Política

    Saiba quem é Andrei Rodrigues, ex-segurança de Lula em 2022

    Delegado com mais de 20 anos de carreira, Rodrigues comanda a Polícia Federal desde 2023 e também atuou na segurança de Dilma Rousseff

    Poder360
    8 de setembro de 2026 às 16:01
    Saiba quem é Andrei Rodrigues, ex-segurança de Lula em 2022
    Foto: Poder360

    Andrei Augusto Passos Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal , foi afastado do cargo nesta 3ª feira (8.set.2026) por determinação do ministro André Mendonça , do Supremo Tribunal Federal . Rodrigues está à frente da corporação desde janeiro de 2023, quando foi escolhido para o cargo pelo então ministro da Justiça, Flávio Dino.

    Natural de Pelotas (RS), Andrei Rodrigues é formado em Direito pela UFPel (Universidade Federal de Pelotas) e tem mais de 20 anos de carreira na PF. Ao longo da trajetória, ocupou cargos em diferentes áreas da corporação, incluindo delegacias especializadas no combate ao tráfico de drogas e a crimes fazendários.

    Rodrigues também atuou na segurança de autoridades. Foi responsável pela segurança da então presidente Dilma Rousseff ( PT ) durante a campanha presidencial de 2010 e integrou a equipe responsável pela segurança de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha de 2022.

    Andrei Rodrigues (foto), diretor-geral da Polícia Federal, foi afastado do cargo por decisão do ministro André Mendonça, do STF
    Andrei Rodrigues (foto), diretor-geral da Polícia Federal, foi afastado do cargo por decisão do ministro André Mendonça, do STF — Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    A proximidade com Lula se manteve depois da eleição. Como diretor-geral da PF, Andrei passou a integrar com frequência a comitiva presidencial em viagens internacionais . Levantamento do Poder360 , com dados obtidos via LAI (Lei de Acesso à Informação), mostrou que ele esteve em 19 das 47 viagens de Lula ao exterior analisadas, somando 81 dias e passagens por 20 países.

    Segundo a PF, as viagens também tiveram objetivos institucionais próprios. Nas 19 missões, Andrei assinou 7 instrumentos de cooperação internacional, 3 memorandos de entendimento e 4 cartas de intenção para intercâmbio de informações e capacitação de agentes.

    Antes de assumir a direção-geral da PF, Rodrigues comandou a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos. No cargo, participou da coordenação da segurança da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Também atuou como oficial de ligação da PF em Madri, na Espanha.

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    Foto: Poder360 · Fonte: Poder360

    À frente da PF, Rodrigues esteve no comando de investigações de grande repercussão. Entre elas estão a operação Compliance Zero , que apura fraudes envolvendo o Banco Master; a operação Sem Desconto , que investiga descontos indevidos em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social); e a operação Overclean , que apura suspeitas de desvios de recursos públicos, corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.

    A escolha de um ex-segurança de um presidente ou candidato para comandar a PF não é inédita. Em 2020, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) nomeou Alexandre Ramagem , ex-diretor da Abin e ex-deputado do PL do Rio de Janeiro, para a direção-geral da corporação. Ramagem havia sido responsável pela segurança de Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018.

    A posse de Ramagem foi suspensa por decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes. Na decisão, Moraes apontou possível desvio de finalidade na nomeação, em meio à crise provocada pelas declarações do então ministro da Justiça Sérgio Moro, que havia acusado Bolsonaro de tentar interferir na PF.

    A indicação havia sido feita em meio à crise que levou à saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça. Ao deixar o governo, Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na PF e afirmou que o então presidente queria ter contato pessoal com o diretor-geral da corporação. Bolsonaro negou as acusações.

    Ao suspender a nomeação, Moraes afirmou que, “em tese” , seria possível haver desvio de finalidade no ato presidencial, com possível violação aos princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade e do interesse público. Ramagem, portanto, não chegou a assumir o comando da PF.

    “Em tese, apresenta-se viável a ocorrência de desvio de finalidade do ato presidencial de nomeação do Diretor da Polícia Federal, em inobservância aos princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade e do interesse público.”

    A investigação aberta para apurar a acusação de interferência de Bolsonaro na PF foi posteriormente arquivada pelo STF, a pedido da PGR .

    O afastamento de Rodrigues foi determinado por André Mendonça em meio à crise envolvendo integrantes do STF e relatórios de inteligência produzidos pela PF. Na decisão, Mendonça também afastou preventivamente Leandro Almada, diretor de Inteligência da corporação, e determinou que a Corregedoria da PF investigue as circunstâncias relacionadas à produção dos documentos.

    Mendonça afirmou que foi alvo de monitoramento pela inteligência da PF e questionou a produção e o conteúdo de relatórios que foram encaminhados ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo Mendonça, os documentos apresentavam problemas técnicos e não tinham elementos formais que garantissem sua autenticidade.

    A decisão também determinou a suspensão da produção e do compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar a atuação de ministros do STF, integrantes da advocacia pública e agentes responsáveis por investigações policiais.

    A 2ª Turma do STF foi convocada para analisar o afastamento. Os ministros André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques formaram maioria para manter a decisão, mas Gilmar Mendes pediu vista, suspendendo a conclusão do julgamento.

    Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-justica/saiba-quem-e-andrei-rodrigues-ex-seguranca-de-lula-em-2022/.

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    Andrei Rodrigues (foto), diretor-geral da Polícia Federal, foi afastado do cargo por decisão do ministro André Mendonça, do STF — Foto: Poder360

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