Política

    Salles explora origem de Marina e Tebet em debate ao Senado

    Candidatos também divergem sobre escala 6 X 1, STF, segurança pública e Banco Master

    Poder360
    10 de setembro de 2026 às 12:12
    Salles explora origem de Marina e Tebet em debate ao Senado
    marina-salles — Foto: Poder360

    Candidatos também divergem sobre escala 6 X 1, STF, segurança pública e Banco Master

    O candidato ao Senado por São Paulo, Ricardo Salles (Novo), explorou durante o debate da Band , na 4ª feira (9.set.2026), o fato de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) terem construído suas trajetórias políticas fora do Estado. Chamou as duas de “forasteiras” e disse que foram “rechaçadas” no Acre e no Mato Grosso do Sul.

    Marina reagiu e comparou o tratamento dado às duas ao recebido pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que deixou o Rio de Janeiro para disputar o governo paulista em 2022. Para ela, a diferença se dá por serem mulheres.

    Na imagem, Marina Silva (esq.) e Ricardo Salles (dir.)
    Na imagem, Marina Silva (esq.) e Ricardo Salles (dir.) — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    O debate reuniu também Soninha Francine (Cidadania), André do Prado (PL), Guilherme Derrite (PP) e Geraldo Rufino (Podemos). Em pouco mais de duas horas, os candidatos trataram ainda de segurança pública, corrupção, Supremo Tribunal Federal, jornada de trabalho, emprego, saúde e meio ambiente.

    Salles apresentou a crítica a Marina e Tebet logo nos primeiros minutos, durante confronto com André do Prado.

    “Foram expulsas dos seus Estados porque ninguém as quer mais, tanto no Mato Grosso do Sul quanto no Acre. E vieram aqui enganar paulista. Nunca fizeram nada por São Paulo, ao contrário, fizeram muita coisa contra” , declarou.

    Marina
    Marina — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    O tema voltou quando Marina criticou a gestão paulista e disse que São Paulo estava “ficando para trás” em educação, segurança pública e desenvolvimento econômico.

    Salles respondeu dizendo ser “absurdo” que candidatas que nunca teriam vivido no Estado criticassem São Paulo. Também afirmou que Marina e Tebet defenderam medidas que prejudicariam os interesses paulistas.

    Marina rebateu: “Quando é um homem que sai lá do Rio de Janeiro para ser candidato ao governo do Estado de São Paulo, é tapete vermelho. Quando são mulheres, são tratadas como forasteiras. Nós temos uma biografia, temos um serviço prestado aos nossos Estados de origem e ao país” , declarou.

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    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    No 2º bloco de confrontos, Derrite também questionou Marina. Ela voltou à comparação com Tarcísio.

    “Por que o governador pôde sair do Rio de Janeiro em 2022, na mesma época em que eu saí, e ser candidato, e nós duas não podemos?” , disse.

    Marina afirmou ter relação com São Paulo desde 1979 e declarou: “Eu não finjo que eu sou paulista, não fico decorando um monte de coisa para fingir que eu sou paulista” .

    Tebet
    Tebet — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Derrite disse depois que a situação de Tarcísio seria diferente porque o governador teria escolhido São Paulo para iniciar sua carreira política.

    A repercussão nas redes sociais foi mais explorada por Marina e Tebet, que são aliadas. Marina reproduziu sua defesa sobre a mudança de domicílio. Tebet publicou que pretende ser “a voz de São Paulo no Senado” .

    Salles fez duas publicações de ataque. Em uma, escreveu: “Forasteira nenhuma vai falar mal do meu Estado de SP! Se enxerga Marina! Volta pro Acre e não encha a paciência!” . Na outra, atacou André do Prado. O candidato do PL uma imagem dizendo que “venceu” o debate.

    andre-prado
    andre-prado — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    Salles e Prado também protagonizaram um dos principais confrontos da noite. O candidato do Novo questionou as credenciais de direita do presidente da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) e citou apoios dados pelo PL, anteriormente chamado PR, a políticos do PT e aliados.

    Prado respondeu lembrando que Salles integrou governos de Geraldo Alckmin, e mencionou investigações que tiveram o ex-ministro como alvo.

    Na 2ª metade do debate, Salles voltou a associar Prado ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto , e ao centrão. Prado questionou se Salles votaria pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes caso fosse eleito senador.

    Salles respondeu posteriormente: “Vou dizer com todas as letras. A resposta é sim” .

    Prado também ironizou as passagens do adversário por governos anteriores: “Você foi demitido duas vezes pelo governador Geraldo Alckmin, uma vez pelo Bolsonaro. Até pedir música no Fantástico” .

    A segurança pública produziu divergências e algumas aproximações. Tebet disse que “bandido bom é bandido preso” e defendeu que detentos trabalhem e estudem. Também afirmou estar disposta a discutir a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes graves, como latrocínio, homicídio doloso em caso de reincidência e estupro.

    Derrite fez do tema um confronto com Marina. Questionou por que ela havia votado contra a redução da maioridade penal na Câmara.

    Marina respondeu que, como professora, não considera adequado “tratar adolescentes como se eles fossem bandidos” .

    Derrite citou crimes cometidos por adolescentes e afirmou que quem pode votar aos 16 anos deve responder como adulto por crimes graves.

    O fim da escala 6 X 1 colocou Marina e Tebet de um lado e Salles do outro. Marina defendeu 2 dias de descanso semanal. Tebet disse que votará pelo fim da escala sem redução salarial e afirmou ter encomendado, quando ministra do Planejamento e Orçamento, um estudo sobre os impactos econômicos da medida.

    A candidata citou uma frase que disse ter ouvido de uma mulher: “Simone, a minha vida não cabe num domingo” .

    “Qual é a vida? De quem é a vida que cabe num domingo? Especialmente de uma mulher com filhos que chega no domingo, tem que cuidar da casa, do companheiro, dos filhos, dos pais doentes. A vida de ninguém cabe num domingo” , afirmou.

    Salles declarou que votaria contra a proposta, como fez na Câmara. Disse que o Estado não deve interferir na relação entre empregados e empregadores e defendeu maior flexibilidade nas formas de contratação.

    A relação entre Senado e STF também apareceu em diferentes momentos. Tebet disse no início que, se o Supremo não der respostas sobre o Banco Master, caberá ao Senado agir.

    Mais tarde, afirmou que possíveis irregularidades devem ser investigadas independentemente do envolvido e citou Alexandre de Moraes, André Mendonça, Flávio Bolsonaro (PL) e Ciro Nogueira (PP).

    “Não interessa se é Alexandre de Moraes ou André Mendonça, se é Flávio Bolsonaro ou Ciro Nogueira. Abuso de poder é abuso de poder” , declarou.

    Tebet defendeu mandato de 12 anos para ministros do Supremo, idade mínima para indicação e limites às decisões monocráticas.

    Prado também defendeu que o Senado processe ministros em caso de crime de responsabilidade. Salles, depois de ser questionado diretamente, disse que votaria a favor de um processo de impeachment de Moraes.

    Soninha e Rufino protagonizaram um trecho menos marcado por ataques ao tratar da população em situação de rua.

    Rufino relatou ter chegado a São Paulo aos 4 anos, vivido inicialmente na região da Estação da Luz e depois em uma favela. Associou a redução da pobreza e da criminalidade à criação de trabalho e renda.

    Soninha destacou a necessidade de políticas de saúde mental e de atendimento ao alcoolismo entre pessoas que vivem nas ruas.

    Marina e Soninha também discutiram mudança climática. A candidata da Rede defendeu recursos para adaptação das cidades e citou programas federais de enfrentamento a eventos extremos. Aproveitou o tema para criticar a gestão de Salles no Ministério do Meio Ambiente durante o governo Jair Bolsonaro (PL).

    As pesquisas mais recentes indicam uma disputa aberta pelas 2 vagas de São Paulo no Senado. A Futura/100% Cidades mostrou Marina com 34,9% e Tebet com 32,7% dos votos consolidados de 1ª e 2ª escolha. Já a Quaest registrou Marina e Derrite com 14% cada e Tebet com 12%, em empate dentro da margem de erro. André do Prado marcou 7% e Salles, 3%.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/salles-explora-origem-de-marina-e-tebet-em-debate-ao-senado/.

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