Secretário de Saúde dos EUA lança iniciativa para registrar possíveis efeitos colaterais associados a vacinas
Nova clínica do NIH estudará e tratará problemas de saúde relacionados aos imunizantes

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O secretário de Saúde dos Estados Unidos , Robert F. Kennedy Jr., lançou nesta semana um esforço em toda a agência para estudar e documentar quaisquer problemas de saúde relatados após a vacinação , informou o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) nesta quinta-feira (8).

A iniciativa é o passo mais recente de Kennedy —que passou anos questionando a segurança das vacinas e fundou um grupo antivacina antes de assumir o cargo— para reformular a política federal de imunização.
A Academia Americana de Pediatria afirma que as vacinas infantis são estudadas em ensaios clínicos controlados por placebo e com grupos de comparação, além de serem monitoradas quanto à segurança após a aprovação.
A Tabela Federal de Lesões por Vacinas lista 14 lesões indenizáveis associadas a 16 tipos de vacinas no âmbito do Programa de Compensação por Lesões por Vacinas. Trata-se de um sistema de responsabilidade objetiva (sem necessidade de provar culpa) no qual os requerentes acionam o governo, e não os fabricantes das vacinas. Desde 1988, o programa concedeu cerca de US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões) em indenizações referentes a aproximadamente 12.300 casos de lesões e mortes.

As novas medidas —que parecem fazer parte dos esforços de décadas de Kennedy para semear o ceticismo em relação às vacinas— surgem num momento em que ele enfrenta desafios jurídicos às suas tentativas de alterar os calendários de vacinação infantil nos EUA e uma preocupação crescente entre especialistas em saúde pública quanto à queda nas taxas de imunização, especialmente contra o sarampo , doença que tem registrado um ressurgimento nos EUA desde o ano passado.
A iniciativa concentra-se em uma clínica dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), inaugurada na segunda-feira (5), destinada a tratar e estudar pacientes que relatam problemas de saúde após receberem vacinas, informou o HHS em comunicado.
Outras medidas incluem uma proposta dos Centros de Serviços Medicare e Medicaid (CMS) para reembolsar médicos que notificarem suspeitas de lesões ao Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas (VAERS) dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC); um esforço do CDC para atualizar o VAERS; e a exigência do HHS de que os registros eletrônicos de saúde registrem eventos adversos relacionados a vacinas.

Kennedy afirmou que as crianças americanas recebem vacinas em excesso, alegando falsamente e de forma repetida que elas recebem até 90 doses antes dos 18 anos —uma afirmação que também foi repetida pelo presidente Donald Trump .
Kennedy há muito argumenta que as substâncias presentes nas vacinas são perigosas, embora especialistas afirmem não haver evidências de danos.
Em seu primeiro ano à frente do HHS, ele dispensou todos os 17 especialistas independentes que integravam o comitê consultivo de vacinas do CDC e selecionou novos membros, muitos dos quais compartilhavam suas opiniões antivacina.
Em janeiro, o CDC anunciou um calendário de vacinação infantil reformulado que reduzia o número de vacinas recomendadas, eliminando as recomendações universais para gripe, rotavírus, hepatite A, hepatite B ao nascer, algumas formas de meningite e vírus sincicial respiratório.
Um tribunal federal emitiu uma liminar em março bloqueando partes fundamentais das mudanças propostas, concluindo que Kennedy e o HHS haviam violado a lei federal ao reestruturar o Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização (ACIP) do CDC.
A liminar impediu o ACIP de realizar reuniões para emitir recomendações sobre imunizações frequentemente necessárias para a cobertura de planos de saúde.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/10/secretario-de-saude-dos-eua-lanca-iniciativa-para-registrar-possiveis-efeitos-colaterais-associados-a-vacinas.shtml.

Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde dos EUA, durante um evento sobre danos do tempo de tela em crianças, no Departamento de Saúde e Serviços Humanos, em Washington - Evan Vucci - 1.set.26/Reuters · Evan Vucci - 1.set.26/Reuters — Foto: UOL
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