Sauditas bombardeiam Iêmen; houthis atacam porto e derrubam caça
A guerra no Iêmen , novo cenário ativo do conflito no Oriente Médio , escalou ainda mais nesta quarta-feira (16). Leia mais (09/16/2026 - 09h37)

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
A guerra no Iêmen , novo cenário ativo do conflito no Oriente Médio , escalou ainda mais nesta quarta-feira (16).

Forças de Riad bombardearam diversas posições dos houthis do Iêmen ao longo da fronteira entre os dois países. Com isso, chegou a 450 o número de ataques nesta semana, segundo o comando dos rebeldes pró- Irã que tomaram a capital iemenita, Sanaa, em 2014.
De seu lado, os houthis disseram ter bombardeado uma instalação da estatal saudita Aramco no terminal petrolífero de Yanbu, atacado uma base aére e, pela primeira vez, derrubado um caça F-15 dos rivais.
Yanbu é o principal porto de exportação de Riad no mar Vermelho e vinha servindo de alternativa devido à obstrução do trânsito no estreito de Hormuz —cortesia da guerra entre Donald Trump e o Irã, que controla a via.

O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, disse nesta quarta que suas forças também derrubaram um caça F-15 saudita que participava dos ataques usando um míssil. Foram apresentadas fotos e um vídeo de má qualidade da ação, que não foi comentada por Riad.
Saree também anunciou mais um ataque à base Rei Khalid, em Khamis Mushait (sudoeste saudita). O local, que já foi atingido por mísseis nesta fase do conflito, sedia esquadrões justamente do F-15, inclusive a versão E, especializada em ataque tático.
Na véspera, um drone houthi havia sido abatido nas cercanias de Meca, a cidade mais sagrada do muçulmanismo, na Arábia Saudita . Os rebeldes negaram a ação, filmada, e a Liga Árabe a condenou nesta quarta.

O governo do reino desértico não falou sobre ações que não o ataque em Meca, como é praxe, mas elas foram confirmadas por seus aliados iemenitas baseados no porto de Áden (sul).
O governo expulso da capital, apoiado por sauditas, e outros grupos apoiados pelos Emirados Árabes Unidos, viveram uma guerra civil aberta com os houthis. Esse conflito estava congelado desde 2022, mas a guerra de Trump acabou por reabrir as hostilidades em julho.
Os houthis estavam apoiando o Irã no conflito e haviam atacado pontualmente Israel, mas ainda não tinham retomado a campanha de ações no mar Vermelho que bagunçou o comércio marítimo mundial de 2023 a 2025, em apoio aos terroristas palestinos do Hamas na guerra contra o Estado judeu.

Mas foi um bloqueio aéreo a Sanaa que levou à escalada, que de resto ocorre quando o Irã precisa de mais cartas para negociar algum tipo de acomodação com os EUA. Desde que a crise recrudesceu, o preço do petróleo disparou, chegando à casa dos US$ 108 o barril de contratos futuros —ante US$ 70 antes da guerra iniciada em fevereiro.
Áden vive a apreensão de ser o próximo alvo da ofensiva relâmpago dos rebeldes. Após anos sem se mexer, eles tomaram toda a costa iemenita do mar Vermelho e colocaram o estratégico estreito de Bab el-Mandeb na mira de seus mísseis e drones.
Com isso, pretende impor com mais eficácia o bloqueio aos portos sauditas da região, principalmente Yanbu, ligado aos campos produtores do leste do país por um oleoduto que foi atacado por drones lançados supostamente por grupos pró-Irã do Iraque na semana passada.
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo
A via, que servia para driblar o fechamento de Hormuz, foi interrompida, levando ao temor de que até 4% do petróleo do mundo seja bloqueado. A Aramco não comentou acerca do ataque desta quarta, e executivos da empresa acreditam que o fluxo no oleoduto possa ser retomado em breve, embora isso seja incerto.
Tudo isso levou à elevação do preço do petróleo e a uma maior pressão sobre Trump. Em novembro, seu Partido Republicano pode perder o controle que tem hoje do Congresso, com a guerra e a inflação de combustíveis como item de desgaste.
O cenário fez o republicano até anunciar uma trégua inexistente entre Rússia e Ucrânia acerca de ataques ao setor de energia dos dois países, como se isso fosse a causa única e não só uma contribuinte da escalada global de preços.
A Arábia Saudita chegou a pedir, segundo relatos não negados, para que Trump ajudasse a atacar os houthis, como fez em apoio a Israel antes. Mas o americano não aceitou, calculando presumivelmente o dano eleitoral de uma nova frente.
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Semanalmente, os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante
Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/sauditas-bombardeiam-o-iemen-houthis-atacam-porto-no-mar-vermelho.shtml.

Foto divulgada pelos houthis mostra combatentes sobre escombros de caça F-15 com marcação saudita - Anasarullah Media Center/AFP · Anasarullah Media Center/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
Compartilhe
Espalhe essa notícia

