Brasil

    Saiba como criminosos conseguem alterar o Imei de celulares bloqueados

    Adulteração é uma das etapas identificadas por investigadores na cadeia do mercado ilegal desmontada por operação

    UOL
    10 de setembro de 2026 às 23:00
    Saiba como criminosos conseguem alterar o Imei de celulares bloqueados
    Foto: UOL

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O número que funciona como o "chassi" do celular pode ser adulterado para liberar aparelhos roubados ou furtados. A alteração do Imei (International Mobile Equipment Identity) envolve técnicas de software ou intervenções físicas para fazer o telefone apresentar outra identificação às redes de telefonia.

    Policiais militares durante operação no centro de São Paulo contra esquema de roubo, adulteração e receptação de celulares - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress
    Policiais militares durante operação no centro de São Paulo contra esquema de roubo, adulteração e receptação de celulares - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A adulteração é uma das etapas identificadas pelo Ministério Público de São Paulo na cadeia do mercado ilegal de celulares desmontada pela operação Frankmobile , nesta quinta-feira (10).

    A investigação identificou quatro núcleos, responsáveis pela subtração dos aparelhos, desbloqueio e acesso a dados das vítimas, adulteração e revenda, além do desmonte para comercialização de peças.

    Quando o aparelho roubado chega à cadeia de receptação , é avaliado quanto ao modelo, bloqueio de tela, conta vinculada e restrição do Imei. A quadrilha tenta remover as barreiras que impedem o uso do telefone, como o vínculo com a conta da vítima. Não é uma operação simples.

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Se o Imei estiver bloqueado, os criminosos tentam adulterar a identidade do aparelho. Na alteração por software, os criminosos usam equipamentos de manutenção conhecidos como "boxes" ou "dongles".

    Conectados ao computador e ao telefone, esses dispositivos usam programas específicos para invadir e reescrever áreas protegidas da memória do celular, chamadas de partições NVRAM ou NVDATA, onde ficam gravados os dados do modem e o código de fábrica.

    Já a alteração por hardware exige bancadas com solda de precisão. Os técnicos removem e trocam os chips de memória e processamento que guardam a identidade do telefone, ou substituem a placa-mãe inteira por outra retirada de um celular sem registro de roubo. Trocar apenas tela ou bateria não altera o Imei.

    Mega da Virada: quais as chances de ganhar e outras 7 perguntas sobre sorteio com prêmio recorde
Fotografia colorida mostra mão apostando na mega sena
Prêmio da mega da virada não acumula

Importado Automaticamente de: https://www.bbc.c
    Mega da Virada: quais as chances de ganhar e outras 7 perguntas sobre sorteio com prêmio recorde Fotografia colorida mostra mão apostando na mega sena Prêmio da mega da virada não acumula Importado Automaticamente de: https://www.bbc.c — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Dá para fazer uma analogia com o carro: em alguns casos, tenta-se adulterar a gravação do chassi e, em outros, troca-se uma parte estrutural do veículo que carrega essa identificação", explica Pedro Tavares, diretor de Produtos e Dados da CertiFace.

    Quando a placa principal é trocada, o telefone passa a carregar os dados da nova peça, embora tela, câmeras e carcaça continuem sendo do aparelho roubado.

    A alteração tenta fazer o aparelho se apresentar à rede com um identificador diferente daquele registrado como roubado ou furtado. "É como se um carro passasse a circular com outro número de chassi: o bloqueio automático pode deixar de funcionar", diz. A mudança, porém, não elimina necessariamente outros elementos de identificação.

    "Dependendo do modelo, há número de série, dados de eSIM, registros de fabricação e ativação, informações dos componentes e dados mantidos por fabricantes e operadoras", diz Tavares. A perícia pode cruzar essas informações e encontrar incompatibilidades que indiquem adulteração.

    A cadeia ilegal pode continuar mesmo quando o celular está bloqueado. O desmonte permite vender componentes, alguns dos quais podem manter números de série ou outros registros.

    O promotor de Justiça Luiz Fernando Bugiga Rebellato, do Gaeco, afirmou que essa possibilidade faz parte da investigação. "Esse mercado de peças originais oriundas de outros aparelhos também é uma hipótese nossa de que são trazidos de aparelhos furtados ou roubados."

    Bugiga citou conversas apreendidas na investigação em que um dos alvos afirma: "Ah, tá bloqueado, eu uso para remoção, para uso para peças".

    A Polícia Civil vai cruzar os dados dos aparelhos apreendidos com registros de ocorrências para identificar os proprietários. Vítimas que tenham o Imei do celular roubado ou furtado poderão acompanhar as orientações da polícia para verificar se o equipamento está entre os recuperados e reaver o aparelho.

    O intervalo entre o furto ou roubo e o bloqueio faz diferença, já que o celular concentra email, mensagens, redes sociais, bancos e mecanismos de recuperação de senhas. Se o criminoso conseguir acessar o aparelho ou obtiver a senha, pode tentar entrar nessas contas.

    A orientação é bloquear rapidamente aparelho e linha, avisar os bancos, proteger as contas, usar recursos como o Celular Seguro e registrar a ocorrência.

    Na compra de aparelhos usados, Tavares recomenda consultar o Imei em bases oficiais, comparar os identificadores do telefone com a documentação, exigir nota fiscal e verificar a procedência do vendedor. Uma consulta sem restrição, isoladamente, não garante que o equipamento seja regular.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/saiba-como-criminosos-conseguem-alterar-o-imei-de-celulares-bloqueados.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Policiais militares durante operação no centro de São Paulo contra esquema de roubo, adulteração e receptação de celulares - Zanone Fraissat/Folhapress · Zanone Fraissat/Folhapress — Foto: UOL

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)