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    Saúde mental: alta em jovens pode ser efeito de mais acesso e menor estigma

    Dados indicam aumento de casos, mas especialistas apontam que mais acesso, mudança de critérios e menor estigma também ampliam registros

    Metrópoles
    29 de setembro de 2026 às 05:00
    Saúde mental: alta em jovens pode ser efeito de mais acesso e menor estigma
    Foto: Metrópoles

    Nos últimos anos, o tema da saúde mental ganhou mais espaço no debate público, nas redes sociais e nos serviços de saúde. No fim de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que esses problemas estão mais presentes no dia a dia.

    A dúvida que fica é se houve, de fato, um aumento dos casos ou se hoje se fala mais sobre o assunto. A resposta, segundo especialistas, não é simples e envolve diferentes fatores, que vão desde mudanças no diagnóstico até transformações sociais recentes.

    Dados epidemiológicos apontam que houve, sim, crescimento de alguns transtornos, especialmente entre jovens. Segundo o psiquiatra Eduardo Perin, especialista em terapia cognitivo-comportamental (TCC), estudos indicam aumento de depressão , ansiedade e transtornos alimentares nas últimas décadas.

    Anthony Tran/Unsplash
    Anthony Tran/Unsplash — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Entre jovens de 10 a 24 anos, a prevalência de transtornos mentais aumentou cerca de 6,8% entre 1990 e 2021, e a depressão teve alta de aproximadamente 22,5%”, afirma.

    Ao mesmo tempo, ele destaca que esse cenário não pode ser explicado apenas como um aumento da doença em si. “Parte do crescimento observado também está relacionada ao maior reconhecimento, à busca por tratamento, à redução do estigma e à ampliação dos diagnósticos”, diz.

    A pandemia da Covid-19 também teve um papel importante nesse cenário. De acordo com Perin, houve aumento real de transtornos psiquiátricos durante o período, e não apenas de sintomas passageiros. “O Global Burden of Disease estimou aumento de cerca de 28% nos casos de depressão e 26% nos transtornos de ansiedade em 2020”, explica.

    Mulher sentada em frente a janela - Metrópoles
    Mulher sentada em frente a janela - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Além disso, estudos mostram que pessoas que tiveram Covid apresentaram maior risco de desenvolver problemas de saúde mental no ano seguinte , incluindo ansiedade, depressão e distúrbios do sono.

    Outro ponto que ajuda a entender o aumento dos números é a forma como os transtornos são classificados. O psiquiatra Raphael Boechat, da Universidade de Brasília (UnB), destaca que mudanças nos critérios diagnósticos aumentaram o número de pessoas enquadradas em determinadas condições.

    “Como exemplo podemos citar o autismo. Antes, a prevalência era muito baixa. Com a definição de espectro autista , esse número aumentou muito, porque passou a abranger mais pessoas”, afirma.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/saude-mental-alta-em-jovens-pode-ser-efeito-de-mais-acesso-e-menor-estigma.

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