Brasil

    Satisfação de professores no Brasil com condições de trabalho é a 36ª de 38 países, diz OCDE

    Menos da metade (44,3%) dos professores brasileiros dos anos finais do ensino fundamental diz estar satisfeita com as condições de trabalho , deixando o país na 36ª colocação entre 38 países e economias avaliados no mundo pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Leia mais (09/29/2026 - 06h00)

    Folha de S.Paulo
    29 de setembro de 2026 às 09:00
    Satisfação de professores no Brasil com condições de trabalho é a 36ª de 38 países, diz OCDE
    Grupo grande de estudantes com uniformes brancos sobe escada verde em corredor escolar. Ambiente interno com iluminação natural e paredes verdes. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    Menos da metade (44,3%) dos professores brasileiros dos anos finais do ensino fundamental diz estar satisfeita com as condições de trabalho , deixando o país na 36ª colocação entre 38 países e economias avaliados no mundo pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

    Estudantes circulam em corredores da escola estadual Professor Lourenço Filho, no Planalto Paulista, zona sul da capital paulista - Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress · Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress
    Estudantes circulam em corredores da escola estadual Professor Lourenço Filho, no Planalto Paulista, zona sul da capital paulista - Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress · Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Portugal e Japão têm proporções mais baixas de satisfação de docentes. Os dados são do relatório Education at a Glance 2026, divulgado nesta terça-feira (29). Produzido anualmente pela OCDE, clube de países ricos, o documento permite comparar indicadores educacionais entre as principais economias do mundo e países parceiros, como o Brasil.

    Os dados têm como base as respostas de professores à Talis (Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem), feita pelo órgão em 2024, para avaliar o ambiente escolar e as condições de trabalho dos educadores. Ao todo, foram ouvidos 127.163 docentes.

    Nesta edição, a OCDE dedica atenção especial à escassez de professores e às dificuldades enfrentadas por diversos países para atrair e manter profissionais na carreira.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para a organização, esse problema é, sobretudo, reflexo da percepção dos docentes sobre a valorização da profissão.

    Na média dos países da OCDE, 68,4% dos professores dos anos finais do ensino fundamental se dizem satisfeitos com as condições de trabalho, sem considerar os salários.

    A insatisfação é maior quando o tema é a remuneração. Enquanto 38,7% dos professores dos países da OCDE afirmam estar satisfeitos com o salário que recebem , no Brasil, o percentual é de 22,3%.

    logo do produto folha de redação
    logo do produto folha de redação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No grupo analisado, quatro países têm índices piores ao do Brasil em relação a professores satisfeitos com a remuneração: Turquia, Polônia, Islândia e Portugal.

    No relatório, a organização destaca que múltiplos fatores influenciam a visão dos professores sobre a profissão. "A escassez de professores tornou-se uma importante preocupação para as políticas públicas nos países da OCDE e em países parceiros, mas sua natureza, intensidade e causas subjacentes variam consideravelmente entre os sistemas educacionais", aponta o documento.

    "Salários competitivos e cargas de trabalho administráveis podem ajudar a atenuar a escassez de professores ao tornar a profissão mais atraente, mas não são suficientes. Autonomia profissional, lideranças que ofereçam apoio, relações de trabalho positivas, desenvolvimento de carreira e reconhecimento público também influenciam a atratividade da docência", destaca o relatório.

    O Brasil tem 37% dos professores dos anos finais do ensino fundamental contratados de forma temporária . O índice é quase o dobro da média dos países da OCDE, que têm 19% de docentes temporários.

    "Análises sugerem que a insegurança no emprego e os contratos temporários podem estar associados a uma menor satisfação no trabalho, menor comprometimento profissional e maiores riscos de rotatividade, particularmente entre professores mais jovens e aqueles que atuam em ambientes escolares mais desafiadores ", diz o documento.

    Além disso, o relatório indica que os professores brasileiros enfrentam maiores problemas de indisciplina do que os profissionais de países da OCDE.

    O Brasil é o quarto país com a maior proporção de professores que relatam precisar "frequentemente" ou "sempre" chamar a atenção de alunos que perturbam a sala —89,4% relataram essa situação. Chile, Portugal e Arábia Saudita têm índices superiores. Entre os países da OCDE, a média é de 72,1%.

    Além disso, 20,9% dos professores brasileiros relataram vivenciar muito estresse no ambiente escolar –pouco acima da média da OCDE, de 18,8%. Mais da metade dos docentes brasileiros (54,4%) também afirma que o excesso de trabalho administrativo é uma fonte de estresse "considerável" ou "grande", perto da média de 51,7%.

    "Enfrentar a escassez de professores não é apenas uma questão de recrutamento, mas também de ajudá-los a lidar com ambientes de sala de aula cada vez mais complexos", diz o relatório. "Portanto, políticas que disponibilizem profissionais de apoio especializados, fortaleçam os programas de integração e mentoria, ampliem a formação em educação inclusiva e reduzam tarefas administrativas desnecessárias podem desempenhar um papel importante na retenção de professores e na sustentabilidade da profissão no longo prazo."

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/09/satisfacao-de-professores-no-brasil-com-condicoes-de-trabalho-e-a-36a-de-38-paises-diz-ocde.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Estudantes circulam em corredores da escola estadual Professor Lourenço Filho, no Planalto Paulista, zona sul da capital paulista - Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress · Bruno Santos - 2.fev.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)