Saiba como criminosos conseguem alterar o Imei de celulares bloqueados
Adulteração é uma das etapas identificadas por investigadores na cadeia do mercado ilegal desmontada por operação

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O número que funciona como o "chassi" do celular pode ser adulterado para liberar aparelhos roubados ou furtados. A alteração do Imei (International Mobile Equipment Identity) envolve técnicas de software ou intervenções físicas para fazer o telefone apresentar outra identificação às redes de telefonia.

A adulteração é uma das etapas identificadas pelo Ministério Público de São Paulo na cadeia do mercado ilegal de celulares desmontada pela operação Frankmobile , nesta quinta-feira (10).
A investigação identificou quatro núcleos, responsáveis pela subtração dos aparelhos, desbloqueio e acesso a dados das vítimas, adulteração e revenda, além do desmonte para comercialização de peças.
Quando o aparelho roubado chega à cadeia de receptação , é avaliado quanto ao modelo, bloqueio de tela, conta vinculada e restrição do Imei. A quadrilha tenta remover as barreiras que impedem o uso do telefone, como o vínculo com a conta da vítima. Não é uma operação simples.

Se o Imei estiver bloqueado, os criminosos tentam adulterar a identidade do aparelho. Na alteração por software, os criminosos usam equipamentos de manutenção conhecidos como "boxes" ou "dongles".
Conectados ao computador e ao telefone, esses dispositivos usam programas específicos para invadir e reescrever áreas protegidas da memória do celular, chamadas de partições NVRAM ou NVDATA, onde ficam gravados os dados do modem e o código de fábrica.
Já a alteração por hardware exige bancadas com solda de precisão. Os técnicos removem e trocam os chips de memória e processamento que guardam a identidade do telefone, ou substituem a placa-mãe inteira por outra retirada de um celular sem registro de roubo. Trocar apenas tela ou bateria não altera o Imei.

"Dá para fazer uma analogia com o carro: em alguns casos, tenta-se adulterar a gravação do chassi e, em outros, troca-se uma parte estrutural do veículo que carrega essa identificação", explica Pedro Tavares, diretor de Produtos e Dados da CertiFace.
Quando a placa principal é trocada, o telefone passa a carregar os dados da nova peça, embora tela, câmeras e carcaça continuem sendo do aparelho roubado.
A alteração tenta fazer o aparelho se apresentar à rede com um identificador diferente daquele registrado como roubado ou furtado. "É como se um carro passasse a circular com outro número de chassi: o bloqueio automático pode deixar de funcionar", diz. A mudança, porém, não elimina necessariamente outros elementos de identificação.
"Dependendo do modelo, há número de série, dados de eSIM, registros de fabricação e ativação, informações dos componentes e dados mantidos por fabricantes e operadoras", diz Tavares. A perícia pode cruzar essas informações e encontrar incompatibilidades que indiquem adulteração.
A cadeia ilegal pode continuar mesmo quando o celular está bloqueado. O desmonte permite vender componentes, alguns dos quais podem manter números de série ou outros registros.
O promotor de Justiça Luiz Fernando Bugiga Rebellato, do Gaeco, afirmou que essa possibilidade faz parte da investigação. "Esse mercado de peças originais oriundas de outros aparelhos também é uma hipótese nossa de que são trazidos de aparelhos furtados ou roubados."
Bugiga citou conversas apreendidas na investigação em que um dos alvos afirma: "Ah, tá bloqueado, eu uso para remoção, para uso para peças".
A Polícia Civil vai cruzar os dados dos aparelhos apreendidos com registros de ocorrências para identificar os proprietários. Vítimas que tenham o Imei do celular roubado ou furtado poderão acompanhar as orientações da polícia para verificar se o equipamento está entre os recuperados e reaver o aparelho.
O intervalo entre o furto ou roubo e o bloqueio faz diferença, já que o celular concentra email, mensagens, redes sociais, bancos e mecanismos de recuperação de senhas. Se o criminoso conseguir acessar o aparelho ou obtiver a senha, pode tentar entrar nessas contas.
A orientação é bloquear rapidamente aparelho e linha, avisar os bancos, proteger as contas, usar recursos como o Celular Seguro e registrar a ocorrência.
Na compra de aparelhos usados, Tavares recomenda consultar o Imei em bases oficiais, comparar os identificadores do telefone com a documentação, exigir nota fiscal e verificar a procedência do vendedor. Uma consulta sem restrição, isoladamente, não garante que o equipamento seja regular.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/saiba-como-criminosos-conseguem-alterar-o-imei-de-celulares-bloqueados.shtml.

Policiais militares durante operação no centro de São Paulo contra esquema de roubo, adulteração e receptação de celulares - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: UOL
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