Saiba como organizar finanças e investir de acordo com seu regime de trabalho
Quem está começando a investir costuma se deparar com uma infinidade de siglas, produtos e termos técnicos que podem gerar insegurança no início. Antes de escolher onde aplicar o dinheiro, porém, especialistas recomendam organizar as finanças, quitar dívidas e formar uma reserva de emergência . Leia mais (08/09/2026 - 23h00)

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Quem está começando a investir costuma se deparar com uma infinidade de siglas, produtos e termos técnicos que podem gerar insegurança no início. Antes de escolher onde aplicar o dinheiro, porém, especialistas recomendam organizar as finanças, quitar dívidas e formar uma reserva de emergência .

O motivo é simples: dívidas de alto custo costumam cobrar juros muito superiores ao potencial de retorno da maioria dos investimentos. Por isso, especialistas recomendam quitá-las antes de começar a montar uma carteira.
A reserva deve ser suficiente para cobrir entre seis e 12 meses de despesas e ficar aplicada em um investimento de fácil acesso. Só então faz sentido montar uma carteira e se aprofundar nos conceitos do mercado financeiro.
Antes de investir, é preciso responder a três perguntas: para que serve o dinheiro (objetivo), quando ele será usado (prazo) e com que rapidez precisará ser resgatado (liquidez). A partir dessas respostas, é possível definir o perfil de risco .

"Eu costumo dizer que o investidor não é conservador ou arrojado, ele está em uma dessas posições, porque o perfil muda conforme o momento de vida e o acúmulo de patrimônio", afirma Regilaine Arruda, planejadora financeira pela Planejar.
Na prática, segundo a especialista, o primeiro investimento deve ser a reserva de emergência. Entre as opções estão o Tesouro Selic, o Tesouro Reserva , CDBs com liquidez diária e fundos DI simples.
Entre os erros mais comuns dos iniciantes está buscar a maior rentabilidade antes de montar a reserva ou investir recursos destinados a objetivos de curto e médio prazo em ações ou títulos longos apenas porque estão oferecendo retornos maiores.

"Já vi gente trocar Tesouro Selic por um CDB de banco pequeno só porque o número parecia maior. A rentabilidade sozinha engana, pois um CDB oferecendo 130% do CDI soa ótimo até você notar o risco de crédito por trás", diz Danilo Jusan, especialista em mercado de capitais e reitor do Ibmec-RJ.
Segundo Jusan, a decisão também deve considerar fatores como custos e tributação, não apenas o retorno esperado. "Uma taxa de administração de 2% ao ano parece pequena, mas corrói o ganho real ao longo de décadas."
O especialista também destaca a importância de começar a investir cedo. Segundo ele, investir R$ 300 por mês durante 20 anos pode gerar um patrimônio várias vezes superior ao total aplicado graças aos juros compostos.
"Quem espera ganhar mais para só então começar perde justamente os anos em que o efeito composto tem mais tempo para trabalhar", diz.
A renda fixa costuma ser a porta de entrada de quem começa a investir. Nela, a remuneração segue regras definidas (por uma taxa prefixada ou por um indexador), ao contrário da renda variável, que oscila conforme o mercado.
Entre os principais indexadores estão o CDI, a Selic e o IPCA.
Segundo João Arthur, diretor de investimentos da Suno Consultoria, títulos atrelados ao CDI e à Selic têm comportamento semelhante, já que ambos são pós-fixados e acompanham a trajetória da taxa básica de juros. Já os títulos indexados ao IPCA garantem uma remuneração acima da inflação, preservando o poder de compra no longo prazo.
Na prática, aplicações pós-fixadas atreladas ao CDI ou à Selic costumam ser indicadas para a reserva de emergência e objetivos de curto prazo, por oferecerem alta liquidez e menor oscilação. Já os títulos atrelados ao IPCA são mais adequados para metas de longo prazo, como aposentadoria, compra de um imóvel ou independência financeira.
Há ainda os títulos prefixados, cuja taxa de juros é definida no momento da aplicação. Segundo João Arthur, eles fazem mais sentido para objetivos com prazo determinado, quando o investidor busca previsibilidade sobre o retorno.
A diversificação depende do momento de cada investidor. Segundo João Arthur, da Suno, antes de ampliar a carteira é importante ter a reserva de emergência, manter uma rotina de aportes e compreender o funcionamento da renda fixa.
A partir daí, é possível incluir gradualmente outras classes de ativos, como ações brasileiras e internacionais , de acordo com os objetivos do investimento.
Para Luiz Lopes, especialista em investimentos do Sistema Ailos, não existe uma proporção ideal entre renda fixa e renda variável. A composição da carteira deve variar conforme os objetivos, o prazo e a necessidade de liquidez de cada pessoa.
"Em alguns momentos da vida, mesmo uma pessoa com perfil mais arrojado pode precisar priorizar a segurança e a disponibilidade dos recursos, mantendo a maior parte da carteira em renda fixa", diz.
Ele afirma ainda que a carteira deve ser revisada periodicamente para verificar se continua alinhada às metas financeiras, evitando mudanças motivadas apenas pelas oscilações de curto prazo do mercado. Em muitos casos, revisões semestrais ou anuais são suficientes. A disciplina e a manutenção da estratégia ao longo do tempo ajudam o investidor a aproveitar melhor o efeito dos juros compostos.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/saiba-como-organizar-financas-e-investir-de-acordo-com-seu-regime-de-trabalho.shtml.

Montar uma carteira de investimentos exige considerar fatores como risco, liquidez, rentabilidade, diversificação e horizonte de investimento - Catarina Pignato/Folhapress · Catarina Pignato/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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