São Paulo ajuda a revelar milhares de vírus que ainda não eram conhecidos pela ciência
Levantamento em 102 cidades identificou quase 55 mil espécies de vírus de RNA, sendo cerca de 77% delas inéditas O post São Paulo ajuda a revelar milhares de vírus que ainda não eram conhecidos pela ciência apareceu primeiro em Olhar Digital .

São Paulo está entre as cidades que ajudaram a ampliar o que a ciência conhece sobre os vírus presentes no ambiente . Em um levantamento internacional, amostras coletadas na capital paulista fizeram parte de um conjunto de quase 3 mil materiais analisados em busca de vírus de RNA.
No total, o trabalho catalogou 54.945 espécies virais , e aproximadamente 77% delas não apareciam nas bases de dados científicas. O levantamento reuniu materiais de 102 cidades em 31 países e deu origem ao UPVAtlas , um catálogo voltado para vírus encontrados em ambientes urbanos e próximos às cidades.
A pesquisa , publicada na revista Nature Communications , incluiu amostras de diferentes origens, como hospitais, estações de transporte , bancos, superfícies de uso frequente, solo, água e esgoto. A ideia foi observar quais vírus estavam presentes nesses ambientes sem partir da busca por uma doença específica.

Uma das explicações está na própria maneira como os vírus costumam ser estudados . Grande parte do conhecimento acumulado vem de organismos que já foram associados a alguma doença. Vírus que não provocam problemas conhecidos acabam recebendo menos atenção.
Para ampliar essa visão, os pesquisadores analisaram diretamente o material genético encontrado nas amostras. A técnica utilizada, chamada metatranscriptômica , permite sequenciar de uma só vez as moléculas de RNA presentes em um determinado ambiente.
O processo gera milhões de fragmentos genéticos. Para separar o que correspondia a vírus, os pesquisadores utilizaram o geNomad , ferramenta de bioinformática desenvolvida por Antônio Pedro Camargo, professor do Instituto de Química da USP e um dos autores do estudo.

A comparação entre as sequências revelou grupos muito diferentes dos vírus já catalogados. Por isso, os autores sugeriram a existência de dois possíveis novos filos e uma nova classe de vírus de RNA . Essas classificações ainda são preliminares, pois foram determinadas a partir das análises computacionais.
Apesar do número, os quase 55 mil vírus encontrados não significam que novas ameaças à saúde tenham surgido nas cidades. Foi possível sugerir um possível hospedeiro para apenas cerca de um terço das sequências analisadas .
Entre os resultados, 60 vírus apresentaram alta probabilidade de infectar humanos , enquanto outros 47 foram associados a possíveis infecções em outros mamíferos. O levantamento também identificou 166 bacteriófagos , vírus que infectam bactérias.

O estudo ainda mostrou que a diversidade viral varia conforme o ambiente. Solo e sedimentos apresentaram grande variedade, enquanto superfícies urbanas tiveram diversidade menor. O esgoto foi uma exceção e apareceu entre os ambientes com maior diversidade.
Para os pesquisadores, o catálogo pode servir como uma espécie de ponto de partida para acompanhar essas comunidades virais no futuro. Comparações entre cidades e diferentes ambientes podem ajudar a entender como essa diversidade muda ao longo do tempo.
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Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/08/25/medicina-e-saude/sao-paulo-ajuda-a-revelar-milhares-de-virus-que-ainda-nao-eram-conhecidos-pela-ciencia/.

Vírus – Imagem: Natali _ Mis — Foto: Olhar Digital
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