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    Salesforce quer levar sua IA para onde o cliente já está — e vê Brasil ganhar espaço

    Dreamforce reúne clientes, parceiros e executivos da Salesforce em San Francisco entre 15 e 17 de setembro (Divulgação) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/09/dream-force-abre.jpg?fit=1280%2C854&quality=70&strip=all" />Na conferência anual da Salesforce, em San Francisco, agentes de IA viram peça central da disputa por espaço nas empresas The post Salesforce quer levar sua IA para onde o cliente já está — e vê Brasil ganhar espaço appeared first on InfoMoney .

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    27 de setembro de 2026 às 19:13
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    Dreamforce reúne clientes, parceiros e executivos da Salesforce em San Francisco entre 15 e 17 de setembro (Divulgação)

    SAN FRANCISCO, EUA — A próxima fronteira da inteligência artificial, para a Salesforce, pode não ser uma nova tela. A empresa quer colocar seus agentes de IA dentro dos canais que consumidores e funcionários já usam, como WhatsApp, Slack, Teams e ChatGPT, conectando esses ambientes aos dados e sistemas que ficam por trás das operações.

    No Dreamforce, evento anual da companhia em San Francisco, a Salesforce colocou os agentes de IA no centro de sua estratégia. O Agentforce, plataforma de agentes de IA da companhia, é uma das principais peças desse movimento e busca fazer com que esses sistemas não apenas respondam a perguntas, mas também consultem informações e executem tarefas.

    Agentes de inteligência artificial estiveram no centro do Dreamforce 2026 (Divulgação)
    Agentes de inteligência artificial estiveram no centro do Dreamforce 2026 (Divulgação) — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    É uma estratégia que muda o papel que a Salesforce pretende desempenhar no mercado de inteligência artificial. Em vez de depender de um único modelo ou de fazer o usuário entrar em uma nova interface, a companhia quer estar por trás de diferentes experiências — conectando modelos de IA, dados das empresas e ações que podem ser executadas por agentes.

    “O cliente realmente pode extrair mais valor da plataforma uma vez que já trabalha naquela interface que escolheu”, disse Rodrigo Bessa, gerente-geral da Salesforce no Brasil, em entrevista ao InfoMoney durante o Dreamforce. Segundo ele, os agentes podem operar em ambientes como Slack, Teams, ChatGPT e WhatsApp.

    A aposta é relevante para a Salesforce porque a disputa pela porta de entrada da IA nas empresas se ampliou. OpenAI, com o ChatGPT, Anthropic, com o Claude, e Google, com o Gemini, oferecem ambientes em que funcionários já podem pesquisar informações, produzir conteúdo e, cada vez mais, executar tarefas. Se esse tipo de ferramenta passar a concentrar uma parcela maior do trabalho corporativo, os sistemas de gestão usados por trás da operação podem ficar menos visíveis para o usuário.

    Conferência anual da Salesforce ocupa o centro de San Francisco durante o Dreamforce 2026 (Divulgação)
    Conferência anual da Salesforce ocupa o centro de San Francisco durante o Dreamforce 2026 (Divulgação) — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    A Salesforce tenta responder a esse movimento conectando seus dados e sistemas a essas novas interfaces. Ao mesmo tempo, procura fazer com que seus próprios agentes executem tarefas mais complexas, em vez de apenas responder a perguntas. “São humanos mais agentes”, afirmou Bessa.

    Para Charly Arguindegui, vice-presidente executivo e líder da Salesforce para a América Latina, a estratégia também depende de um ecossistema maior do que a própria companhia. “A Salesforce, sem os ecossistemas, sem os parceiros, não poderia existir”, afirmou. A ideia ajuda a explicar o posicionamento da Salesforce: em vez de controlar todas as ferramentas usadas pelos clientes, a companhia busca conectar seus agentes e dados a elas.

    O Brasil aparece nesse plano também pelo tamanho do mercado e pelo uso disseminado de canais digitais, especialmente o WhatsApp. “Quando você tem um caso de uso focado no consumidor final, normalmente ele tem um alto volume e um alto impacto. Então o Brasil é um candidato natural a sair na frente”, disse Bessa.

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    Um dos exemplos apresentados no Dreamforce veio da Arcos Dorados, operadora do McDonald’s em 21 mercados da América Latina e Caribe. A empresa desenvolveu uma estratégia para a Copa do Mundo de 2026 que combina dados em tempo real e comunicação com consumidores.

    O problema comercial era simples: durante os jogos, parte dos consumidores pode permanecer em casa, o que pode reduzir o movimento nos restaurantes. “O principal concorrente nosso não é o BK. Não é o Habib’s. É o sofá”, disse Diego Higuera, diretor regional de Aquisição e Engajamento de Clientes da Arcos Dorados.

    A companhia criou promoções, produtos especiais, missões e outras ações relacionadas ao torneio. Uma API esportiva forneceu informações como gols, cartões, intervalo e pausas para hidratação, que são integradas às ferramentas de marketing. A partir de uma matriz previamente definida, diferentes acontecimentos podem disparar mensagens e ações específicas.

    Agentes de inteligência artificial estiveram no centro do Dreamforce 2026 (Divulgação)
    Agentes de inteligência artificial estiveram no centro do Dreamforce 2026 (Divulgação) — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Na prática, a estratégia permite que a marca reaja mais rapidamente ao que acontece em campo e adapte as campanhas aos diferentes países em que a Arcos Dorados atua. “A gente está na hora, decidindo todo o tempo o que a gente vai fazer”, afirmou Higuera, sobre a necessidade de reagir em tempo real a eventos imprevisíveis durante os jogos.

    A iniciativa se apoia em uma transformação digital que a companhia vem fazendo há anos. Desde 2017, a Arcos Dorados ampliou o uso de quiosques, aplicativos, delivery e do programa de fidelidade Meu Méqui. Segundo Higuera, aproximadamente 70% das vendas no Brasil hoje passam por alguma interface digital.

    Na Ford, o ponto de partida é outro: organizar os dados que alimentam essas aplicações. A montadora utiliza ferramentas da Salesforce para uniformizar processos de atendimento e comunicação na América do Sul e estruturou um data lake , um grande repositório que reúne informações de diferentes sistemas em um mesmo ambiente.

    Conferência anual da Salesforce ocupa o centro de San Francisco durante o Dreamforce 2026 (Divulgação)
    Conferência anual da Salesforce ocupa o centro de San Francisco durante o Dreamforce 2026 (Divulgação) — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    “Eu entendo que não existe inteligência artificial sem dados muito bem estruturados”, afirmou Fernanda Vargas, gerente sênior de TI para Experiência do Cliente da Ford na América do Sul. A partir dessa base, a companhia passou a incorporar IA a diferentes momentos da relação com o consumidor, da intenção de compra ao pós-venda e à manutenção.

    A tecnologia, nesse caso, pode ficar praticamente invisível para o consumidor. “Para o cliente é só uma jornada. Por trás, tem vários assistentes, agentes, MCPs”, disse Vargas. MCP, sigla para Model Context Protocol, é um padrão que facilita a conexão de modelos de inteligência artificial a ferramentas e sistemas. Na prática, permite que um agente consulte informações e use recursos de diferentes aplicações sem que o usuário precise fazer essas conexões manualmente.

    O exemplo da Ford também expõe um dos obstáculos da estratégia. Quanto mais sistemas e modelos diferentes participam de uma mesma jornada, maior é a necessidade de organizar dados, permissões e responsabilidades. A promessa de uma experiência simples para o consumidor depende, portanto, de uma estrutura mais complexa nos bastidores.

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    O desafio, para a Salesforce, é transformar essa integração em valor concreto para os clientes — e não apenas em mais uma camada de tecnologia dentro das empresas.

    É nesse ponto que entra uma das principais apostas da Salesforce: não obrigar o cliente a escolher uma única IA. No Dreamforce, a companhia apresentou integrações com diferentes modelos, incluindo o Claude, da Anthropic, e o Gemini, do Google, além de defender que agentes possam ser acionados a partir de ferramentas como o ChatGPT.

    A parceria com a Anthropic é particularmente significativa. Em agosto, as duas empresas anunciaram o Claudeforce, que permite levar dados, fluxos de trabalho e regras da Salesforce para dentro do Claude. A primeira aplicação permite que equipes de vendas consultem informações sobre seus negócios, preparem reuniões e atualizem o pipeline diretamente a partir do ambiente da Anthropic.

    A integração funciona nos dois sentidos: o Claude está disponível dentro da própria Salesforce, permitindo que empresas usem o modelo para trabalhar sobre dados e tarefas que já estão dentro da plataforma.

    A lógica ajuda a explicar o posicionamento da Salesforce diante de OpenAI, Anthropic e Google. A companhia não está tentando competir apenas pela qualidade do modelo de IA. Quer que, independentemente de qual modelo uma empresa escolha, seus dados, processos e sistemas continuem conectados à Salesforce.

    O Slack é outra peça dessa estratégia. A plataforma, que pertence à Salesforce, passa a funcionar como um ambiente em que pessoas e agentes trabalham juntos, com o Claude integrado ao fluxo de trabalho. Na prática, usuários podem trabalhar no Slack e acionar agentes para consultar informações ou executar ações em sistemas da Salesforce.

    Mas existe uma diferença importante entre um agente que responde a uma pergunta e um que pode agir sobre sistemas corporativos. No segundo caso, entram em cena permissões, autenticação e limites para o que a IA pode fazer. “Segurança e governança dos dados, permissões, autenticações, essa é a prioridade número um da Salesforce”, disse Bessa.

    O jornalista viajou para San Francisco a convite da Salesforce.

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    Publicado originalmente por InfoMoney. Leia a matéria completa em https://www.infomoney.com.br/business/salesforce-quer-levar-sua-ia-para-onde-o-cliente-ja-esta-e-ve-brasil-ganhar-espaco/.

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