa de 13,75% ainda representa um retorno elevado, inclusive quando considerado o juro real .

    O mercado agora discute se haverá novos cortes ou uma pausa no ciclo de redução dos juros. O Boletim Focus mais recente aponta Selic em 13,75% no fim deste ano, o que indica que o corte desta quarta pode ter sido o último de 2026, embora ainda haja incerteza sobre a reunião de novembro.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Nesse cenário, Tolipan vê uma oportunidade para investidores com horizonte mais longo trocarem parte da rentabilidade dos pós-fixados por taxas hoje oferecidas em prefixados e títulos atrelados à inflação.

    "Por mais que o pós-fixado seja muito atraente, hoje você tem oportunidade de abrir mão desse retorno para garantir retornos interessantes por prazos mais longos", afirma.

    O prazo é importante porque títulos prefixados e atrelados à inflação estão sujeitos à marcação a mercado. Se o investidor precisar vender o papel antes do vencimento, o preço pode oscilar conforme as condições do mercado e o retorno pode ser diferente do previsto no momento da aplicação.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para investidores mais conservadores, o BTG considera adequada uma concentração maior em pós-fixados. Já quem tem maior tolerância a risco pode reduzir essa parcela e buscar prefixados e títulos de juro real.

    Entre as opções de prazo mais longo, o BTG diz ter preferência pelos papéis atrelados à inflação, por uma questão de gerenciamento de risco.

    Mauro Orefice, gestor da B Side Investimentos, tem uma avaliação semelhante, mas vê os prefixados como a principal oportunidade entre as modalidades de renda fixa, seguidos pelos títulos atrelados ao IPCA .

    Segundo ele, esses papéis continuam atrativos porque há um descolamento entre as taxas de juros precificadas pelo mercado ao longo do tempo e as projeções dos economistas.

    Para investidores muito concentrados em pós-fixados, a diversificação se torna interessante, já que os prefixados tendem a se beneficiar de um ciclo de queda dos juros.

    Orefice afirma ainda que a indefinição fiscal mantém as taxas prefixadas elevadas. Com isso, caso a questão fiscal seja equacionada nos próximos meses, esses títulos terão maior potencial de valorização.

    Martin Iglesias, líder em recomendação de investimentos do Itaú , mantém uma visão favorável aos pós-fixados. Segundo ele, embora a queda da Selic reduza a rentabilidade desses investimentos, eles ainda apresentam uma relação interessante entre risco e retorno.

    "Como, de alguma forma, esse movimento de corte já estava precificado nas curvas de juros, o impacto dessa decisão não será muito grande. Numa ordem de relevância para o investidor, o pós-fixado continua sendo a melhor opção, seguido do prefixado e depois dos títulos indexados à inflação", afirma Iglesias.

    O banco também defende a diversificação da carteira. Para um investidor moderado, o Itaú sugere 45% em pós-fixados, 26% em renda fixa ativa, 10% em investimentos internacionais, 8% em multimercados, 7% em ações e 4% em alternativos, como fundos imobiliários.

    Marcelo Freller, estrategista de investimentos do C6 Bank, afirma que a volatilidade no exterior, influenciada pelo petróleo , e no mercado doméstico, em meio às eleições , favorece os pós-fixados no cenário atual.

    "Nesse momento em que o mercado pode ter grandes pernadas por um lado ou por outro, a gente prefere ficar na parte pós-fixada da renda fixa, porque ela tem menos volatilidade e a gente ainda tem uma taxa de juros bastante alta", afirma.

    Para ele, uma queda mais forte dos juros poderia fazer o investidor perder oportunidades em outras modalidades, mas, diante das incertezas atuais, o banco prefere priorizar a cautela.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/selic-em-1375-mantem-pos-fixados-atrativos-mas-abre-espaco-para-prefixados-e-ipca.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Cédulas de real - Gabriel Cabral - 27.fev.2019/Folhapress · Gabriel Cabral - 27.fev.2019/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)