Samsung, Bradesco e Electrolux: Casas Bahia tem 28 mil credores; veja maiores dívidas
Vista geral do depósito de eletrodomésticos da Casas Bahia em Jundiaí, em 4 de dezembro de 2009 REUTERS/Paulo Whitaker " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/08/2026-08-17T100552Z_1_LYNXMPEM7G0M0_RTROPTP_4_PAODEACUCAR-CASASBAHIA.jpg?fit=1280%2C788&quality=70&strip=all" />Varejista protocolou pedido de recuperação judicial para renegociar dívidas que somam R$ 17,3 bilhões The post Samsung, Bradesco e Electrolux: Casas Bahia tem 28 mil credores; veja maiores dívidas appeared first on InfoMoney .

Vista geral do depósito de eletrodomésticos da Casas Bahia em Jundiaí, em 4 de dezembro de 2009 REUTERS/Paulo Whitaker
O pedido de recuperação judicial protocolado pelas Casas Bahia ( BHIA3 ) inclui dívidas de R$ 17,3 bilhões devidas a cerca de 28 mil credores. A relação é diversa, e inclui desde bancos e fundos de investimentos até grandes fornecedores de eletrodomésticos e eletrônicos vendidos pela varejista. A maior parte das dívidas, cerca de R$ 16,4 bilhões, são do tipo quirografárias, ou seja, sem garantia real, como débitos com fornecedores. Já dívidas de natureza trabalhistas totalizam R$ 754,5 milhões.
Encabeça a lista a Zurich Minas Brasil Seguros, parceira do grupo Casas Bahia na oferta de seguros como garantia estendida e proteções para celulares e eletrônicos. A varejista deve à seguradora R$ 1,97 bilhão.

Em seguida aparece o IBCB-AF01, fundo de investimento usado pela companhia para estruturar operações, com R$ 1 bilhão em aberto.
A Samsung é a terceira do ranking, com R$ 937,6 milhões a receber da varejista. Outros fornecedores também compõem a lista, como a Electrolux (R$ 700 milhões), a Whirpool (R$ 635,9 milhões), a LG (R$ 623,7 milhões) e a Motorola (R$ 619 milhões).
Já entre as instituições financeiras, o Bradesco tem R$ 655,6 milhões a receber, entre valores devidos ao Bradesco e ao banco Digio, controlado pelo Bradesco. A lista ainda inclui o Banco do Brasil (R$ 598,1 milhões) e o Itaú (R$ 208,3 milhões).

No pedido de reestruturação levado à Justiça no domingo, a Casas Bahia argumenta que enfrenta a “pior crise financeira desde a fundação”, num cenário ainda mais complexo que o vivido em 2024, quando a empresa passou por uma recuperação extrajudicial. Agora, a companhia acumula dívidas de R$ 17,3 bilhões. Após o pedido de recuperação judicial, as ações da Casas Bahia despencam quase 30% nesta segunda-feira .
O grupo justifica que o aumento da taxa Selic a partir de 2021 produziu “efeitos especialmente severos”, já que sua operação é “estruturalmente dependente” do crediário. Os carnês remontam à criação da empresa, na década de 1950, e hoje respondem por 15,9% das vendas. Entre abril e junho, a carteira de crediário da Casas Bahia fechou em R$ 6,3 bilhões.
Os juros altos também aumentaram o custo da empresa com a manutenção dos estoques e as operações de risco sacado com fornecedores. Nesse modelo, bancos antecipam aos fornecedores o pagamento pelas mercadorias vendidas à varejista, que ganha um prazo maior, com juros, para quitar a dívida com a instituição financeira.

;Além dos juros, a companhia alega que o cenário também foi dificultado pela inflação — que comprimiu a renda e o poder de compra das famílias, especialmente as mais pobres —, e o aumento da concorrência “com plataformas internacionais”, como Amazon ( AMZO34 ) e Mercado Livre ( MELI34 ).
A crise, portanto, não é recente. Ainda em 2023, a empresa implementou um plano de reestruturação, com o fechamento de 55 lojas, a demissão de 8,6 mil funcionários e a redução de R$ 1 bilhão em estoques.
Ainda assim, as medidas não foram suficientes. No ano seguinte, a Casas Bahia passou por um processo de recuperação extrajudicial, com um passivo de R$ 4,1 bilhões.

Mesmo após o processo, a grupo diz que continuou a enfrentar dificuldades econômico-financeiras que agora culminaram no pedido de reestruturação judicial. Entre as frentes de recuperação, a empresa cita o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários em agosto.
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Foto: InfoMoney
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