Se a IA responde tão rápido, o que a escola ainda precisa ensinar?
A inteligência artificial (IA) generativa já responde a perguntas, organiza informações e escreve textos em poucos segundos. Isso pode alterar tanto a forma de realizar tarefas quanto a maneira como crianças e jovens obtêm e lidam com informações. Diante da facilidade de encontrar respostas, ainda é dever da escola preparar os estudantes para formular boas perguntas , buscar informações, distinguir as que são de fato confiáveis e decidir o que fazer com elas. Leia mais (10/06/2026 - 07h00)

Expressa as ideias do autor e defende sua interpretação dos fatos
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

É coordenador pedagógico de Scientific and Computational Thinking and Technology (SCTT) do Programa Bilíngue da Escola Móbile.
A inteligência artificial (IA) generativa já responde a perguntas, organiza informações e escreve textos em poucos segundos. Isso pode alterar tanto a forma de realizar tarefas quanto a maneira como crianças e jovens obtêm e lidam com informações. Diante da facilidade de encontrar respostas, ainda é dever da escola preparar os estudantes para formular boas perguntas , buscar informações, distinguir as que são de fato confiáveis e decidir o que fazer com elas.
O risco está em aceitar como verdadeiras informações falsas ou imprecisas simplesmente porque são apresentadas de forma convincente. Uma resposta bem escrita, gerada por uma IA, pode criar a ilusão de que não há mais nada a investigar. É, no entanto, preciso perguntar de onde essa resposta veio, quais evidências ou fontes podem sustentá-la, quais premissas estão por trás dela e o que pode ter ficado de fora.

É nesse contexto que o pensamento crítico ganha centralidade. Não se trata apenas de conferir se um dado está correto, mas de compreender, analisar e confrontar informações e tomar decisões a partir delas. Isso não significa afastar os estudantes da IA, e sim ensiná-los a usar essa tecnologia de forma consciente. A ferramenta pode auxiliar no levantamento de ideias, na organização de roteiros ou no início de uma pesquisa . Mas o trabalho do estudante não termina na primeira resposta: é preciso checar evidências, buscar contradições, identificar lacunas e reconstruir o conteúdo a partir de seu próprio raciocínio.
A diferença fundamental está na autoria e na autonomia. Uma pessoa pode simplesmente delegar à IA a tarefa de pensar por ela ; outra pode, a partir da resposta gerada, formular novas perguntas, confrontar visões e construir conclusões próprias. A ferramenta é a mesma, mas a postura diante do conhecimento é totalmente distinta. Cabe a cada um julgar as respostas que recebe e assumir a responsabilidade pelas decisões que toma a partir delas.
Nesse cenário, a educação precisa preservar espaços em que não haja uma resposta imediata. A dúvida, o erro, o debate e o tempo para amadurecer uma ideia são, afinal, partes indispensáveis da aprendizagem. É nesses intervalos que o estudante estabelece relações entre informações, revisa certezas e desenvolve conexões originais.

O diálogo humano também não deve ser substituído pela agilidade dos algoritmos. Ao ouvir um colega com perspectiva divergente , o estudante lida com argumentos não considerados, identifica contradições e, eventualmente, repensa seus posicionamentos. Cabe à escola criar e preservar espaços para esse diálogo, essencial para a formação de cidadãos autônomos e responsáveis.
O principal desafio da escola na era da IA não é competir com respostas rápidas, mas garantir que crianças e jovens continuem dispostos a perguntar, investigar, duvidar e refletir antes de aceitar qualquer conclusão. Pensamento crítico, autoria, autonomia, responsabilidade e capacidade de dialogar não podem ser simplesmente terceirizados à tecnologia: dependem do exercício humano dessas capacidades. Em um mundo em que as respostas são cada vez mais acessíveis, formular boas perguntas e julgar criticamente as respostas tornam-se competências indispensáveis.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.


Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/10/se-a-ia-responde-tao-rapido-o-que-a-escola-ainda-precisa-ensinar.shtml.

Estudantes durante competição de programação em Lisboa - Rodrigo Antunes - 12.out.24/Reuters · Rodrigo Antunes - 12.out.24/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

