Saiba quais são as propostas de Lula e Flávio para as contas públicas
Segundo especialistas, o atual presidente insiste nos erros do seu 3º mandato e o senador tenta vender medidas superficiais

Segundo especialistas, o atual presidente insiste nos erros do seu 3º mandato e o senador tenta vender medidas superficiais
Os candidatos com melhor desempenho nas pesquisas eleitorais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), têm propostas diferentes para o mesmo objetivo: o equilíbrio das contas públicas. Economistas ouvidos pelo Poder360 avaliam que os planos de governo de ambos têm lacunas e se mostram insuficientes para alterar a trajetória da dívida pública.
Lula pretende seguir com o arcabouço fiscal e fazer mais ajustes pelo lado da arrecadação –o que não funcionou para manter o equilíbrio fiscal no seu 3º mandato. Em julho, a dívida bruta alcançou 82,5% do PIB (Produto Interno Bruto), alta de 10,8 p.p. (pontos porcentuais) desde o início do governo, em 2023, segundo o Banco Central .

Já Flávio quer uma nova regra fiscal e fazer cortes na máquina pública. Seu plano de governo não diz quanto será economizado. Há ainda a promessa de dobrar investimentos em segurança pública e reduzir impostos. Estes 2 pontos aumentam as dúvidas sobre a efetividade das suas medidas.
Assista ao vídeo sobre o tema (3min38s):
O presidente defende a manutenção do novo arcabouço. De acordo com ele, a regra fiscal conseguiu controlar o crescimento das despesas sem prejudicar a recomposição de gastos sociais.

O arcabouço enfrenta dúvidas quanto à sua credibilidade. Nos últimos anos, o governo ampliou o espaço para despesas fora dos seus limites.
Para o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos , Bruno Perri, o governo segue negando que existe um problema no crescimento dos gastos: “O arcabouço implementado, além de insuficiente, não traz consequências quando desrespeitado. É como se não existisse” .
A melhora das contas, segundo o programa, virá da combinação dos seguintes fatores:

Os gastos de Lula serão para manter, aperfeiçoar e ampliar programas de proteção social, como Bolsa Família, BPC, habitação e Pé-de-Meia. Também pretende aumentar os investimentos públicos e manter o Estado como indutor do desenvolvimento.
O ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman afirmou que as propostas de Lula representam um “Orçamento frouxo”. Há pouca preocupação com o controle das despesas, o que amplia despesas e flexibiliza investimentos.
O senador promete fazer os gastos “ caberem no orçamento” , produzir superavits primários e estabilizar a relação entre a dívida pública e o PIB para depois reduzi-la.

A proposta é uma regra para controlar os gastos opcionais dos Três Poderes e fazer um tesouraço. Os cortes seriam:
Perri enxerga 2 problemas. Um deles é que privatizações são receitas não recorrentes. O outro é a falta de profundidade do tesouraço.
De acordo com o economista-chefe da Forum Investimentos, Flávio faz um cálculo político ao evitar falar sobre o fim de benefícios tributários, reforma da Previdência e desindexação de benefícios.
Na mesma linha, Schwartsman afirmou que um tesouraço exigiria mexer em outras despesas obrigatórias, o problema central do Orçamento, e o classificou como “um grande vazio” .
O programa tem uma agenda de contenção, mas estima novas despesas. Flávio quer:
O especialista em investimentos e sócio da AW Capital , Augusto Parente, tem uma avaliação mais otimista sobre as ideias de Flávio. “Acredito que criar uma nova regra, dependendo de como funcione, pode entregar esse ajuste que o mercado espera. Se realmente ele entregar tudo que está prometendo” , declarou.
Parente diz, no entanto, que faltam mais informações sobre o tesouraço.
“É preciso entender com mais detalhes qual seria a forma de realizar esse processo. Não acho que seja irreal realmente cortar gastos do governo. São temas que não agradam muito ao Executivo. Então, é importante entender de que maneira isso seria realizado” , afirmou.
As estratégias tributárias dos candidatos são opostas. Enquanto Lula pretende aumentar impostos, Flávio quer cortar.
O governo quer seguir taxando os mais ricos e reduzindo benefícios fiscais considerados ineficientes. O slogan continua o mesmo do Lula 3 : “colocar o pobre no orçamento e o rico no Imposto de Renda” . O texto enfatiza que os aumentos serão feitos com “justiça tributária” .
Flávio combina a redução de despesas com a promessa de diminuir a carga tributária. O programa propõe revisar a reforma tributária sobre o consumo, reduzir o IVA, desonerar investimentos e exportações e diminuir impostos sobre energia e combustíveis. A ideia é que um ajuste das contas permita reduzir impostos sem ampliar o endividamento público.
Na avaliação de Bruno Perri, “falar em corte de tributos neste momento é uma fantasia”.
Os programas defendem maior eficiência do gasto público, transparência e mudanças na gestão do Orçamento.
O petista propõe, por exemplo, aprimorar a centralização de serviços e a transparência orçamentária. O candidato do PL defende avaliação permanente das políticas públicas, identificando beneficiários, custos e resultados de cada programa.
Os programas de Lula e Flávio não informam quanto as suas propostas irão custar. Também não há projeções para metas fiscais nem trajetória da dívida pública.
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/saiba-quais-sao-as-propostas-de-lula-e-flavio-para-as-contas-publicas/.

Os candidatos com melhor desempenho nas pesquisas eleitorais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), têm propostas diferentes para o mesmo objetivo: o equilíbrio das contas públicas — Foto: Poder360
Compartilhe
Espalhe essa notícia

