São Luís 414 anos: como a capital maranhense virou a ‘Jamaica Brasileira’
Bloco do Reggae no circuito Vem Pro Mar, em São Luís Pink de Cássia Em São Luís, o reggae ganhou um jeito próprio: dança agarradinha, músicas com apelidos e festas que reúnem multidões ao som de grandes radiolas. Essa ligação com o gênero jamaicano tornou a capital do Maranhão, que completa 414 anos nesta terça-feira (8), conhecida como a “Jamaica Brasileira”. Desde 2023, a cidade também tem o título oficial de Capital Nacional do Reggae. O reconhecimento veio quase cinco décadas depois de o ritmo conquistar os salões de festas e se tornar parte da identidade local. ✅ Clique aqui para seguir o
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Bloco do Reggae no circuito Vem Pro Mar, em São Luís — Foto: Pink de Cássia
Em São Luís , o reggae ganhou um jeito próprio: dança agarradinha, músicas com apelidos e festas que reúnem multidões ao som de grandes radiolas. Essa ligação com o gênero jamaicano tornou a capital do Maranhão, que completa 414 anos nesta terça-feira (8), conhecida como a “ Jamaica Brasileira ”.
Desde 2023, a cidade também tem o título oficial de Capital Nacional do Reggae . O reconhecimento veio quase cinco décadas depois de o ritmo conquistar os salões de festas e se tornar parte da identidade local.

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Segundo Karla Freire, especialista em Jornalismo Cultural e mestra em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), essa história começou nos salões de festas dos bairros populares. No fim dos anos 1970, discos de reggae passaram a fazer parte do repertório das danceterias e conquistaram sobretudo jovens negros das periferias.
Nos anos 1980, as festas e os programas de rádio especializados ampliaram a divulgação do gênero. A expressão “Jamaica Brasileira” ganhou força nesse circuito e passou a traduzir a presença da música jamaicana na vida da cidade.
O público também imprimiu seus costumes ao novo som. Os casais dançavam “agarradinhos”, e as gravações ganharam apelidos, os famosos “melôs”.
Nas radiolas, sistemas com grandes conjuntos de caixas de som, a disputa por músicas exclusivas levou proprietários a esconder até os nomes impressos nos discos.
Em 2020, o projeto de lei que propôs o título de Capital Nacional do Reggae para São Luís citava, em sua justificativa, a existência de mais de 200 radiolas na cidade .
A seguir, nesta reportagem, você vai ver:
De onde veio o nome ‘Jamaica Brasileira’? Antes de ser reggae, era ‘música estrangeira lenta’ Por que se dança agarradinho? As radiolas e os discos com selos raspados Os ‘melôs’: músicas que ganharam outros nomes Do preconceito ao título de Capital Nacional do Reggae
De onde veio o nome ‘Jamaica Brasileira’?
Uma memória sobre o surgimento da expressão aparece em um depoimento de Fauzi Beydoun, cantor da banda Tribo de Jah e comunicador, à pesquisadora Maria do Carmo Lima Morais. A entrevista integra o artigo “A invenção da expressão ‘Jamaica Brasileira’”, publicado em 2008 na revista Cambiassu, da UFMA.
Para Fauzi, a comparação nasceu das afinidades que percebia entre os clubes locais e a Jamaica, da presença da cultura negra e da maneira como os maranhenses adotaram o gênero. Na análise de Maria do Carmo, os meios de comunicação tiveram papel central na divulgação dessa imagem da cidade .
O apelido também provocou resistência. Segundo o antropólogo e professor da UFMA, Carlos Benedito Rodrigues da Silva, parte da elite rejeitou a associação com a Jamaica, enquanto valorizava o nome “Atenas Brasileira”, ligado à tradição literária de São Luís.
“A Atenas brasileira é algo que remete à Europa e ser a Jamaica brasileira é algo que remete à África. E não agradou a elite”, afirmou.
Antes de ser reggae, era ‘música estrangeira lenta’
Há diferentes relatos sobre como os primeiros discos de reggae chegaram ao Maranhão. Karla Freire reúne versões sobre marinheiros que teriam trazido vinis e os trocado por comida e bebida. Outra explicação destaca a circulação de discos vindos do Pará e o papel do DJ José Ribamar da Conceição Macedo, o Riba Macedo.
Segundo a pesquisadora, donos de radiolas reconhecem Riba como um dos pioneiros na divulgação do gênero . Ele teria conhecido o vendedor Carlos Santos, que passou a levar discos de reggae para seu repertório.
Dia Nacional do Reggae: das origens jamaicanas ao reconhecimento cultural, no Maranhão
Nos salões dos anos 1970, os discotecários inseriam aquelas músicas entre sequências de outros ritmos. Antes de conhecer o nome do gênero, parte do público o chamava até de “música estrangeira lenta”.
Além disso, a identificação não dependia apenas da compreensão das letras. Para Karla, a juventude negra incorporou o reggae também ao comportamento e à maneira de se vestir.
“A juventude negra se identifica com o ritmo e passa a adotar o reggae como um ritmo seu; um ritmo que, apesar de ser em língua estrangeira, em inglês, em que praticamente não se entendiam as letras, havia um sentimento de pertencimento”, explicou.
Publicado originalmente por G1. Leia a matéria completa em https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2026/09/08/sao-luis-414-anos-como-a-capital-maranhense-virou-a-jamaica-brasileira.ghtml.

Estilo de dançar reggae 'agarradinho' vira Patrimônio Imaterial do Maranhão — Foto: G1
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