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    Sangue humano pode ter sido usado em pintura rupestre de 2 mil anos

    Pesquisadores encontraram proteínas associadas a sangue humano e animal no material que ajudava a prender o pigmento vermelho nas rochas

    Metrópoles
    16 de agosto de 2026 às 16:02
    Sangue humano pode ter sido usado em pintura rupestre de 2 mil anos
    Foto: Metrópoles

    Pinturas rupestres feitas há mais de dois mil anos no sul da China podem ter sido produzidas com a utilização de sangue humano e animal. Pesquisadores encontraram proteínas associadas ao sangue em uma camada usada para fixar o pigmento vermelho às paredes de calcário.

    O estudo, publicado em 23 de julho no Journal of Archaeological Science , analisou pinturas de Huashan, na região autônoma de Guangxi, na China. A descoberta ajuda a explicar por que as imagens permaneceram preservadas durante séculos em uma área quente, úmida e atingida por chuvas intensas.

    O sangue, porém, não era responsável pela cor vermelha. Segundo as análises, o pigmento vinha principalmente de argila rica em hematita, mineral que contém ferro. O sangue fazia parte de uma mistura aplicada entre a rocha e o pigmento, funcionando como material de ligação.

    Reprodução / Unesco
    Reprodução / Unesco — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    As obras integram a paisagem cultural de arte rupestre de Zuojiang Huashan, reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2016. O conjunto reúne mais de 80 sítios distribuídos ao longo de aproximadamente 260 quilômetros no vale do rio Zuojiang.

    As pinturas mostram principalmente figuras humanas, animais e objetos. A produção é associada aos Luoyue, povos que viveram na região entre o século V a.C. e o século II d.C.

    Para descobrir quais materiais foram empregados, os pesquisadores analisaram fragmentos que já haviam se desprendido naturalmente das rochas em três sítios: Gaoshan, Daningshan e Tunpingshan.

    foto colorida de pintura rupestre de cor avermlhada, presente em uma rocha - Metrópoles.
    foto colorida de pintura rupestre de cor avermlhada, presente em uma rocha - Metrópoles. — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    As análises mostraram três partes principais: a parede de calcário, uma fina camada usada para fixação e, por cima, o pigmento vermelho. A camada intermediária continha carbonato de cálcio, fosfato de cálcio e proteínas relacionadas ao sangue .

    A partir dos resultados, os cientistas reconstruíram uma possível técnica usada pelos antigos artistas. Segundo eles, uma mistura de cal, fosfato de cálcio e sangue teria sido aplicada sobre o calcário. Depois, o pigmento de argila vermelha era colocado por cima.

    As proteínas do sangue teriam ajudado na formação de uma estrutura mineral compacta, capaz de manter as partículas de hematita presas à parede. Segundo os pesquisadores, a técnica pode ter contribuído para a conservação das imagens por mais de dois mil anos.

    A análise das proteínas apontou sinais compatíveis com sangue humano e animal. Os autores também levantaram a hipótese de que parte do sangue humano pudesse ter vindo de mulheres durante o parto , possibilidade relacionada por eles a práticas culturais e à importância da fertilidade entre os Luoyue.

    Os cientistas tentaram extrair DNA das amostras para obter informações mais precisas, mas não conseguiram. O ambiente alcalino criado pelos materiais utilizados na mistura pode ter degradado o material genético ao longo do tempo. Por isso, a pesquisa não permite identificar quem forneceu o sangue, nem determinar o sexo das pessoas ou como ele foi obtido.

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    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/ciencia/sangue-humano-pode-ter-sido-usado-em-pintura-rupestre-de-2-mil-anos.

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