Rússia tenta matar chefe do Serviço de Segurança da Ucrânia
Pela primeira vez desde o início da Guerra da Ucrânia , a Rússia atingiu a sede do poderoso Serviço de Segurança da Ucrânia. Um drone mirou nesta sexta-feira (4) o escritório de Oleksandr Poklad, o diretor interino do órgão, que não sofreu ferimentos. Leia mais (09/04/2026 - 12h10)

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Pela primeira vez desde o início da Guerra da Ucrânia , a Rússia atingiu a sede do poderoso Serviço de Segurança da Ucrânia. Um drone mirou nesta sexta-feira (4) o escritório de Oleksandr Poklad, o diretor interino do órgão, que não sofreu ferimentos.

Outras cinco pessoas ficaram feridas, segundo o presidente Volodimir Zelenski escreveu no X. Ele relatou ter conversado com Poklad. Colunas de fumaça eram visíveis saindo do prédio, que fica na central rua Volodimirska.
Ataques a prédios governamentais são raros no conflito, apesar da defesa feita pela linha-dura russa para que Vladimir Putin mire diretamente Zelenski. O incidente mais famoso ocorreu no ano passado, quando o prédio dos ministérios foi atingido por um míssil balístico Iskander-M.
O SBU, sigla ucraniana do órgão liderado por Poklad, é a agência governamental mais importante do país. Ela trabalha como serviço de segurança interna, sucedendo a antiga KGB soviética, mas também como unidade militar.

A agência controla o Grupo Alfa, responsável pela estratégia de ataques com mísseis, drones e infiltrações no território russo, como a atual campanha bem-sucedida contra refinarias e empresas de logística no país de Putin.
Em 2025, o grupo teve uma de suas maiores vitórias simbólicas, ao atacar cinco bases aéreas russas com pequenos drones que foram contrabandeados escondidos no teto retrátil de caminhões, destruindo talvez 10% da força de bombardeiros da Rússia.
Os russos não comentaram o ataque específico. A ação ocorreu após o governo Zelenski advertir a Organização Internacional de Aviação Civil para que o órgão da ONU oriente empresas a evitar todo o espaço aéreo russo. O motivo seria a intensificação do uso de drones e mísseis justamente sob ordens do SBU.

A Rússia reagiu nesta sexta, enviando nota ao órgão para dizer que a ameaça "não tem força legal e distorce a real situação". Desde a guerra, devido a sanções, empresas aéreas ocidentais e de países asiáticos como o Japão pararam de voar para a Rússia .
Para complicar, o maior país do mundo era rota inescapável para ligar o Ocidente ao Oriente, e desvios feitos pelas margens de seu espaço aéreo se tornaram norma. A Ucrânia e o sul russo também são evitados pela atividade militar.
Algumas empresas, como a Turkish Airlines e a Emirates, seguiram com rotas para Moscou e outras cidades, desviando de áreas críticas para evitar o risco de ter alguma aeronave atingida.

A destruição de um Boeing-777 da Malaysia Airlines no leste ucraniano em 2014 preocupa as companhias, assim como o abate acidental de um Embraer-190 da Azerbaijan em 2024.
Até aqui, nenhuma grande operadora que ainda voa para a Rússia atendeu ao pedido da Ucrânia, mas ao menos uma pequena empresa, a Air Tanzania, suspendeu seus voos.
No campo diplomático, a expectativa é pela volta dos Estados Unidos ao jogo da mediação do conflito neste fim de semana. Segundo tanto o governo em Kiev quanto a agência russa Tass, os negociadores Steve Witkoff e Jared Kushner deverão visitar Moscou e Kiev.

A viagem, contudo, ainda depende de arranjos de segurança, segundo a agência Reuters redobrados após o ataque ao SBU. Se concretizada, retomará uma dinâmica interrompida em fevereiro, quando o governo Donald Trump voltou suas atenções para a guerra iniciada contra o Irã.
A retomada de fato das negociações de paz é incerta. Putin deu declarações ambíguas nos últimos dias, alternando abertura a conversar com rejeição de discutir com Zelenski.
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O russo está pressionado pelo sucesso da campanha ucraniana, mas também tem redobrado o custo imposto aos rivais . Putin crê, segundo observadores, que é possível ainda declarar vitória se finalizar a conquista da região de Donetsk (leste).
Já Zelenski está sob fogo não só de russos, mas também de uma crise doméstica. Isso se agravou desde que demitiu em julho o popular ministro da Defesa Mikhailo Fedorov, que desde então defende a realização de eleições suspensas pela guerra. Além disso, a escassez de mísseis antiaéreos tem cobrado alto preço de civis.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/russia-tenta-matar-chefe-do-servico-de-seguranca-da-ucrania.shtml.

Bombeiros trabalham para apagar fogo no prédio do SBU, no centro de Kiev - Gleb Garanitch/Reuters · Gleb Garanitch/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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