Segurança preso sob suspeita de linchamento em Copacabana foi depor usando a bicicleta da vítima
O segurança de rua Davi Santos Machado , 21, foi à delegacia prestar depoimento sobre o linchamento que matou Cláudio Rafael Landeiro , em Copacabana, na zona sul do Rio, pedalando a bicicleta que estava com a vítima na noite do crime. Leia mais (08/24/2026 - 13h45)

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O segurança de rua Davi Santos Machado , 21, foi à delegacia prestar depoimento sobre o linchamento que matou Cláudio Rafael Landeiro , em Copacabana, na zona sul do Rio, pedalando a bicicleta que estava com a vítima na noite do crime.

Imagens obtidas pela Folha mostram Davi chegando à 12ª DP (Copacabana) com a bicicleta na segunda-feira (17), cinco dias após o espancamento.
Naquele primeiro depoimento, Davi prestou declarações na condição de testemunha. Segundo o delegado Ângelo Lages, ele negou ter participado das agressões.
No dia seguinte, porém, ele voltou à delegacia e confessou ter participado do ataque, ainda segundo a polícia. Davi foi preso na quinta-feira (20), após se entregar.

Ele não constituiu advogado. A Defensoria Pública afirmou que atuou exclusivamente na audiência de custódia do suspeito, que teve a prisão temporária mantida pela Justiça neste sábado (22).
Como não há acusação formal, a Defensoria afirmou que se Davi não constituir advogado particular, o acompanhamento será feito pela instituição com atribuição ao Juízo das Garantias e, posteriormente, após eventual denúncia, pelo órgão de atuação junto ao juízo responsável pelo caso.
A Polícia Civil afirma que Davi abordou Cláudio. Segundo testemunhas, o vigia perguntou à vítima se era dono da bicicleta. Cláudio negou e teve dificuldade para explicar que o veículo pertencia à irmã. Familiares relataram aos investigadores que Cláudio tinha transtornos mentais.

Em depoimento, o segurança afirmou que, junto com os dois entregadores, passou a dar socos e pontapés em Cláudio. Disse ainda ter usado um capacete para golpear a vítima.
Segundo o relato, o segurança classificou o episódio como um "ato insano", afirmou ter dado vários golpes na cabeça da vítima e disse não saber explicar por que agiu assim. Ele também declarou que não tinha informação concreta de que a bicicleta tivesse sido furtada.
Câmeras de segurança de um prédio da rua Felipe de Oliveira registraram a sequência final do crime, na noite de 11 de agosto. Cláudio havia se sentado na escadaria de um edifício quando os dois entregadores chegaram de bicicleta e o cercaram.

Em seguida, Davi apareceu com um porrete e desferiu ao menos 30 pauladas contra a vítima. Cláudio também apanhou com socos e pontapés até cair desacordado na calçada, sem reagir. Os agressores revistaram os bolsos do homem, e um deles fotografou a cena antes de o grupo deixar o local.
Bombeiros socorreram a vítima e a levaram ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, onde Cláudio morreu. Familiares foram informados de que a causa da morte foi traumatismo craniano com hemorragia interna.
Para o delegado, trata-se de "um homicídio triplamente qualificado com crueldade e motivo fútil, sem possibilidade de defesa da vítima".

Além de Davi, o segurança Jorge Luiz Ricardo Dias, 56, se apresentou à polícia na quinta-feira (20) e foi confrontado pela irmã de Cláudio antes de entrar na delegacia.
Segundo o delegado, Jorge teve participação acessória: não chegou a agredir a vítima, mas segurou a bicicleta e o porrete usados nas agressões e teria tentado dissuadir Davi de avançar contra Cláudio.
A Justiça também manteve a prisão temporária de Jorge neste sábado (22), após audiências de custódia. Em nota, o advogado Fabrício Gomes de Mello afirmou que está empenhado na apuração e no esclarecimento das circunstâncias do caso. Ele também lamentou a morte. A prioridade, de acordo com a defesa, é compreender os fatos, com respeito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal.
A Polícia Civil também investiga a participação de dois entregadores no crime: Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva. Os dois aparecem nas imagens de segurança feitas durante a sequência final das agressões e tiveram mandados de prisão expedidos.
Felipe se entregou na sexta-feira (21). Horas depois, Ailton também se apresentou na 12ª DP. Ele permaneceu em silêncio e afirmou que só falará em juízo. A reportagem não conseguiu identificar se ambos constituíram advogado.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/08/seguranca-preso-sob-suspeita-de-linchamento-em-copacabana-foi-depor-usando-a-bicicleta-da-vitima.shtml.

Davi Santos Machado, 21, suspeito de participação no linchamento que matou Cláudio Rafael Landeiro, chega à 12ª DP (Copacabana), no Rio de Janeiro, pedalando a bicicleta usada pela vítima na noite do crime - Divulgação/Polícia Civil RJ · Di — Foto: Folha de S.Paulo
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