Sangue menstrual é usado para detectar HPV em pesquisa
Um teste para detectar o HPV (papilomavírus humano) a partir do sangue menstrual coletado no absorvente apresentou desempenho semelhante ao exame convencional em um estudo feito com mais de 3.000 mulheres na China . Leia mais (08/07/2026 - 10h34)

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Um teste para detectar o HPV (papilomavírus humano) a partir do sangue menstrual coletado no absorvente apresentou desempenho semelhante ao exame convencional em um estudo feito com mais de 3.000 mulheres na China .

Na pesquisa, publicada na revista científica BMJ, o método apresentou sensibilidade de 94,7% para identificar lesões cervicais de alto grau, praticamente o mesmo índice do teste feito a partir da coleta realizada por profissionais de saúde , que alcançou 92,1%.
Os autores sugerem que a estratégia poderia ampliar o acesso ao rastreamento do câncer do colo do útero , especialmente em regiões onde a cobertura dos exames é baixa ou em que mulheres enfrentam barreiras para ter atendimento médico.
A infecção persistente por HPV de alto risco é o principal fator para o desenvolvimento da doença, que causa cerca de 348 mil mortes por ano no mundo e aproximadamente 661 mil novos casos anuais.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores avaliaram 3.068 mulheres com idades entre 20 e 54 anos, com ciclos menstruais regulares, residentes em áreas urbanas e rurais.
As participantes realizaram três tipos de exames: teste de HPV a partir do sangue menstrual coletado em um absorvente, amostras cervicais feita por profissionais de saúde e a citologia cervical ( Papanicolau ).
Aquelas que testaram positivo para o vírus por qualquer método de coleta ou por citologia foram encaminhadas para biópsia dirigida por colposcopia.
A principal métrica de resultado foi a precisão diagnóstica para detectar lesões de grau 2 ou pior e de grau 3 ou pior, consideradas de alto risco para câncer .
Entre todas as participantes, o teste de HPV no sangue menstrual mostrou praticamente a mesma sensibilidade do exame convencional.
A especificidade do método (ou seja, a capacidade de apontar corretamente quem não tem a condição) foi um pouco menor (89,1% contra 90% do exame convencional), mas o valor preditivo negativo, isto é, a probabilidade de uma mulher com resultado negativo realmente não ter lesão, foi idêntico nos dois métodos, alcançando 99,9%.
Apesar do potencial do teste, ainda existem desafios para a adoção na prática. Na avaliação da ginecologista Renata Bonaccorso Lamego, do Einstein Hospital Israelita, os achados são significativos em termos de acurácia diagnóstica, mas não significa que o método vá substituir o modelo atual de rastreamento.
"Na prática clínica isso acrescenta muito pouco, principalmente por causa de questões logísticas. Os kits para coleta de HPV ainda são caros, não podem ser desperdiçados, e existe o risco de entregar o material para a paciente e ela simplesmente não realizar o exame ou não saber o que fazer com aquela informação", observa.
Outro ponto que dificulta a substituição do exame convencional pela coleta de sangue menstrual é o manejo dos resultados positivos.
"Se o resultado vier negativo para HPV, ótimo: a mulher pode repetir o exame apenas depois de cinco anos. O problema é quando o teste dá positivo", alerta Lamego.
Segundo a especialista, cerca de 20% das mulheres brasileiras testam positivo para HPV , mas o índice pode ser ainda maior entre as mais jovens.
"Nesse cenário, surgem várias questões: qual seria o fluxo dessas pacientes no sistema de saúde? Como orientar essas mulheres sobre o significado do resultado?", indaga.
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A presença do vírus não significa que há lesão por HPV ou câncer. "Na verdade, apenas entre 3% e 7% das mulheres com HPV positivo apresentam lesões de alto grau ou câncer de fato. Um aumento de resultados positivos pode gerar ansiedade e aumentar a demanda por exames no sistema de saúde", avalia a ginecologista do Einstein.
No Brasil, cerca de 19 mil novos diagnósticos de câncer de colo do útero devem ocorrer a cada ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Inca (Instituto Nacional de Câncer). Quando detectada precocemente e tratada de forma adequada, a doença apresenta alto potencial de cura. Além disso, é prevenível por vacinação e rastreamento organizado.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/08/sangue-menstrual-e-usado-para-detectar-hpv-em-pesquisa.shtml.

Foto: Folha de S.Paulo
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