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    Se o CDI rendeu mais, por que diversificar?

    Imagine contratar um seguro para seu carro e após cinco anos sem nenhum problema, concluir que o dinheiro foi desperdiçado. Olhando para trás, teria sido financeiramente melhor não pagar o seguro, mas essa conclusão só é possível porque agora você sabe que nada aconteceu. Quando tomou a decisão, não sabia, e mesmo com essa informação, não é possível afirmar que amanhã não vai ocorrer nada. Leia mais (09/21/2026 - 18h00)

    Folha de S.Paulo
    21 de setembro de 2026 às 21:00
    Se o CDI rendeu mais, por que diversificar?
    Corretores vestindo jaquetas azuis interagem em ambiente de bolsa de valores com múltiplas telas exibindo gráficos e cotações ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

    Michael Viriato escreve sobre como cuidar do seu dinheiro, poupar e planejar o futuro

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    Trabalhadores da Nyse (New York Stock Exchange), a Bolsa de Valores de Nova York, nos Estados Unidos - Jeenah Moon - 16.set.26/Reuters · Jeenah Moon - 16.set.26/Reuters
    Trabalhadores da Nyse (New York Stock Exchange), a Bolsa de Valores de Nova York, nos Estados Unidos - Jeenah Moon - 16.set.26/Reuters · Jeenah Moon - 16.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Imagine contratar um seguro para seu carro e após cinco anos sem nenhum problema, concluir que o dinheiro foi desperdiçado. Olhando para trás, teria sido financeiramente melhor não pagar o seguro, mas essa conclusão só é possível porque agora você sabe que nada aconteceu. Quando tomou a decisão, não sabia, e mesmo com essa informação, não é possível afirmar que amanhã não vai ocorrer nada.

    A comparação tem seus limites, mas o erro de raciocínio é semelhante ao que fazemos com investimentos: avaliar uma decisão tomada sob incerteza apenas depois de conhecer o resultado. Muitos investidores entendem que diversificar significa necessariamente ganhar mais. Não significa. Seu principal objetivo é reduzir a dependência de um único ativo ou cenário econômico.

    Essa ideia está na origem da teoria moderna de carteiras. No trabalho que deu origem a ela, Harry Markowitz mostrou que não basta avaliar o risco de cada investimento isoladamente. Importa também como os ativos se comportam em conjunto. Diversificar reduz nossa dependência de acertar qual ativo ou cenário econômico ficará na frente e diminui o impacto quando erramos.

    Saiba como identificar seu perfil de investidor
    Saiba como identificar seu perfil de investidor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para ilustrar, montei uma carteira com perfil moderado a partir de alocações encontradas em carteiras divulgadas pelo mercado. Não se trata de recomendação de investimento, mas apenas de um exercício. Ela tem 40% em CDI, 10% em renda fixa prefixada, 20% em títulos indexados à inflação, 10% em fundos multimercados, 5% em fundos imobiliários, 7,5% no Ibovespa e 7,5% no S&P 500 com exposição ao dólar.

    O resultado recente talvez frustre quem espera que diversificação produza sempre uma rentabilidade maior . Na janela de cinco anos analisada, essa carteira teria rendido 10,73% ao ano, enquanto o CDI entregou 12,5%. Em três anos, foram 12,01%, contra 12,7%. Em dois anos, 12,26%, ante 13,5%. E nesse ano de 2026, o resultado da carteira é de cerca de 88% do CDI.

    A pergunta é quase inevitável: por que correr outros riscos se bastava ficar no CDI?

    Veja glossário de termos econômicos e fiscais
    Veja glossário de termos econômicos e fiscais — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Olhando para trás, é verdade que teria sido melhor concentrar tudo no CDI nesse período. O erro está em concluir que, por isso, a decisão de diversificar era necessariamente ruim. Essa avaliação utiliza uma informação que o investidor não possuía quando decidiu. Hoje sabemos qual investimento apresentou o melhor resultado nesse período específico. Cinco anos atrás, não sabíamos.

    A própria série mostra como nossa percepção muda conforme o período escolhido. Entre 2016 e 2020, foram cinco anos consecutivos em que essa carteira rendeu mais de 130% do CDI em qualquer ano individual. Em 2019, chegou a 268,64% do CDI e, em 2020, a 255,76%. Quem analisasse sua carteira no fim de 2020 usando a mesma lógica poderia perguntar: por que deixei 40% do dinheiro no CDI?

    Hoje, alguns investidores podem fazer exatamente a pergunta contrária. Em 2020, poderiam se arrepender dos 40% no CDI. Agora, podem se arrepender dos outros 60%. O problema é acreditar que o arrependimento posterior revela qual deveria ter sido a decisão anterior.

    Em horizontes mais longos, o resultado é outro. Em dez anos, a carteira teria rendido 10,24% ao ano, contra 9,3% do CDI. Em 15 anos, foram 10,78%, ante 9,8%. Isso tampouco prova que diversificar sempre vence o CDI. Mostra que apontar o vencedor depende também do período escolhido para olhar.

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    Nem mesmo concentrar tudo no CDI elimina a incerteza . O investidor troca alguns riscos por outros. Um deles é o risco de reinvestimento. Se os juros caírem, a remuneração futura diminui rapidamente, enquanto outros ativos podem já ter se valorizado antecipando esse movimento.

    Isso também não significa que qualquer diversificação seja boa. Espalhar o dinheiro entre muitos investimentos que respondem aos mesmos fatores de risco pode criar apenas uma aparência de diversificação. Ter mais ativos, por si só, não melhora uma carteira.

    Por isso, talvez a pior maneira de avaliar uma decisão tomada cinco anos atrás seja escolher hoje o investimento que mais rendeu e perguntar por que não colocamos todo o dinheiro nele. Uma decisão pode ter sido razoável diante das informações disponíveis e, ainda assim, produzir posteriormente um resultado inferior a alternativa. Se soubéssemos antecipadamente qual ativo apresentaria o melhor retorno, não haveria razão alguma para diversificar. Diversificamos justamente porque não sabemos.

    Michael Viriato é planejador patrimonial e sócio fundador da Casa do Investidor .

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/blogs/de-grao-em-grao/2026/09/se-o-cdi-rendeu-mais-por-que-diversificar.shtml.

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    Trabalhadores da Nyse (New York Stock Exchange), a Bolsa de Valores de Nova York, nos Estados Unidos - Jeenah Moon - 16.set.26/Reuters · Jeenah Moon - 16.set.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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