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    Se a IA é um risco existencial, o que fazer?

    Na última semana o mundo assistiu, estarrecido, a diversas manifestações de lideranças da inteligência artificial nos EUA argumentarem que a tecnologia representa um risco existencial para a humanidade. Leia mais (09/13/2026 - 14h00)

    Folha de S.Paulo
    13 de setembro de 2026 às 17:00
    Se a IA é um risco existencial, o que fazer?
    Três homens aparecem em retratos individuais alinhados horizontalmente. O da esquerda está de perfil para a direita, com cabelo curto e escuro, vestindo camisa branca e paletó escuro. O do centro está de frente, usa óculos de armação escura — Foto: Folha de S.Paulo

    Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro

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    Esta combinação de fotos mostra (da esquerda para a direita) o CEO da OpenAI, Sam Altman; o CEO da Anthropic, Dario Amodei; e Elon Musk; Amodei pediu às empresas de inteligência artificial que desacelerassem o desenvolvimento da tecnologia,
    Esta combinação de fotos mostra (da esquerda para a direita) o CEO da OpenAI, Sam Altman; o CEO da Anthropic, Dario Amodei; e Elon Musk; Amodei pediu às empresas de inteligência artificial que desacelerassem o desenvolvimento da tecnologia, — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na última semana o mundo assistiu, estarrecido, a diversas manifestações de lideranças da inteligência artificial nos EUA argumentarem que a tecnologia representa um risco existencial para a humanidade.

    No sábado (12), o presidente da Anthropic publicou um ensaio sobre esses riscos existenciais, pedindo a desaceleração da pesquisa da IA de fronteira , com outras medidas.

    Esses alertas devem ser levados a sério. Os ataques feitos por enxames de agentes de IA contra o site Hugging Face e contra a própria empresa OpenAI (mapeados de forma independente) mostram que a IA pode se comportar como nas cenas mais apocalípticas da ficção científica.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Só que essa agitação toda ainda está cercada de inação.

    O texto do presidente da Anthropic pede várias medidas . Só que a maioria depende de que "alguém" faça alguma coisa: reduzir o ritmo do desenvolvimento da IA desde que todas as empresas do setor concordem; análise permanente de riscos da IA, mas feita por avaliadores contratados pela empresa; coordenação entre governos democráticos sobre como regular a IA; e coordenação desses governos com a China.

    A pergunta é: o que pode ser feito aqui e agora? Afinal, estamos falando de riscos existenciais.

    Como escrevi em artigo publicado nos EUA com o professor da NYU Kenji Yoshino, as primeiras mudanças deveriam ser realizadas na governança da própria empresa.

    Hoje a Anthropic tem como peça central um "trust" com poderes de nomear a maioria do seu conselho e cuja função é zelar pelo interesse público em suas atividades. Afinal, a empresa foi fundada por ex-funcionários da OpenAI que queriam justamente desenvolver IA de forma segura.

    Só que esse trust é opaco, seus documentos não são públicos. Os trustees têm mandatos de apenas um ano e os acionistas podem anular suas decisões. Em suma, não possui a independência necessária para cumprir a missão.

    O caminho adequado seria criar um corpo independente e representativo de supervisores, com independência financeira e decisória, inclusive com respeito a sua própria composição.

    Esse corpo seria responsável por implementar padrões de segurança e transparência que a empresa não possa mudar por pressões internas, nem dos acionistas ou do mercado. Suas decisões seriam sempre transparentes. E em casos de incidentes, esse corpo seria responsável por conduzir as investigações e prestar contas para órgãos governamentais e o público.

    Uma estrutura como essa faz falta. Por exemplo, em fevereiro a Anthropic abandonou a promessa de cessar o treinamento sempre que as salvaguardas de segurança não pudessem ser garantidas. Além disso, seu modelo Mythos 5.1 não foi compartilhado com órgãos de segurança como o britânico AISI antes do lançamento, como era praxe antes.

    Por fim, a oferta pública de ações da empresa está prevista para outubro. Depois dela, qualquer melhoria de governança será muito mais difícil, então a mudança só tem chances de ser feita agora.

    Pedir para "ser regulado" em vez de fazer por si próprio lembra a cena d´Os Trapalhões em que Renato Aragão fingia querer brigar com um oponente e pedia para um colega: "me segura, me segura", mas não havia ninguém segurando. A diferença é que, no caso das empresas de IA, a piada não tem graça nenhuma.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2026/09/se-a-ia-e-um-risco-existencial-o-que-fazer.shtml.

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    Esta combinação de fotos mostra (da esquerda para a direita) o CEO da OpenAI, Sam Altman; o CEO da Anthropic, Dario Amodei; e Elon Musk; Amodei pediu às empresas de inteligência artificial que desacelerassem o desenvolvimento da tecnologia, — Foto: Folha de S.Paulo

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