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    Saiba o que está em jogo nas eleições de meio de mandato dos EUA, cruciais para Trump

    Os olhos do mundo estarão voltados para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos , em novembro. Donald Trump pode não estar nas cédulas, mas ele dominará a disputa, que promete ser uma batalha acirrada . Leia mais (08/17/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    18 de agosto de 2026 às 02:00
    Saiba o que está em jogo nas eleições de meio de mandato dos EUA, cruciais para Trump
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    Os olhos do mundo estarão voltados para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos , em novembro. Donald Trump pode não estar nas cédulas, mas ele dominará a disputa, que promete ser uma batalha acirrada .

    Americana acompanhada de criança vota nas primárias democratas para governador em White Bear, no estado do Minnesota, nos EUA - Stephen Maturen - 11.ago.26/AFP · Stephen Maturen - 11.ago.26/AFP
    Americana acompanhada de criança vota nas primárias democratas para governador em White Bear, no estado do Minnesota, nos EUA - Stephen Maturen - 11.ago.26/AFP · Stephen Maturen - 11.ago.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com os índices de aprovação do president e caindo a poucas semanas do dia da votação , será que os eleitores lhe darão uma reprimenda que privará os republicanos da maioria no Congresso e preparará o terreno para dois anos de confrontos com um Partido Democrata fortalecido?

    Ou será que ele e seus apoiadores conseguirão desafiar a história e contrariar a tendência de o partido do presidente em exercício sofrer perdas ? Saiba a seguir o que está em jogo nas eleições de meio de mandato dos EUA.

    Os democratas enfrentam uma batalha difícil para retomar o controle do Senado, na qual 35 das 100 cadeiras estão em disputa.

    Restauração de espelho d'água em frente ao Memorial Lincoln, nos Estados Unidos
    Restauração de espelho d'água em frente ao Memorial Lincoln, nos Estados Unidos — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Apenas 12 delas são classificadas como competitivas pelo Cook Political Report , um boletim informativo apartidário que analisa as campanhas eleitorais nos EUA. As demais estão em estados considerados republicanos ou democratas e é improvável que troquem de partido.

    Atualmente, os republicanos controlam o Senado com 53 cadeiras contra 47, com dois senadores independentes, Bernie Sanders e Angus King, alinhados ao Partido Democrata. Isso significa que os democratas precisam de um ganho de quatro cadeiras para retomar o controle do Senado.

    Os republicanos, por sua vez, só podem se dar ao luxo de perder três cadeiras. Se o Senado ficar empatado em 50 a 50, o vice-presidente J. D. Vance poderá dar o voto de desempate.

    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil
    Estreito de Hormuz: crise afeta petróleo, fertilizantes e exportações do Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As melhores chances dos democratas estão na Carolina do Norte, no Maine e em Ohio. O partido também poderia conquistar uma quarta cadeira no Alasca, em Iowa ou no Texas. Mas também precisa manter as que já detém em Michigan, na Geórgia e em New Hampshire.

    É uma tarefa difícil, mas tentadora para os democratas. Se conseguirem retomar o Senado, poderão restringir o poder presidencial de Trump em seus dois últimos anos na Casa Branca.

    No entanto, os mercados de previsão indicam atualmente que o partido não deve atingir essa meta.

    Folha viaja ao Irã e é o primeiro jornal do mundo a conseguir entrar no país durante o conflito com EUA e Israel
    Folha viaja ao Irã e é o primeiro jornal do mundo a conseguir entrar no país durante o conflito com EUA e Israel — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Manter o controle da Câmara é fundamental para que o governo Trump possa governar sem obstáculos nos dois últimos anos de seu mandato. Se os democratas retomarem a Casa, limitarão a capacidade do presidente de aprovar leis e, quase certamente, iniciarão uma série de investigações prejudiciais ao republicano e aos principais membros de seu gabinete.

    Os membros da Câmara cumprem mandatos de dois anos; portanto, todas as cadeiras da Casa, composta por 435 membros, estarão em disputa nas eleições de novembro.

    A grande maioria das disputas eleitorais não é acirrada —em parte devido a décadas de redistritamento por ambos os partidos para garantir um número de assentos considerados seguros às legendas.

    Alunos se mobilizam para soltar brasileiro preso pelo ICE nos EUA
    Alunos se mobilizam para soltar brasileiro preso pelo ICE nos EUA — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Embora a redefinição dos limites eleitorais tenha historicamente ocorrido após o censo, uma vez a cada dez anos, no último ano vários estados romperam com a tradição depois que Trump pressionou a legislatura estadual republicana do Texas a redefinir seu mapa para adicionar cadeiras extras para seu partido.

    Outros estados, então, forçaram mudanças no meio do ciclo eleitoral numa tentativa de obter vantagem rumo à votação de novembro.

    Isso deixa apenas algumas disputas capazes de definir o equilíbrio de poder, que, por isso, devem atrair uma enorme quantidade de dinheiro e recursos.

    Protestos organizados por Michaël Trazzi pedindo pausa na corrida da IA
    Protestos organizados por Michaël Trazzi pedindo pausa na corrida da IA — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Entre elas está o sétimo distrito congressional da Pensilvânia, onde o republicano Ryan Mackenzie, atual titular do cargo, enfrenta um adversário democrata bem financiado, Bob Brooks, um bombeiro aposentado de Bethlehem.

    Em nível nacional, as pesquisas mostram que os eleitores estão cada vez mais propensos a votar em um candidato democrata ao Congresso. Os mercados de previsão também indicam que os democratas assumirão o controle da Câmara.

    O Congresso não é a única disputa em jogo nas eleições de meio de mandato.

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    Os eleitores nas eleições estaduais e locais escolhem diversos cargos públicos, incluindo governadores em 36 estados, muitos dos quais serão vistos como potenciais candidatos à Presidência em 2028 e nos anos seguintes.

    Espera-se que várias dessas disputas sejam acirradas, enquanto outras serão analisadas como indicadores do clima político.

    Entre as disputas mais acirradas estão estados decisivos que costumam ganhar destaque também nas eleições presidenciais, como Arizona, Geórgia, Nevada e Wisconsin. Michigan e Ohio também estão entre os estados em disputa.

    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background.
Foto:  Mario / adobe stock
    An Italian passport with a smartphone over a tourist magazine of South America, on a light background. Foto: Mario / adobe stock — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Outras disputas são vistas como menos competitivas, mas, mesmo assim, têm gerado manchetes. Na Califórnia —que geralmente é vista como um reduto democrata—, o ex-assessor do primeiro-ministro do Reino Unido que se tornou personalidade republicana da Fox News, Steve Hilton, está conduzindo uma campanha com poucas chances contra o democrata Xavier Becerra, ex-secretário de Saúde e Serviços Humanos de Joe Biden .

    Em outros estados, os atuais governadores democratas são considerados possíveis candidatos à Presidência em 2028, e suas campanhas de reeleição serão acompanhadas de perto como sinais precursores de possíveis candidaturas à Casa Branca. Entre eles estão Josh Shapiro, da Pensilvânia, Wes Moore, de Maryland, e J. B. Pritzker, de Illinois .

    ACESSIBILIDADE: Durante a corrida presidencial de 2024, Trump prometeu acabar com a inflação e reduzir os preços da gasolina, que haviam disparado sob o governo de seu antecessor, Biden.

    Mas todos os republicanos que concorrem às eleições de novembro estão enfrentando uma realidade muito diferente e politicamente devastadora. Até o momento, Trump não conseguiu reduzir a inflação para 2%, a meta do Federal Reserve. Em vez disso, os aumentos de preços se aceleraram este ano devido aos valores mais altos da energia, provocados pela guerra do presidente contra o Irã .

    O custo da gasolina é uma questão emblemática para os eleitores americanos e tem apresentado tendência de alta desde o início do conflito, em fevereiro. De acordo com dados da Associação Americana de Automóveis, o preço médio de um galão de gasolina comum é atualmente de US$ 4,09 (R$ 21), bem acima do nível de US$ 3,14 (R$ 16,2) registrado há um ano.

    Para os democratas, o fracasso em cumprir as promessas de reduzir o custo de vida tem servido como uma linha de ataque consistente contra a Casa Branca e o Partido Republicano como um todo, e Trump tem se mostrado insensível às dificuldades das famílias comuns que lutam contra o alto custo de vida, zombando da palavra acessibilidade como uma suposta obsessão da mídia.

    IRÃ: A decisão de Trump de entrar em guerra com o Irã em fevereiro tem sido profundamente impopular entre os eleitores.

    O presidente fez campanha com a promessa de evitar novos conflitos militares, especialmente no Oriente Médio . Mas, nos últimos meses, ele tem adotado o uso da força em todo o mundo, desde a operação para capturar Nicolás Maduro na Venezuela, ataques contra supostos barcos de contrabando de drogas na América Latina e no Caribe até ataques contra militantes islâmicos na Nigéria.

    Com o conflito no Irã, as dificuldades de Trump foram agravadas pelo alto custo da guerra e pelo fracasso em atingir seus objetivos.

    Meses após o início dos ataques dos EUA, o regime em Teerã permanece intacto, com Washington lutando para manter um frágil cessar-fogo ou garantir um acordo para manter o acesso livre à navegação pelo crucial estreito de Hormuz.

    IMIGRAÇÃO : No início de seu segundo mandato, Trump recebeu elogios dos eleitores pelo fechamento quase total da fronteira dos EUA com o México. Isso levou o fluxo de imigrantes sem documentos, que havia aumentado drasticamente durante o governo Biden, a uma paralisação virtual.

    Mas o presidente levou a repressão muito além, implementando uma campanha de deportação em massa liderada por agentes federais que perturbou comunidades em todo o país e provocou uma onda de protestos.

    Em janeiro deste ano, a repressão saiu do controle quando agentes do governo atiraram e mataram dois cidadãos americanos que protestavam contra as batidas policiais, em incidentes ocorridos com poucos dias de diferença em Minneapolis, no estado de Minnesota.

    As mortes provocaram uma onda de indignação pública, e Trump retirou as Forças Armadas das ruas da cidade. Mas a repressão continuou. Em julho, mais duas pessoas foram mortas por agentes de imigração , e a Casa Branca continuou a promover uma retórica anti-imigrantes.

    No entanto, pesquisas mostram que os eleitores ainda confiam mais nos republicanos do que nos democratas nessa questão, por 47% a 36%, de acordo com pesquisa realizada pela Focaldata para o Financial Times.

    INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: Trump e seus aliados esperavam que o boom da IA, que impulsionou o mercado de ações e estimulou os investimentos, ajudasse a melhorar a percepção dos eleitores sobre a economia à medida que se aproximam as eleições de meio de mandato.

    Mas o intenso foco do presidente na IA, incluindo sua proximidade com altos executivos do setor de tecnologia , parece estar saindo pela culatra.

    Os eleitores temem que os benefícios da tecnologia não estejam sendo amplamente compartilhados e acreditam que os ganhos estão distribuídos de forma muito restrita entre um pequeno grupo de altos executivos.

    Protestos eclodiram em todo o país contra a construção dos data centers necessários para impulsionar o desenvolvimento da IA, devido ao seu impacto ambiental, aos efeitos sobre os preços da eletricidade e ao número limitado de empregos que geram.

    FINANCIAMENTO PARTIDÁRIO: Os republicanos têm uma vantagem financeira substancial nos comitês partidários nacionais e nos super PACs aliados, que detinham cerca de US$ 658 milhões (R$ 3,4 bilhões) no final de junho, enquanto seus homólogos democratas detinham aproximadamente US$ 353 milhões (R$ 1,8 bilhões).

    O super PAC pró-Trump Maga Inc também acumulou um fundo de campanha de mais de US$ 400 milhões —mais do que qualquer grupo comparável em um ciclo eleitoral não presidencial, apesar de Trump estar constitucionalmente impedido de concorrer a outro mandato—, dando aos republicanos outra vantagem financeira potencialmente significativa. Até o momento, o super PAC gastou menos de US$ 2 milhões para apoiar ou se opor diretamente a qualquer candidato.

    Apesar de seu montante total de recursos ser menor, os democratas contam com fundos de campanha maiores em várias disputas pelo Senado de grande destaque, incluindo no Texas e na Geórgia.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/saiba-o-que-esta-em-jogo-nas-eleicoes-de-meio-de-mandato-dos-eua-cruciais-para-trump.shtml.

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